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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Será utopia uma cultura de não-violência?

Chave_Maturidade          Estamos vivenciando, nesses tempos, uma cultura extremamente violenta, separatista e segregacionista, onde as pessoas são meros instrumentos para uma minoria enriquecer, manter e ampliar seus poderes sobre a humanidade.

          Como modificar esse paradigma de guerra e de exploração?

          Dependendo das nossas reações, geramos mais violências, independente de que o objetivo final seja louvável! Estaremos reforçando atitudes mantenedoras desse sistema sócio-político-econômico.

          Podemos pensar diferente, desejar a Paz, mas escolhemos alternativas idênticas ou piores do as que estão vigentes no momento e na maioria das vezes não percebemos isso.

          Guerras, vandalismos, exploração de crianças e de empregados, extermínio dos recursos naturais que a natureza nos oferece, tudo isso faz parte desse grande paradigma econômico, onde as pessoas só têm valor quando são bem sucedidas financeiramente, independente dos meios utilizados para tal.

          Acredito, como muitas outras pessoas, que é possível criar uma cultura de Paz, formar uma Consciência dos Princípios de Não-Violência e praticá-los como uma poderosa forma de curar e transformar nossas vidas, e conseqüentemente, a humanidade.

          A grande mudança começa em cada um de nós, através de nossas escolhas diárias e ações centradas na não-violência. Através de novas formas de Educação e ações direcionadas para a Paz.

          A Paz no nosso interior gerará Paz ao nosso redor, Paz nos relacionamentos, Paz na família, Paz no trânsito, e assim vai se estendendo, formando uma teia de Paz.

          Vejamos a possibilidade de mudar o mundo com as mudanças nos comportamentos de cada um de nós e das nossas crenças, através da história do Centésimo macaco, que é uma fábula alegórica e baseia-se na “Teoria do Campo Mórfico”, do biólogo Rupert Sheldrake.

          A fábula diz que uma mudança no comportamento de uma espécie ocorre quando uma massa crítica – um número exato necessário – é alcançado. Quando isso acontece, o comportamento ou hábitos de toda a espécie alteram-se. Transcrevo abaixo a história:

O centésimo macaco

Há mais de 30 anos, cientistas estudavam colônias de macacos em ilhas isoladas nas costas do Japão. De maneira a observá-los e anotar registros, os cientistas atraiam os macacos para a praia oferecendo-lhes batata doce. Os macacos desciam das árvores para aproveitar a refeição gratuita e se colocavam numa posição de onde podiam ser facilmente observados. Um dia , uma macaca de 18 meses chamada de Imo, começou a lavar a sua batata no mar antes de comê-la. Imagino que isso melhorou o sabor por tirar os grãos de areia e pesticidas, ou então ficava mais saborosa por causa do sal. Imo mostrou a seus companheiros de brincadeiras e à sua mãe como lavar as batatas; seus amigos mostraram às suas mães e, gradualmente, mais e mais macacos começaram a lavar suas batatas ao invés de comerem como eram oferecidas. Inicialmente, apenas as fêmeas adultas que imitavam seus filhotes aprenderam, mas, gradualmente, outros aprenderam também.

Um dia, os cientistas observaram que todos os macacos daquela ilha estavam lavando suas batatas antes de comê-las. Embora isso seja significativo, o que foi mais fascinante é que essa mudança não ocorreu apenas naquela ilha. Subitamente, os macacos de todas as outras ilhas estavam lavando suas batatas – apesar das colônias de macacos das diferentes ilhas não terem nenhuma comunicação entre si.

          O “centésimo macaco” foi aquele anônimo a que se refere a hipótese, o fator decisivo para a espécie: aquele cuja mudança de comportamento significou que, a partir daquele momento, todos os macacos iriam lavar suas batatas antes de comê-las. Como uma alegoria, O Centésimo Macaco contém a promessa de que, quando um número crítico de pessoas mudar seu comportamento ou atitude, a cultura como um todo mudará.

          O que era inimaginável é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e aquilo torna-se o padrão de como agimos e do que somos como seres humanos.

          Você que está lendo esse artigo, pode ser o 37″°” , o 64° e assim por diante, até que surja o 100° macaco – e ninguém sabe o quão longe ou perto estamos dele até que subitamente estamos lá.

          Pois bem, para a cultura humana mudar do paradigma de guerra para o paradigma de PAZ – para haver um centésimo macaco – deve haver equivalentes humanos de Imo e seus amigos.

Dormiste por milhares e milhares de anos.

Não queres acordar esta manhã?

(Kabir)


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Lenda de São Nicolau

sao_nicolau_maturidade          Muito longe, no Oriente, vivia um bispo muito bondoso e piedoso, chamado Nicolau. Ele morava em um castelo e tinha grandes plantações de cereais e um imenso pomar. Tudo que colhia era dividido com seus servos e suas famílias. Na época da colheita, guardavam os melhores grãos para serem novamente semeados; faziam pães bem saborosos; armazenavam cuidadosamente os alimentos para que não houvesse falta. E todos viviam felizes e saudáveis.

          Certo dia, ele ouviu contar que no Ocidente havia uma cidade onde todas as pessoas passavam fome, inclusive as crianças. O bispo Nicolau chamou então os seus servos, que o amavam muito e falou-lhes:

          “- Tragam-me frutas dos pomares e colheitas dos campos para que possamos saciar os famintos.”

          Os servos trouxeram cestas com maçãs, uvas, peras, amêndoas e nozes. Em cima, colocaram pão de mel, bolos feitos pelas mulheres do lugar. Trouxeram também sacos cheios de grãos dourados de trigo. Nicolau ordenou que todas as dádivas fossem colocadas num navio grande e bonito, todo branco e com velas azuis como o azul do céu. Viajaram muito tempo para chegar a essa terra desconhecida: sete dias e sete noites. Quando chegaram à grande cidade, já era noite e não se via ninguém nas ruas – as luzes brilhavam pelas janelas das casas. O bispo Nicolau bateu numa janela. A mulher que morava na casa, pensando tratar-se de um viajante pedindo abrigo, mandou o filho abrir a porta. Como não havia ninguém, a criança correu pela janela. Lá encontoru uma cesta refleta de frutas, bolos e doces. Ao lado da cesta estava um saco com grãos dourados de trigo. Todas as pessoas fartaram-se com as dádivas e por muito tempo, ficaram fortes e alegres.

          O Bispo Nicolau foi ficando velhinho, com a barba branca, e agora está no céu. Todos os anos, na data do seu aniversário, seis de dezembro, ele viaja para a Terra. Monta em seu cavalo branco e vai descendo, de estrela em estrela, para levar suas dádivas para as crianças, porque hoje, na Terra, a fome é muito maior, não só para as crianças, como para os inúmeros idosos abandonados pelas famílias. E não é só fome de alimentos, mas também de amor, de compaixão, de bondade, de confraternização, solidariedade.

          Ele nos ajuda a preparar o nosso Natal: a abrir nossos corações e renascer em amor ao próximo, a praticar a solidariedade entre as pessoas.

          Nesse ano, desejo que vocês sejam tocados por São Nicolau. Que essas sementes de bondade, de justiça, da verdade, jogadas por ele, brotem em seus corações.

          Feliz Natal! Muita Paz e Alegria!