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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Projeto Cinevita – Para sempre Alice

Para_sempre_Alice_Maturidade          Julianne Moore, interpreta uma mulher de 50 anos, que se vê acometida pela doença de Alzheimer precocemente. Neurolinguista, com uma carreira brilhante, percebe que algo estranho está lhe acontecendo, pois começa a ter lapsos de memória nas aulas que ministra na universidade; e também, quando ela não consegue se lembrar aonde está correndo, se exercitando no campus da universidade. Procura um neurologista e após alguns exames recebe o diagnóstica de Alzheimer genético, muito raro.

          Usa seu celular como uma ferramenta para estimular seu cérebro, para evitar o declínio cognitivo rápido e ao mesmo tempo para se observar, verificar o desenrolar de sua doença, até que se esquece onde o colocou.

          Astutamente, planeja sua morte pelo notebook, dando a si mesma, orientações para serem executadas quando não mais tiver lucidez suficiente para compreendê-las.

          O que faz uma pessoa tão inteligente, programar sua morte, como nesse caso?

          Medo, pavor do que virá-a-ser? Receio de ficar totalmente dependente de outrem? Receio de atrapalhar a vida da família?

          Na trama do filme, podemos ver a Alice como vítima e como espectadora de si mesma, ambas impotentes frente a doença. Aos poucos, vemos a dissolução de quem era Alice e seu desaparecimento como pessoa atuante. Resta sua história.

          Muito merecido o Oscar pela interpretação de Julianne Moore.

          Lindo filme, pois nos mostra que a Vida é para ser vivida plenamente, pois não temos como controlar algo que já foi determinado geneticamente. Ainda não!

 

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Câncer e o sentido da vida!

Cancer Maturidade          Quando o paciente recebe o diagnóstico que está com câncer , imediatamente  associa com a morte eminente. É a doença que nos infunde maior temor.

          Muitas pessoas têm até medo de pronunciar a palavra câncer, como se isso pudesse contaminá-las com a doença.

          Quando se observam as histórias de vida que estão ocultas por trás dessa doença, constata-se que esse acontecimento não se deu de forma assim tão repentina e sem prévios sinais de alarme. Justamente a falta de qualquer reação e qualquer sintoma é um sinal de “normopatia”.

          RüdigerDahlke, médico psicossomático, descreve um perfil do afetado pelo câncer, como uma pessoa que dá ênfase nas grandes responsabilidades, e que cumpre com seus deveres sem se queixar. “Responsabilidade, ao contrário, significa a capacidade de dar uma resposta às necessidades da vida. Mas os pacientes potenciais de câncer não possuem essa capacidade. Como eles não podem impor limites e mal podem dizer não, eles facilmente se deixam sobrecarregar com obrigações. Por outro lado, eles as assumem de bom grado, para dar um sentido externo a suas vidas – na falta de um sentido interno.”

          Por ocasião do acontecimento cancerígeno, não é raro encontrar depressões ocultas atrás do êxito externo.

          Rüdiger descreve como típica personalidade cancerígena a pessoa que é valente e não agressiva, quieta e paciente, que atua de maneira equilibrada e tão simpática porque não é egoísta, além disso é desinteressada e solícita, pontual e metódica e se ajusta perfeitamente à imagem ideal do homem moderno.

          Quando a consciência se fecha para temas irritantes, o corpo precisa se abrir substitutivamente para os irritantes correspondentes, deixando a defesa imunológica cada vez mais fraca. Quem se fecha demais na consciência, sendo portanto demasiado avesso aos conflitos, força a abertura para as sombras, e ela então emerge no corpo sob a forma de suscetibilidade aos agentes patológicos.

          A experiência de vida cotidiana confirma este princípio. Uma pessoa que enfrenta a vida abertamente(= vital) dispõe de uma defesa corporal saudável, sendo portanto menos propensa a infecções. Uma pessoa estreita, medrosa, “pegará” mais agentes patológicos e cultivará os resfriados correspondentes mais freqüente devido  a seu mal equipamento de defesa. Ao contrário, uma pessoa entusiasmada, que se inflama com um tema, praticamente não pode se resfriar.

          É necessário que o bloqueio e o fechamento sejam muito   profundos para que o colapso de defesa seja tão completo a ponto de permitir o surgimento de um tumor.  Isso aflora quando uma pessoa não se abre mais para um aspecto essencial de sua vida.

          A tarefa mais difícil do aprendizado do paciente de câncer é sair da normopatia, sair da sua comodidade, deixar de fazer o que todos fazem, de ter uma harmonia aparente. O normopata acha que a aparência é mais importante que o ser.

          A primeiríssima coisa que ela deve fazer para sua cura é começar a se mover, a crescer, a se transformar e a se desenvolver. Aprender a dizer não, detectar e viver seus desejos egoístas, experimentar rebelar-se contra regras rígidas, escapar de estruturas demasiado estreitas, chegar bem próximo dos outros, pular fronteiras, ignorar limitações, viver todas as coisas.

          Depois que tiver aprendido a se impor, vem o aprendizado de inserir-se na Unidade Maior.  O ser humano cresce fisicamente durante vinte anos; depois disso ele precisa continuar crescendo anímica e espiritualmente, ou então, o crescimento afunda na sombra.

          O câncer também é um amor que mergulhou nas sombras.

          É preciso encontrar a unidade, a imortalidade da alma em si mesmo que só podem ser abertas pelo amor.

          É observado que as pessoas que se curam, modificam seu comportamento e seu estilo de vida. Ficam mais solidários, otimistas e passam a valorizar as pequenas coisas da vida, do cotidiano, as pessoas com quem convive.

          O câncer como caminho é uma grande oportunidade de voltar a abrir-se para o fluxo da vida.

          As pessoas curadas reconhecem que estão no lugar certo e que são um com tudo. Não mais assumirão seu lugar com resignação e por falta de alternativas, mas assumirão conscientemente e reconhecerão sua unidade com todo o corpo.

 ” Conhece a ti mesmo, para que possas conhecer a Deus.”

Sugestão para leitura: A doença como linguagem da alma

Rüdiger Dahlke – Ed. Cultrix


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O que fazer quando um parente não responde por seus atos – por Daniel de Barros

Daniel Barros_Maturidade          Todo cidadão tem direitos e deveres na nossa sociedade, diz logo de cara o código civil brasileiro. Existem muitas coisas que nos obrigam a fazer para um convívio saudável com nossos vizinhos, mas ao mesmo tempo temos a liberdade de realizar uma porção de coisas da forma como bem entendermos: vender, comprar, casar, separar, adotar filhos e por aí afora.

          Mas existem pessoas que, por conta de problemas afetando sua capacidade racional, já não conseguem gerenciar adequadamente suas próprias vidas – não administram suas finanças, negligenciam sua saúde e em casos graves nem mesmo cuidam da higiene pessoal. A lei sabe disso, e tais pessoas, ao contrário da maioria de nós, não podem exercer pessoalmente seus direitos, nem respondem diretamente por seus deveres – para isso existe a figura do curador, uma pessoa que fica responsável perante e justiça por essa pessoa.

          Muitas vezes as pessoas percebem quando um familiar não está mais em seu estado normal. Seja por conta de uma demência num idoso, ou por causa do uso incontrolável de drogas no mais jovem, e até mesmo pelo vício do jogo em pais e mães de família, essas pessoas podem passar por um processo chamado de interdição.

          Para tanto, um advogado precisa levar ao juiz uma petição, na qual ele explica porque a família acha que algum dos membros não mais responde por seus atos. Nesse documento podem já ser anexados atestados médicos ou receitas de remédio, por exemplo. Se nunca foi feito tratamento, a família pode contratar um psiquiatra para elaborar um parecer explicando a situação ao juiz. Este, diante de alegação tão grave, pede uma audiência para conhecer pessoalmente quem está sob tal processo, e se não tem certeza se o sujeito está ou não plenamente lúcido, pede uma perícia médica.

          A perícia é nada mais do que um exame, feito por um psiquiatra de confiança do juiz, que irá produzir um laudo explicando o que viu, o que concluiu e recomendando ou não a interdição. Esta pode ser total ou parcial, quando a pessoa perde apenas alguns direitos, dependendo de seu quadro clínico; além disso, pode ser definitiva ou temporá- ria, se houver tratamento eficaz para a doença em questão. As famílias podem nesse momento também contratar um psiquiatra para acompanhar os trabalhos do perito e posteriormente examinar e criticar o laudo oficial, quando necessário. Esse psiquiatra de confiança da família é chamado de assistente técnico, e muitas vezes é uma figura importante para a tranquilidade dos envolvidos.

          Esse é sempre um processo desgastante, pois ninguém quer perder a própria autonomia. Mas quando bem conduzido, é algo que só vem a proteger a pessoa, pois sua autonomia já fora roubada antes por uma doença, sem chance de defesa.

Daniel_Perfil_Maturidade

         

          Artigo escrito por Daniel Martins de Barros

          Psiquiatra do Hospital das Clínicas (IPq-HC), Instituto Bem Estar

          e colunista da seção “Psiquiatria e Sociedade” do Estadão


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Cuidando da pessoa com Alzheimer – Aprenda!

“Se você aproveitar o tempo a fim de melhorar-se, o tempo aproveitará você para realizar maravilhas.”

André Luis

Voluntariado_Maturidade          O trabalho voluntário é uma doação pessoal de seus talentos, habilidades, ou outros tipos de serviços que se fazem em prol de pessoas que naquele momento necessitam de ajuda, ou para Ongs, instituições filantrópicas.

          É seguir um chamado interno para servir e fazer-se útil para o universo. É uma colaboração onde predominam o amor, a solidariedade, a compaixão.

          Ao servir, com simplicidade e humildade, acabamos percebendo que o voluntariado é uma troca de aprendizagens muito significativas, porque ao doar nosso tempo, nosso trabalho, recebemos muito mais do que estamos doando.

          Na maturidade, muitos de nós já se aposentaram, diminuiram o ritmo de suas atividades, e aí surge um tempinho que poderá ser bem empregado em um trabalho voluntário. Basta abrirmos bem os olhos e veremos, por vezes, pertinho de nós, pessoas que gostariam de ser “cuidadas” nesse momento da vida.

          “Cuidar é mais do que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”. ( Leonardo Boff)

          Caracteriza o voluntariado o comprometimento com o outro para que ele também tenha oportunidades de vencer, de ser feliz, de reorganizar-se, de aprender, de nos ensinar. É o nosso lado bom, humano, espiritual, atuando a favor do outro e vice-versa.

          Nesses dias, tomando um pouco de sol na pracinha do prédio onde moro, encontrei-me com amigos antigos. Alguns são cuidadores de seus parceiros. Refleti um pouco sobre tudo o que me foi dado nessa vida, minha escolha em peregrinar, e concluí que está na hora de caminhar novamente, de vivenciar troca de saberes, troca de afetos e ser solidária com a dor do outro. Com o coração aberto e tendo inúmeras idéias, organizei o Projeto Acolhimento, porque será assim que pretendo desenvolvê-lo, com muito acolhimento, para com as pessoas que dele participarão.

         Apresento-lhes, então, este projeto, para que ele desde já ganhe forças e vida.

PROJETO ACOLHIMENTO

Projeto_acolhimento_Maturidade

Esse projeto visa auxiliar os cuidadores (esposas, filhos, etc..) de pessoas com Mal de Alzheimer ou de pessoas que exijam cuidados especiais, dando-lhes apoio emocional, psicológico, além de levar conhecimentos sobre estimulações para retardar a perda da memória e garantir uma comunicação amorosa com o ente querido.

          É um trabalho voluntário, voltado para os moradores do Condomínio Residencial da Vila Yara, em Osasco e qualquer outra pessoa interessada. A 1ª reunião será realizada no dia 08/08/2013 , quinta-feira, das 14h às 15h, no Salão de Festas do condomínio.

          Para maiores esclarecimentos ou agendar sua participação gratuita, é só entrar em contato:

Mariúza Pelloso Lima

Gerontóloga, Terapeuta Antroposófica e Transpessoal

tel: (011)99603-7651

email: portaldamaturidade@gmail.com

Sejam bem-vindos! Vamos exercitar nosso amor e solidariedade!!!


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João, meu Pai – por Risomar Fasanaro

Alzheimer_Maturidade_Externo          Um pai cuidadoso comigo, que fazia questão de ir me buscar no ponto do ônibus a um quilômetro de distância, quando eu voltava da faculdade, já próximo da meia-noite. Muitas vezes não havia assistido a nenhuma aula, só participado da agitação política, em 68, na rua Maria Antônia, São Paulo.

          Alguns anos depois era ele que fazia questão de abrir o portão da garagem, para eu sair com o carro, por mais que eu insistisse para não fazer aquilo.

          Homem de pouco estudo, lia o jornal de ponta a ponta diariamente. Adorava meus amigos e, podendo, fazia sempre parte da roda.

          Em julho de 1995 quatro anos depois de sofrer um AVC, minha mãe faleceu; e um mês depois, no dia 7 de setembro, ele acordou me dizendo que estava pescando com um amigo. Onde papai? Ali… no riozinho atrás da casa. Mas papai, rio no asfalto? É…pesquei muitos peixes. Eu e meu amigo…

          Um frio percorreu meu corpo. Naquele instante percebi que aquele novo amigo que com ele conviveria durante quatro anos não era uma boa companhia. Mas que fazer?

          Quando crianças e começamos a andar em má companhia, os pais têm poder para nos afastar deles, mas quando já adultos, e os vemos mal acompanhados, nada podemos fazer. Só nos resta a resignação. E eu sabia: era um amigo que há tempos rondava nossa casa, e com ele tentava fazer amizade. E meu pai se envolveu tão fortemente com aquele amigo, que se esqueceu de nós, de nossa casa, de mim.

          Muito conhecido na cidade, um dia voltou para casa trazido por um camburão da polícia. Seu pai não queria voltar, o policial me disse. Disse que morava em Natal. Mas um dos nossos o conhece… Ele havia feito vários exames, e no dia seguinte levei-o ao médico para mostrá-los.

          O médico atendia outros clientes que também eram amigos daquele estranho senhor. E foi ali que vim a saber seu nome: Sr. Alzheimer. Ele, dizia o médico, é do mal. E era o responsável por meu pai ter se afastado de todos nós. E eu, àquela altura já sabia: nada poderia fazer para romper aquela amizade.

          Penso que ele se aproximou daquele amigo por não suportar a saudade de minha mãe. Aquela nova amizade era tão forte, que ele esqueceu minha mãe para sempre. Nunca mais falou nela.

          Em vez de lutar contra aquele senhor que não saía de perto de meu pai, resolvi aliar-me a ele. Morávamos em uma casa imensa, muito antiga, com portas e janelas enormes.

          E foi ali que ele e Alzheimer encontraram uma porta que lhes possibilitava viajar através do tempo. Achei aquilo tão fascinante, que resolvi viajar com eles. Freqüentemente íamos à Revolução Constitucionalista de 32. Frequentemente meu pai me convidava a ir com eles. Dizia: “feche, feche as janelas, menina, feche e se atire no chão, que o inimigo está chegando”. Na mesma hora eu fechava as grandes janelas da sala e me atirava ao solo. “Fique quieta, não fale, que eles podem perceber nossa presença”. E eu ficava ali: cinco, dez, quinze minutos, no escuro, esperando o inimigo ir embora.

          Em 1932, um dos seus irmãos, Chico, viera de Natal para lutar ao lado de Getúlio, enquanto meu pai lutava por São Paulo. Por isso sua preocupação era não ferir o irmão em algum combate. Quando íamos os três para a Revolução, ele repetia sempre: “cuidado, cuidado que Chico pode estar nesse pelotão, veja bem antes de atirar…”

          Às vezes algum amigo ligava e perguntava: “por que liguei tanto e você não atendeu? Ou: “por que você demorou tanto a atender?” e eu precisava explicar: “eu estava lutando na Revolução de 32…” O que sempre provocava risos do outro lado da linha.

         Outras vezes era para o Cabo de Santo Agostinho, litoral de Pernambuco, em 1945 que viajávamos. E ele me ordenava: “apague as luzes, os alemães podem nos ver aqui…” E ficávamos os três: ele Alzeheimer e eu no escuro, em silêncio, até que ele se convencesse de que o inimigo fora embora e me desse ordem de voltar a 1998.

          Uma ocasião chegou um grupo de amigos meus, e meu pai, muito preocupado, me chamou e cochichou em meu ouvido: “esse pessoal não disse a senha…” Tentei tranqüilizá-lo: “papai, são meus amigos, não se preocupe…” E ele muito apreensivo: “então peça e anote o RG de cada um. Não diga a eles que meu nome é João. Não se pode confiar em ninguém, aqui…”

          De repente me chamou e disse: “peça a eles que falem mais baixo…” E perguntei: Por que, papai? E ele, com aqueles olhos verdes que tinham perdido completamente o brilho, desde a morte de minha mãe, me olhou tristemente e respondeu: “eu estou aqui camuflado…”

          Um filho pode aprender muito com um pai, mas sem dúvida alguma, aquelas últimas lições que dele recebi sobre a fragilidade da vida, da lucidez, sobre a importância de agarrar cada segundo que temos como se fosse o último, de valorizar cada gesto delicado que nos vem de uma pessoa querida, talvez tenham sido as mais valiosas de toda minha vida, pois não aprendi em nenhum livro, aprendi com aquele homem simples, que tendo sido militar, era tão terno quanto pode ser um jardineiro, ou um Poeta. Tão terno, tão doce quanto deve ser um pai. Um verdadeiro Pai.

Risomar Fasanaro – professora de lingua e literatura brasileira e portuguesa