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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Cérebros instruídos são cérebros mais fortes…. e duram mais!

cerebro_maturidade          Por que as mulheres com nível universitário vivem vários anos a mais e mantém melhor suas habilidades mentais e físicas após os 75 anos em comparação com as que não cursaram a faculdade?

          Por que a doença de Alzheimer tem mais probabilidade de atingir as mulheres com menor grau de instrução?

          É verdade que quanto maior nosso grau de instrução, menor a probabilidade de experimentarmos deterioração mental e demência à medida que envelhecemos.

          Isso parece estranho,ou pode parecer que melhores condições socio-econômicas ou a eliminação da pobreza e da desnutrição trazem favores especiais ao cérebro? Na verdade, o fato de as células cerebrais surgirem relativamente incólume na meia-idade ou na velhice depende muito mais dos nossos esforços mentais do que poderíamos imaginar.

          A idéia é que, exercitando intelectualmente o cérebro, desde a infância, estimulamos as células do cérebro a explodir com novos ramos, criando milhões de novas conexões, ou sinapses, entre os neurônios. Isso significa que o estímulo mental contínuo na verdade gera mais tecido cerebral, proporcionando-nos uma memória melhor, o que nos permite pensar mais rapidamente. Significa também que construímos um excedente maior de células cerebrais ao qual podemos recorrer caso o cérebro tenha problemas com um derrame, lesão ou doença degenerativa cerebral.

          Os especialistas gostam de lançar mão de uma analogia: o cérebro é como um músculo – se o usarmos, ele cresce e se expande; se não o utilizarmos, ele se atrofia. Assim, a educação torna o cérebro mais resistente à deterioração e à doença, pois para conquistar seus diplomas, as pessoas tendem a exercitar mais o cérebro, construindo um cérebro mais ativo, resistente e complexo.

 

“O Aprendizado ativa genes nas células nervosas que, por sua vez, estimulam o crescimento de dendritos e sinapses.” – William T. Greenough.

 

          Durante quatro anos, o neurologista John Stirling Meyer e colegas do Baylor College of Medicine em Houston estudaram 94 pessoas saudáveis com mais de 65 anos. Praticamente um terço dos participantes ainda trabalhava; outros 33% , embora aposentados, continuaram mental e fisicamente ativos; e os últimos 33% eram relativamente inativos. No início e no final do estudo, aplicaram-se aos participantes testes de QI padrão, além de outros testes neurológicos e psicológicos.. No início, todos tiveram escores normais no teste. Depois de quatro anos, o grupo de pessoas inativas teve um resultado pior nos testes de QI e em exames que mediram o fluxo sanguíneo até o cérebro. Os idosos que se exercitavam tiveram melhor desempenho nos testes de função cognitiva do que os que não se exercitavam.

 

“Basta correr alguns dias por semana para aumentar as proteínas do cérebro, e isso ajuda a proteger de lesões as células nervosas, células essas que sabidamente estão associadas à cognição. “- Carl Cotman.

 

          Por isso, as pessoas devem não só permanecer ativas como também buscar novos horizontes!

 


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Novos neurônios para cérebros velhos: Podemos mudar?

Cerebro_Maturidade          Desde 1987, o Dalai Lama abre sua casa em Dharamsala, no norte da Índia, uma vez por ano, para “diálogos” de uma semana com um grupo selecionado de cientistas , para discutir sonhos, emoções, consciência, genética ou física quântica.

          Em 2004, o assunto analisado foi neurogênese – termo científico para o nascimento de novos neurônios – e a pergunta era: Podemos mudar?

          Mencionaram-se na ocasião os resultados de inúmeras pesquisas realizadas por renomados cientistas, dentre eles, Tomas Bjork Eriksson, com pacientes entre 50-80 anos, e Fred Gage. A conclusão delas foi que o cérebro pode mudar sua estrutura física e suas conexões por muito tempo durante a vida adulta.

           Igualmente revolucionária foi a descoberta sobre como o cérebro muda.

          Nossas ações podem expandir ou contrair diferentes regiões do cérebro. Em resposta às ações e experiências de seu dono, o cérebro aumenta a atividade em algumas regiões devido a serem estimuladas, e diminui em outras, por desuso; forma conexões mais fortes ou enfraquece-as. A maior parte disso acontece em função do que fazemos e do que experimentamos do mundo externo – reflete a vida que levamos, o nosso estilo de vida.

          Mas também há indícios de que a modificação da mente pode acontecer sem qualquer interferência do mundo externo. Ou seja, o cérebro pode mudar de acordo com os pensamentos que nós temos. Essas novas descobertas indicam que mudanças no cérebro podem ser geradas por pura atividade mental: ter pensamentos de determinadas maneiras pode restaurar a saúde mental.

          Lá também abordou-se uma das pesquisas realizadas por Gage e sua equipe, que possibilitou mostrar como um ambiente estimulador, associado a atividades físicas, pode ajudar a produzir novas células no hipocampo. Eles injetaram a molécula que registra a neurogênese num grupo de camundongos e separaram os animais em dois grupos. Um foi colocado em gaiolas áridas, comuns. O outro, em gaiolas equipadas com roda giratória, e esses camundongos podiam usá-la quando quisessem. O grupo de camundongos adultos que teve acesso voluntário à roda giratória produziu duas vezes mais novas células nos hipocampos do que os camundongos sedentários. Assim, a conexão entre o exercício físico e o ambiente enriquecido se confirmou.

          Gage ampliou a experiência com os camundongos em experiências voluntárias e forçadas, e observou-se que o exercício forçado não promove a neurogênese. Correr e fazer outras atividades físicas voluntariamente aumenta a neurogênese e aumenta o aprendizado, mesmo em animais muito, muito velhos.

          Uma grande conclusão a que se chegou é que os efeitos das atividades físicas na neurogênese e no aprendizado dependem da livre escolha. Tem que ser um ato voluntário. Mas não acontece somente com a atividade física.

          Por esses estudos podemos constatar como nossas escolhas na maturidade podem auxiliar ou prejudicar na recuperação do nosso cérebro. Estilo de vida estimulante, pensamentos positivos, esperançosos, de fé; emoções equilibradas serão ferramentas para rejuvenescer o nosso cérebro.

          Temos que querer, desejar e buscar por nós mesmos essa mudança. Pelo que pudemos verificar nessas pesquisas, não adianta o médico recomendar, os filhos insistirem para que façamos algo de que não gostamos, principalmente atividades físicas, que não haverá o efeito da recuperação cerebral.

          Por que, então, não escolhermos alguma atividade que nos traga prazer e que provoque a plasticidade cerebral?

          Sair da zona de conforto nem sempre é agradável. A decisão será sempre nossa.

 

Sugestão de leitura: Treine a mente/ mude o cérebro

Sharon Begley

Prólogo do Dalai Lama

Prefácio de Daniel Goleman

pela primeira vez a neurociência vai ao encontro do budismo

Editora Fontanar