Portal da Maturidade

Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


Deixe um comentário

Domingo de Ramos e o Dia do Antigo Sol

Domingo_Ramos_Maturidade_2          Dia do Antigo Sol – Centro, Eu, Humanização

          “Entrada de Jesus Cristo na cidade santa de Jerusalém, montado em um burrinho branco. O povo da cidade o saúda com ramos de palmeiras.

          Cristo atravessa em silêncio a vibração popular, pois sabe que aquele entusiasmo logo passará.

          Para Cristo, essa era a transição da antiga exaltação visionária inconsciente, desencadeada pelos elementos externos da natureza, para a atitude receptiva, fruto da presença do espírito, do Sol interior na alma individual e vigorosa.”

          No primeiro dia da Semana Santa, Jesus Cristo entra na cidade de Jerusalém, montado em um burrinho branco. Com brados de “Hosana”, o povo o saúda com ramos de palmeiras.

          A força luminosa que emana do Cristo reascende no povo a antiga clarividência, vivenciada nos rituais das festividades em homenagem ao sol. A palmeira sempre fora considerada o símbolo do sol natural.

          O Cristo atravessa em silêncio a vibração popular sem se contagiar. Interiormente sabe que aquele entusiasmo, logo passará. Não tem consistência interna. É o entusiasmo natural que logo se transfere para outra novidade, para outro acontecimento externo. Cristo sabe o que ele próprio representa e a que veio. Ele quer penetrar na camada mais consciente da alma humana. O seu brilho é o brilho próprio que emana da essência de seu ser espiritual.

          O seu estado de alma é autoconsciente e acolhedor. Permanecerá. Entrar em Jerusalém, montado no burrinho tinha para o Cristo o sentido de deixar clara a transição: da antiga exaltação visionária, semi-consciente, desencadeada por elementos externos, para a atitude equilibrada, fruto da presença de espírito, do Sol interior na alma individualizada.

Texto: Edna Andrade


Deixe um comentário

Será utopia uma cultura de não-violência?

Chave_Maturidade          Estamos vivenciando, nesses tempos, uma cultura extremamente violenta, separatista e segregacionista, onde as pessoas são meros instrumentos para uma minoria enriquecer, manter e ampliar seus poderes sobre a humanidade.

          Como modificar esse paradigma de guerra e de exploração?

          Dependendo das nossas reações, geramos mais violências, independente de que o objetivo final seja louvável! Estaremos reforçando atitudes mantenedoras desse sistema sócio-político-econômico.

          Podemos pensar diferente, desejar a Paz, mas escolhemos alternativas idênticas ou piores do as que estão vigentes no momento e na maioria das vezes não percebemos isso.

          Guerras, vandalismos, exploração de crianças e de empregados, extermínio dos recursos naturais que a natureza nos oferece, tudo isso faz parte desse grande paradigma econômico, onde as pessoas só têm valor quando são bem sucedidas financeiramente, independente dos meios utilizados para tal.

          Acredito, como muitas outras pessoas, que é possível criar uma cultura de Paz, formar uma Consciência dos Princípios de Não-Violência e praticá-los como uma poderosa forma de curar e transformar nossas vidas, e conseqüentemente, a humanidade.

          A grande mudança começa em cada um de nós, através de nossas escolhas diárias e ações centradas na não-violência. Através de novas formas de Educação e ações direcionadas para a Paz.

          A Paz no nosso interior gerará Paz ao nosso redor, Paz nos relacionamentos, Paz na família, Paz no trânsito, e assim vai se estendendo, formando uma teia de Paz.

          Vejamos a possibilidade de mudar o mundo com as mudanças nos comportamentos de cada um de nós e das nossas crenças, através da história do Centésimo macaco, que é uma fábula alegórica e baseia-se na “Teoria do Campo Mórfico”, do biólogo Rupert Sheldrake.

          A fábula diz que uma mudança no comportamento de uma espécie ocorre quando uma massa crítica – um número exato necessário – é alcançado. Quando isso acontece, o comportamento ou hábitos de toda a espécie alteram-se. Transcrevo abaixo a história:

O centésimo macaco

Há mais de 30 anos, cientistas estudavam colônias de macacos em ilhas isoladas nas costas do Japão. De maneira a observá-los e anotar registros, os cientistas atraiam os macacos para a praia oferecendo-lhes batata doce. Os macacos desciam das árvores para aproveitar a refeição gratuita e se colocavam numa posição de onde podiam ser facilmente observados. Um dia , uma macaca de 18 meses chamada de Imo, começou a lavar a sua batata no mar antes de comê-la. Imagino que isso melhorou o sabor por tirar os grãos de areia e pesticidas, ou então ficava mais saborosa por causa do sal. Imo mostrou a seus companheiros de brincadeiras e à sua mãe como lavar as batatas; seus amigos mostraram às suas mães e, gradualmente, mais e mais macacos começaram a lavar suas batatas ao invés de comerem como eram oferecidas. Inicialmente, apenas as fêmeas adultas que imitavam seus filhotes aprenderam, mas, gradualmente, outros aprenderam também.

Um dia, os cientistas observaram que todos os macacos daquela ilha estavam lavando suas batatas antes de comê-las. Embora isso seja significativo, o que foi mais fascinante é que essa mudança não ocorreu apenas naquela ilha. Subitamente, os macacos de todas as outras ilhas estavam lavando suas batatas – apesar das colônias de macacos das diferentes ilhas não terem nenhuma comunicação entre si.

          O “centésimo macaco” foi aquele anônimo a que se refere a hipótese, o fator decisivo para a espécie: aquele cuja mudança de comportamento significou que, a partir daquele momento, todos os macacos iriam lavar suas batatas antes de comê-las. Como uma alegoria, O Centésimo Macaco contém a promessa de que, quando um número crítico de pessoas mudar seu comportamento ou atitude, a cultura como um todo mudará.

          O que era inimaginável é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e aquilo torna-se o padrão de como agimos e do que somos como seres humanos.

          Você que está lendo esse artigo, pode ser o 37″°” , o 64° e assim por diante, até que surja o 100° macaco – e ninguém sabe o quão longe ou perto estamos dele até que subitamente estamos lá.

          Pois bem, para a cultura humana mudar do paradigma de guerra para o paradigma de PAZ – para haver um centésimo macaco – deve haver equivalentes humanos de Imo e seus amigos.

Dormiste por milhares e milhares de anos.

Não queres acordar esta manhã?

(Kabir)


Deixe um comentário

Semear e colher

Semear_Maturidade

“Tudo que você semeia, cedo ou tarde terá que colher… a vida é plantio. Escolha as sementes com sabedoria”.

Renata Fagundes

          Adoro ver os campos das lavouras arados, adubados, prontos para receberem as sementes. Algumas semanas depois, aparecem as mudas pequenas, verdinhas, e , em pouco tempo, elas se transformam, já produzindo belas espigas, frutas, flores…

          Para isso, houve necessidade de revolver a terra, adubá-la, molhá-la, sempre para que a colheita seja farta e boa. E assim, acontece o milagre em que a natureza tudo modifica para nos servir.

          Trazendo essa metáfora para nossa vida, vemos que nós também trilhamos um caminho semeando inúmeras sementes, e colhendo-as, e nem sempre as melhores – amor ou desamor, alegria ou tristeza, raiva ou tolerância, compreensão ou desarmonia. E a cada pensamento e ato, estamos projetando para a humanidade, principalmente para os que nos cercam, conforto ou desconforto, amor ou ódio, vontade de acolher e ajudar ou vontade de vingança e de abandono.

          Vemos isso acontecer aos montes, mas não precisa ser sempre uma única regra. Já viram uma linda flor nascer no meio de pedras? E os cactos, que apesar dos espinhos, e da aridez da terra, fornecem água aos andarilhos?

          A natureza é sábia! Ela é compassiva! Assim também alguns animais, que nos doam amor incondicional, doam também sua própria vida para nos alimentar.

          E nós, considerados seres racionais, com grande potencial para analisar, discernir, como agimos e reagimos?

          Reflitamos com calma, e percebamos, quais são nossas reações quando alguém nos faz alguma coisa que nos desagrada? Ou quando somos magoados por alguém ou o magoamos ? Esses sentimentos perduram por muito tempo, por toda sua vida? Ou esperamos passar um tempo, e com a cabeça mais fria, somos capazes de analisar a situação e termos uma solução mais saudável?

          Normalmente, temos um padrão de resposta. E dependendo desse padrão, não somos capazes de perdoar, de tentar compreender as pessoas, e acabamos nos ferindo, ficando com um “espinho encravado” no coração. Criamos um invólucro invisível a nossa volta, para nos proteger, inclusive do amor, que não nos permite doar, tampouco recebê-lo. Sabe, às vezes, nem temos consciência disso. Mas essa capa protetora age muito nas nossas decisões, esbarrando nas escolhas das sementes que poderíamos jogar nas estradas da nossa vida.

          Quando jovens, somos mais impetuosos, queremos ter razão, na maioria das vezes. Na maturidade, porém, mesmo continuando a semear, estamos colhendo os frutos da nossa jornada. Isso se reflete nos cuidados dos nossos filhos para conosco, na sua atenção em nos ensinar, porque o mundo mudou aceleradamente; portanto, temos de saber conviver com as mudanças. A maneira de como fizemos nossa trajetória reflete também no tratamento que recebemos dos amigos, e principalmente, na nossa capacidade de ampliar nosso olhar, compreendendo mais as pessoas, sendo mais tolerantes e desenvolvendo muito a compaixão.

          Isso também não é regra. Se chegarmos à maturidade cheios de ódio, de culpas, esses sentimentos só nos farão mal, trazendo doenças e solidão, provavelmente. É hora de vivenciarmos o auto-perdão e perdoar os outros; aprender a nos amar, amar as pessoas e ser amada. A vida é curta .

          Não só na maturidade, mas quanto antes aprendermos o significado do perdão, a nos despojar de sementes infrutíferas e emboloradas, nossa vida mudará de cor, de sabor e se encherá de amor. Não somos deuses para julgar ninguém.

          Vamos tentar escolher boas sementes para semearmos em nossas vidas?

          A única pessoa responsável pela nossa colheita somos nós mesmos! Não joguemos a culpa em ninguém!

          A terra já está arada….