Portal da Maturidade

Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Curso – Tecendo o caminho da nossa vida

envelhecer-maturidade          …. dos aromas, dos sabores, das músicas, das cores, das pessoas da nossa infância, da nossa adolescência, da juventude, da maturidade … vamos tecendo a nossa vida, entrelaçando fios.

          Em todas essas passagens há inúmeras aprendizagens, carinhos, alegrias, tristezas e saudades que nos tornaram essa pessoa que somos hoje.

          Mas ainda não estamos prontos!

          Sempre haverá algo novo para ser integrado na nossa vida: saída dos filhos de casa, a vinda dos netos, novos grupos de amigos, algumas perdas de entes queridos, sinalizando que ainda estamos em construção.

          Há muitos anos nos esperando e queremos vivê-los com intensidade!

          Vamos reconhecer e acolher nossa criança, nosso adolescente, o adulto e o envelhescente que trazemos em nós?

          Gostaria de ajudá-los nessa integração.

          Proponho-lhes uma jornada emocionante e divertida de 3 dias!

“Acolher e unir a criança, o adolescente, o adulto e o envelhescente que vivem em nós.”

          O objetivo desse curso é acionar nossa memória subjetiva da infância, da adolescência, da juventude, do adulto e trazer essas forças curativas armazenadas para nos ajudar na vida presente.

          No final do curso cada participante terá confeccionado um pequeno livro.

         Turmas em dois horários:

         Quartas-feiras (14h às 16:30h)
         Dias: 15/03 – 22/03 – 29/03

         Quintas-feiras (18h30 às 20:30h)
         Dias: 16/03 – 23/03 – 30/03

         Inscrições : (o11) 99603-7651       Investimento: a consultar

         LOCAL: Av. Santo Antonio, 2153 (sala 73) Bela Vista, Osasco/SP

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Dia da conscientização da violência contra os idosos – 15/06

Violencia_idoso_Maturidade          Viver muito e com dignidade é um direito de todo ser humano.

          É da competência do Estado desenvolver e disponibilizar às pessoas envelhecidas uma rede de serviços que lhes assegurem os seus direitos básicos de saúde, transporte, lazer e ausência de violência, tanto no espaço familiar como no espaço  público. Mas isso está muito longe de acontecer.

          A família assume o papel de cuidador, e, na grande maioria, com dificuldades. A negligência, violência, discriminação, crueldade ou opressão e falta de cuidados intrafamiliares  e sociais são visíveis ou camuflados na velhice.

          Os níveis de violência vão desde atitudes abusivas no contexto social, como pensões e aposentadorias inadequadas, dificultando para o idoso o acesso a serviços sociais e de saúde, criando situações de marginalização e discriminação, como também, conflitos no âmbito doméstico quando seus vitimizadores, geralmente filhos, dependem do idoso economicamente.

          Segundo a Organização Mundial de Saúde (2011), os maus tratos e negligência constituem “uma ação única ou repetida, ou a ausência de uma ação devida, que causa sofrimento ou angústia, e que ocorre em uma relação  que haja expectativa de confiança”.

          Podemos classificar a violência contra idosos em maus tratos físicos: uso de força física que pode produzir lesão, ferida, dor ou incapacidade; maus tratos psicológicos: ação de infligir pena, dor ou angústia por meio de expressões verbais e não -verbais; abuso financeiro ou material: exploração imprópria e ilegal e/ou uso não consentido de recursos de um idoso; abuso sexual: contato sexual não consentido; negligência: recusa ou falha em exercer responsabilidades no ato de cuidar do idoso.

          Os idosos mais vulneráveis à violência são os dependentes física ou mentalmente, sobretudo quando apresentam problemas de esquecimento, confusão mental, alterações no sono, incontinência e dificuldades de locomoção, necessitando de cuidados intensivos em atividades da vida diária. Como conseqüência, muitos idosos passam a sentir depressão, alienação, desordem pós-traumática, sentimentos de culpa e negação das ocorrências e situações que os vitimizam. Passam a viver em desesperança.

          O Brasil passa por uma transição demográfica que provoca um aumento na incidência de doenças crônico-degenerativas, que, conseqüentemente, faz aumentar a incapacidade funcional dos idosos.

          Associando-se a este fator, a falta de recursos econômicos para cuidar do idoso, tudo isso propicia o aumento da violência contra ele, como também, a negligência diante da impossibilidade de prover uma alimentação adequada, medicamentos e fraldas.

          A negligência, vista como a recusa, omissão ou fracasso por parte do responsável pelo idoso em garantir-lhe os cuidados de que necessita, é uma das formas mais presentes atualmente, tanto em nível doméstico quanto institucional em nosso país.

          É fundamental procurar ajuda para melhor atender ao idoso, seja nas instituições públicas municipais, verificar o que têm para oferecer; procurar informações para conhecer mais de perto as necessidades dos idosos; dividir os atendimentos ao idoso, na medida do possível, com todos os familiares, para não sobrecarregar somente alguns.

          Há uma história que elucida bem esta violência ao idoso e nos mostra que o exemplo diz muito mais do que palavras:

          Um trabalhador, perdeu muito cedo sua esposa e precisou cuidar do filho sozinho. Levantava antes do sol nascer para preparar as refeições da criança, e depois o levava consigo para o trabalho, cuidando para que nunca lhe faltasse algo. Os anos foram passando, seu filho se tornou um grande economista e casou-se.

          Seu pai, ficando muito velhinho, já não tinha condições de se prover e se auto-cuidar. Foi morar com o casal, que nessa época tinha um filhinho de 5 anos.

          Um dia, o velhinho ouviu as brigas do filho com sua nora, onde ela se queixava do trabalho que o sogro lhe dava.

          O filho, então, pegou um cobertor, abriu a porta da casa, chamou  seu pai e lhe disse: – Toma esse cobertor e saia de casa!

          O velhinho, não querendo criar desavenças entre o casal, saiu.

          Seu neto, vendo a cena, saiu correndo atrás do avô, pediu: – Vovô, me dá metade desse cobertor?

          O velhinho, não entendo o motivo, mesmo assim, dividiu o cobertor e deu metade ao seu neto.

          O pai, observando a cena, perguntou ao filho: – O que você vai fazer com essa metade do cobertor?

          Eis que o filho pequenino responde: – Papai, um dia, você também ficará velhinho, e eu já terei o cobertor para lhe dar.


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Idosos – Quando é aconselhável colocar em clínica ou pensionato?

Idoso_Maturidade          Já comentei em artigos anteriores, a importância da família acolher seu idoso. Acredito que ainda é a melhor solução. Mas, com os problemas da saúde se agravando, começa a ficar difícil o bom atendimento. Atender a pessoa idosa nas 24h é desgastante por demais, principalmente quando somente um ou dois familiares participam desse processo.

          Dificilmente há revezamento entre os membros da família para auxiliar. Cada um apresenta um impecilho, e com isso, há uma sobrecarga para os cuidadores – familiares.

          Uma medida saudável é colocar um cuidador especializado na casa. Ou dois, um para acompanhar durante o dia e outro à noite. Há pessoas que não gostam de ter estranhos em casa, porque muda-se a rotina do lar, perde-se a intimidade.

          Assim, os cuidadores-familiares assumem as tarefas com seu ente idoso querido, e esquecem muitas vezes de si mesmos, negligenciam seus compromissos pessoais e também profissionais.

          A maioria das pessoas trabalham fora, ou têm que dar conta das atividades domésticas, dos filhos, etc. Acolher um idoso que ainda tem autonomia para andar, tomar banho, não modifica muito o dia-a-dia da casa. Mas, quando o idoso requer atenção especial contínua, como horas certas para os medicamentos, dar banho, trocar as fraldas, alimentá-lo, levar para exames, médicos, o cansaço físico, emocional e o desgaste psicológico dos cuidadores-familiares começam a se manifestar e a paciência e tolerância diminuem sensivelmente.

           E os cuidadores-familiares se sentem culpados por não conseguirem dar conta das tarefas. E ao mesmo tempo, querem sua vida de volta, participar das atividades da família.

          Hoje, devido a longevidade humana, são pessoas de 60-70 anos cuidando de pais de 80-90 anos em diante.

          Nesse momento, aconselho procurar um local onde podemos instalar confortavelmente esse idoso querido.

          Procurar uma clínica ou pensionato, conforme as necessidades do idoso e os valores familiares. Há inúmeras clínicas, com atendimentos diferenciados. Escolha aquela que mais você acha que “seu idoso” irá ser bem atendido, e ficará bem.

          É fundamental preparar-se para essa tomada de decisão. Levar o idoso para uma clínica é uma coisa; deixá-lo lá, sem visitá-lo,  sem lhe dar um suporte afetivo, é outra coisa.

          À medida que o ente querido vai se adaptando na nova moradia, com as visitas freqüentes da família, tudo se acalma. E, vê-lo bem atendido, faz com que os familiares tenham mais tempo para usufruir da companhia desse idoso com mais prazer, mais afetividade.

          Temos de assimilar esses novos modelos de convivência, nos preparando para o dia de amanhã, sem medo, e com consciência de que hoje são eles , mas daqui uns anos, seremos nós a sermos cuidados.

          Sugestão de leitura: O lugar escuro – Uma história de senilidade e loucura – Heloísa Seixas – Objetiva, 2007.


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Amor é doação! Vamos sair da zona de conforto?

Cuidar_idoso_maturidade          À medida que se está próximo da velhice, percebe-se que para a grande maioria das pessoas, é comum um grau de dependência dos filhos, parentes e amigos.

          Param de guiar, de viajarem sozinhos, começam a ter dificuldades de lidar com as novas tecnologias, principalmente pessoas que nunca foram ousadas, entusiastas em aprender coisas novas.

          Atualmente é grande o número de pessoas idosas que moram sozinhos e isso lhes causam muitas preocupações pelo fato de não saberem como reagir, onde ficar quando vierem algumas vicissitudes da vida, como doenças, depressão, etc.

          A família, mesmo passando por significativas mudanças, é a melhor alternativa para acolher o idoso.

          Deixar, muitas vezes, sua zona de conforto para ajudar, exige amor.

          Amor é doação do nosso melhor para ir ao encontro do outro, bem mais velho, para ajudá-lo nas suas necessidades, partilhar das suas alegrias e tristezas, das suas preocupações e minimizá-las.

          Recentemente, vi um vídeo do Pe. Fábio, onde ele perguntava: “Quem nos amará de verdade na velhice? Quem nos acolherá e manterá nosso valor, mesmo que já não tenhamos utilidade? Quem será capaz de tolerar nossa inutilidade?”

          As questões levantadas pelo Pe. Fábio, respondem ao verdadeiro significado do amor.

“Quem nos colocará para tomar sol? E sobretudo, quem nos tirará do sol?”


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João, meu Pai – por Risomar Fasanaro

Alzheimer_Maturidade_Externo          Um pai cuidadoso comigo, que fazia questão de ir me buscar no ponto do ônibus a um quilômetro de distância, quando eu voltava da faculdade, já próximo da meia-noite. Muitas vezes não havia assistido a nenhuma aula, só participado da agitação política, em 68, na rua Maria Antônia, São Paulo.

          Alguns anos depois era ele que fazia questão de abrir o portão da garagem, para eu sair com o carro, por mais que eu insistisse para não fazer aquilo.

          Homem de pouco estudo, lia o jornal de ponta a ponta diariamente. Adorava meus amigos e, podendo, fazia sempre parte da roda.

          Em julho de 1995 quatro anos depois de sofrer um AVC, minha mãe faleceu; e um mês depois, no dia 7 de setembro, ele acordou me dizendo que estava pescando com um amigo. Onde papai? Ali… no riozinho atrás da casa. Mas papai, rio no asfalto? É…pesquei muitos peixes. Eu e meu amigo…

          Um frio percorreu meu corpo. Naquele instante percebi que aquele novo amigo que com ele conviveria durante quatro anos não era uma boa companhia. Mas que fazer?

          Quando crianças e começamos a andar em má companhia, os pais têm poder para nos afastar deles, mas quando já adultos, e os vemos mal acompanhados, nada podemos fazer. Só nos resta a resignação. E eu sabia: era um amigo que há tempos rondava nossa casa, e com ele tentava fazer amizade. E meu pai se envolveu tão fortemente com aquele amigo, que se esqueceu de nós, de nossa casa, de mim.

          Muito conhecido na cidade, um dia voltou para casa trazido por um camburão da polícia. Seu pai não queria voltar, o policial me disse. Disse que morava em Natal. Mas um dos nossos o conhece… Ele havia feito vários exames, e no dia seguinte levei-o ao médico para mostrá-los.

          O médico atendia outros clientes que também eram amigos daquele estranho senhor. E foi ali que vim a saber seu nome: Sr. Alzheimer. Ele, dizia o médico, é do mal. E era o responsável por meu pai ter se afastado de todos nós. E eu, àquela altura já sabia: nada poderia fazer para romper aquela amizade.

          Penso que ele se aproximou daquele amigo por não suportar a saudade de minha mãe. Aquela nova amizade era tão forte, que ele esqueceu minha mãe para sempre. Nunca mais falou nela.

          Em vez de lutar contra aquele senhor que não saía de perto de meu pai, resolvi aliar-me a ele. Morávamos em uma casa imensa, muito antiga, com portas e janelas enormes.

          E foi ali que ele e Alzheimer encontraram uma porta que lhes possibilitava viajar através do tempo. Achei aquilo tão fascinante, que resolvi viajar com eles. Freqüentemente íamos à Revolução Constitucionalista de 32. Frequentemente meu pai me convidava a ir com eles. Dizia: “feche, feche as janelas, menina, feche e se atire no chão, que o inimigo está chegando”. Na mesma hora eu fechava as grandes janelas da sala e me atirava ao solo. “Fique quieta, não fale, que eles podem perceber nossa presença”. E eu ficava ali: cinco, dez, quinze minutos, no escuro, esperando o inimigo ir embora.

          Em 1932, um dos seus irmãos, Chico, viera de Natal para lutar ao lado de Getúlio, enquanto meu pai lutava por São Paulo. Por isso sua preocupação era não ferir o irmão em algum combate. Quando íamos os três para a Revolução, ele repetia sempre: “cuidado, cuidado que Chico pode estar nesse pelotão, veja bem antes de atirar…”

          Às vezes algum amigo ligava e perguntava: “por que liguei tanto e você não atendeu? Ou: “por que você demorou tanto a atender?” e eu precisava explicar: “eu estava lutando na Revolução de 32…” O que sempre provocava risos do outro lado da linha.

         Outras vezes era para o Cabo de Santo Agostinho, litoral de Pernambuco, em 1945 que viajávamos. E ele me ordenava: “apague as luzes, os alemães podem nos ver aqui…” E ficávamos os três: ele Alzeheimer e eu no escuro, em silêncio, até que ele se convencesse de que o inimigo fora embora e me desse ordem de voltar a 1998.

          Uma ocasião chegou um grupo de amigos meus, e meu pai, muito preocupado, me chamou e cochichou em meu ouvido: “esse pessoal não disse a senha…” Tentei tranqüilizá-lo: “papai, são meus amigos, não se preocupe…” E ele muito apreensivo: “então peça e anote o RG de cada um. Não diga a eles que meu nome é João. Não se pode confiar em ninguém, aqui…”

          De repente me chamou e disse: “peça a eles que falem mais baixo…” E perguntei: Por que, papai? E ele, com aqueles olhos verdes que tinham perdido completamente o brilho, desde a morte de minha mãe, me olhou tristemente e respondeu: “eu estou aqui camuflado…”

          Um filho pode aprender muito com um pai, mas sem dúvida alguma, aquelas últimas lições que dele recebi sobre a fragilidade da vida, da lucidez, sobre a importância de agarrar cada segundo que temos como se fosse o último, de valorizar cada gesto delicado que nos vem de uma pessoa querida, talvez tenham sido as mais valiosas de toda minha vida, pois não aprendi em nenhum livro, aprendi com aquele homem simples, que tendo sido militar, era tão terno quanto pode ser um jardineiro, ou um Poeta. Tão terno, tão doce quanto deve ser um pai. Um verdadeiro Pai.

Risomar Fasanaro – professora de lingua e literatura brasileira e portuguesa