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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Semear e colher

Semear_Maturidade

“Tudo que você semeia, cedo ou tarde terá que colher… a vida é plantio. Escolha as sementes com sabedoria”.

Renata Fagundes

          Adoro ver os campos das lavouras arados, adubados, prontos para receberem as sementes. Algumas semanas depois, aparecem as mudas pequenas, verdinhas, e , em pouco tempo, elas se transformam, já produzindo belas espigas, frutas, flores…

          Para isso, houve necessidade de revolver a terra, adubá-la, molhá-la, sempre para que a colheita seja farta e boa. E assim, acontece o milagre em que a natureza tudo modifica para nos servir.

          Trazendo essa metáfora para nossa vida, vemos que nós também trilhamos um caminho semeando inúmeras sementes, e colhendo-as, e nem sempre as melhores – amor ou desamor, alegria ou tristeza, raiva ou tolerância, compreensão ou desarmonia. E a cada pensamento e ato, estamos projetando para a humanidade, principalmente para os que nos cercam, conforto ou desconforto, amor ou ódio, vontade de acolher e ajudar ou vontade de vingança e de abandono.

          Vemos isso acontecer aos montes, mas não precisa ser sempre uma única regra. Já viram uma linda flor nascer no meio de pedras? E os cactos, que apesar dos espinhos, e da aridez da terra, fornecem água aos andarilhos?

          A natureza é sábia! Ela é compassiva! Assim também alguns animais, que nos doam amor incondicional, doam também sua própria vida para nos alimentar.

          E nós, considerados seres racionais, com grande potencial para analisar, discernir, como agimos e reagimos?

          Reflitamos com calma, e percebamos, quais são nossas reações quando alguém nos faz alguma coisa que nos desagrada? Ou quando somos magoados por alguém ou o magoamos ? Esses sentimentos perduram por muito tempo, por toda sua vida? Ou esperamos passar um tempo, e com a cabeça mais fria, somos capazes de analisar a situação e termos uma solução mais saudável?

          Normalmente, temos um padrão de resposta. E dependendo desse padrão, não somos capazes de perdoar, de tentar compreender as pessoas, e acabamos nos ferindo, ficando com um “espinho encravado” no coração. Criamos um invólucro invisível a nossa volta, para nos proteger, inclusive do amor, que não nos permite doar, tampouco recebê-lo. Sabe, às vezes, nem temos consciência disso. Mas essa capa protetora age muito nas nossas decisões, esbarrando nas escolhas das sementes que poderíamos jogar nas estradas da nossa vida.

          Quando jovens, somos mais impetuosos, queremos ter razão, na maioria das vezes. Na maturidade, porém, mesmo continuando a semear, estamos colhendo os frutos da nossa jornada. Isso se reflete nos cuidados dos nossos filhos para conosco, na sua atenção em nos ensinar, porque o mundo mudou aceleradamente; portanto, temos de saber conviver com as mudanças. A maneira de como fizemos nossa trajetória reflete também no tratamento que recebemos dos amigos, e principalmente, na nossa capacidade de ampliar nosso olhar, compreendendo mais as pessoas, sendo mais tolerantes e desenvolvendo muito a compaixão.

          Isso também não é regra. Se chegarmos à maturidade cheios de ódio, de culpas, esses sentimentos só nos farão mal, trazendo doenças e solidão, provavelmente. É hora de vivenciarmos o auto-perdão e perdoar os outros; aprender a nos amar, amar as pessoas e ser amada. A vida é curta .

          Não só na maturidade, mas quanto antes aprendermos o significado do perdão, a nos despojar de sementes infrutíferas e emboloradas, nossa vida mudará de cor, de sabor e se encherá de amor. Não somos deuses para julgar ninguém.

          Vamos tentar escolher boas sementes para semearmos em nossas vidas?

          A única pessoa responsável pela nossa colheita somos nós mesmos! Não joguemos a culpa em ninguém!

          A terra já está arada….

 

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Aos nossos pais, nossa gratidão!

Dia_dos_pais_Maturidade1 Nossas emoções hoje se voltam para nossos pais. Acredito que por estarmos vivenciando a maturidade, muitos dos nossos pais já terão falecido ou estão velhinhos.

Que lembranças afloram?

Saudades de quando eles nos envolviam em seus abraços? Do seu olhar mais severo e ao mesmo tempo cuidador? Dos seus zelos ou descuidos por nós? Da sua presença ou ausência no nosso cotidiano?

Vamos recordar que há muitos anos, nosso pai foi criado em um sistema patriarcal, onde imperava a autoridade um tanto austera; que homem não costumava abraçar, beijar filhos, não podia chorar, porque “homem não chora”. Sua função era prover a casa e os filhos. O lado afetivo ficava em segundo plano.

Esse contexto histórico talvez ajude a compreender nossos pais, suas “falhas” que, às vezes, cobramos pela nossa memória.

Em especial, hoje, que se comemora o Dia dos Pais, vamos nos reverenciar a eles, como pessoas queridas e amadas e trazer nossa compreensão e quiçá nos perdoarmos por não tê-los entendido.

A coisa mais importante que eles fizeram para cada um de nós foi nos terem trazido ao mundo. Eles fizeram o que podiam, de acordo com seu nível de consciência, seus valores morais e éticos, sua educação.

Evoluímos através dos estudos, de novos paradigmas sobre paternidade, somos mães ou pais e nesse papel pudemos sentir e talvez mudar esses papéis sociais e culturais.

Acredito que estamos bem mais perto de nossos filhos, partilhando com eles alegrias, tristezas, preocupações, sonhos….

Ninguém passa pela nossa vida por acaso, e assim esse foi nosso pai escolhido para evoluirmos, seja na dor, na bem-aventurança, na pobreza, na alegria, na honestidade, nas injustiças.

Compreender, agradecer e perdoar são as palavras chaves das nossas orações hoje para nossos pais.

“Pai, eu te perdoo e agradeço,

Tu me perdoas e

Eu me perdoo”