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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Câncer e o sentido da vida!

Cancer Maturidade          Quando o paciente recebe o diagnóstico que está com câncer , imediatamente  associa com a morte eminente. É a doença que nos infunde maior temor.

          Muitas pessoas têm até medo de pronunciar a palavra câncer, como se isso pudesse contaminá-las com a doença.

          Quando se observam as histórias de vida que estão ocultas por trás dessa doença, constata-se que esse acontecimento não se deu de forma assim tão repentina e sem prévios sinais de alarme. Justamente a falta de qualquer reação e qualquer sintoma é um sinal de “normopatia”.

          RüdigerDahlke, médico psicossomático, descreve um perfil do afetado pelo câncer, como uma pessoa que dá ênfase nas grandes responsabilidades, e que cumpre com seus deveres sem se queixar. “Responsabilidade, ao contrário, significa a capacidade de dar uma resposta às necessidades da vida. Mas os pacientes potenciais de câncer não possuem essa capacidade. Como eles não podem impor limites e mal podem dizer não, eles facilmente se deixam sobrecarregar com obrigações. Por outro lado, eles as assumem de bom grado, para dar um sentido externo a suas vidas – na falta de um sentido interno.”

          Por ocasião do acontecimento cancerígeno, não é raro encontrar depressões ocultas atrás do êxito externo.

          Rüdiger descreve como típica personalidade cancerígena a pessoa que é valente e não agressiva, quieta e paciente, que atua de maneira equilibrada e tão simpática porque não é egoísta, além disso é desinteressada e solícita, pontual e metódica e se ajusta perfeitamente à imagem ideal do homem moderno.

          Quando a consciência se fecha para temas irritantes, o corpo precisa se abrir substitutivamente para os irritantes correspondentes, deixando a defesa imunológica cada vez mais fraca. Quem se fecha demais na consciência, sendo portanto demasiado avesso aos conflitos, força a abertura para as sombras, e ela então emerge no corpo sob a forma de suscetibilidade aos agentes patológicos.

          A experiência de vida cotidiana confirma este princípio. Uma pessoa que enfrenta a vida abertamente(= vital) dispõe de uma defesa corporal saudável, sendo portanto menos propensa a infecções. Uma pessoa estreita, medrosa, “pegará” mais agentes patológicos e cultivará os resfriados correspondentes mais freqüente devido  a seu mal equipamento de defesa. Ao contrário, uma pessoa entusiasmada, que se inflama com um tema, praticamente não pode se resfriar.

          É necessário que o bloqueio e o fechamento sejam muito   profundos para que o colapso de defesa seja tão completo a ponto de permitir o surgimento de um tumor.  Isso aflora quando uma pessoa não se abre mais para um aspecto essencial de sua vida.

          A tarefa mais difícil do aprendizado do paciente de câncer é sair da normopatia, sair da sua comodidade, deixar de fazer o que todos fazem, de ter uma harmonia aparente. O normopata acha que a aparência é mais importante que o ser.

          A primeiríssima coisa que ela deve fazer para sua cura é começar a se mover, a crescer, a se transformar e a se desenvolver. Aprender a dizer não, detectar e viver seus desejos egoístas, experimentar rebelar-se contra regras rígidas, escapar de estruturas demasiado estreitas, chegar bem próximo dos outros, pular fronteiras, ignorar limitações, viver todas as coisas.

          Depois que tiver aprendido a se impor, vem o aprendizado de inserir-se na Unidade Maior.  O ser humano cresce fisicamente durante vinte anos; depois disso ele precisa continuar crescendo anímica e espiritualmente, ou então, o crescimento afunda na sombra.

          O câncer também é um amor que mergulhou nas sombras.

          É preciso encontrar a unidade, a imortalidade da alma em si mesmo que só podem ser abertas pelo amor.

          É observado que as pessoas que se curam, modificam seu comportamento e seu estilo de vida. Ficam mais solidários, otimistas e passam a valorizar as pequenas coisas da vida, do cotidiano, as pessoas com quem convive.

          O câncer como caminho é uma grande oportunidade de voltar a abrir-se para o fluxo da vida.

          As pessoas curadas reconhecem que estão no lugar certo e que são um com tudo. Não mais assumirão seu lugar com resignação e por falta de alternativas, mas assumirão conscientemente e reconhecerão sua unidade com todo o corpo.

 ” Conhece a ti mesmo, para que possas conhecer a Deus.”

Sugestão para leitura: A doença como linguagem da alma

Rüdiger Dahlke – Ed. Cultrix


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Psicossomática – Sabe o que é?

Maturidade_Catrin_Stein          “Em todo adulto espreita uma criança – uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa.”

(C. G. Jung)

          O termo psicossomática vem do grego psiche=alma e soma=corpo.

          Hipócrates, pai da medicina, já afirmava que o estado de saúde era evidência de que o indivíduo tinha atingido um estado de harmonia, entre suas instâncias internas, bem como desses com o meio ambiente.

          A abordagem psicossomática deveria estar presente em todas as especialidades da saúde, pois ela é uma integração de saberes. É uma postura que possibilita compreender o ser humano através de uma visão mais ampla , ou seja, na sua totalidade.

          Propiciar um acolhimento e saber ouvir o universo psíquico de uma pessoa, é percebê-la além do seu corpo, pois o sintoma físico, seja ele qual for, é um “grito” de socorro, e a forma inconsciente que a pessoa lança mão para exteriorizar seu sofrimento é através da linguagem dos órgãos.

          A dificuldade da pessoa em expressar suas emoções com palavras obrigará que a mesma fale com o próprio corpo, pois a doença em si funciona como “Válvula de Escape” dos conflitos internos.

          O tipo de doença tem muito a ver com a situação do momento que a pessoa está atravessando, como fatores emocionais ligados a perdas de entes queridos, desemprego, separações, insatisfação profissional, problemas econômicos e financeiros, seqüestros, acidentes, problemas familiares, envelhecimento, etc.

          Pode-se observar que há grandes possibilidades de doenças se manifestarem frente a situações consideradas estressantes na vida da pessoa, e dentre elas, temos: depressão, ansiedade, hipertensão, cefaléias, doenças cardiovasculares, doenças endócrinas, doenças respiratórias, problemas sexuais, problemas estomacais, distúrbios do sono, câncer, etc.

          Cabe aqui ressaltar, que as pessoas adoecem diferentemente umas das outras. Há pessoas que já nascem com determinada doença; outras apresentam predisposição, que são nossos pontos fracos, ou seja, órgãos mais vulneráveis a adoecer. Deve-se também levar em conta o valor simbólico do órgão afetado e sua relação os conflitos internos da pessoa em questão, podendo dessa maneira a doença acontecer ou não no decorrer da vida, pois o adoecer tem muito a ver com a falta de amor por si mesmo, ausência de auto-estima, a necessidade de reconhecimento do mundo exterior, insatisfações na vida , e principalmente, levar em conta a inabilidade da pessoa em exteriorizar suas emoções, como interpreta esse momento e sua maneira de lidar com os eventos estressantes da vida.

          É imprescindível aprender a lidar com situações pesarosas para o amadurecimento emocional e psíquico. E sem dúvida, a experiência do sofrimento compartilhado diminui as tensões geradas pela angústia e ansiedade, podendo assim beneficiar à saúde.

          Um ponto importante a ser mencionado , são as razões que levam uma pessoa a adoecer, porque o adoecer tem suas vantagens, uma vez que ele obedece uma necessidade inconsciente, pois a pessoa tem “fome” de carinho, atenção, cuidados, amor e nesse processo doentio, ela regride, como se voltasse a ser criança, recebendo toda atenção que necessita da família, amigos e cuidados dos profissionais da saúde, preenchendo assim suas carências.

          Outra vantagem do adoecer, é o fato da pessoa ficar isenta de pressões externas, de responsabilidades em geral, cobranças, críticas, porque ninguém cobrará atitudes de um enfermo, não é ?

          E o adoecer, pode também, ser uma possibilidade da transformação na sua vida, se a pessoa conseguir ampliar seu autoconhecimento, perceber que é responsável pelas suas escolhas e buscar sua felicidade, sem chantagear aqueles que a rodeiam e a amam.

Mércia Angélica Barroso

Psicóloga Yunguiana

Conselheira Fiscal Titular da Assoc. Bras. Medicina Psicossomática