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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Projeto Cinevita – O mordomo da Casa Branca

Mordomo_Maturidade

 

 

 

Apreciação do Filme O mordomo da Casa Branca

Direção Lee Daniels

         

 

          O filme conta a história do mordomo Cecil Gaines (Forest Witaker) que por sete mandatos presidenciais serviu fielmente à Casa Branca, entre 1957 a 1986.

          Negro, desde pequeno aprendeu a ser obediente aos patrões brancos, sofrendo muitas injustiças e abusos morais.

          Ele se tornou uma testemunha ocular da história dos Estados  Unidos e das negociações de bastidor do Salão Oval, em momentos que o movimento de direitos civis desabrocha na sociedade americana.

          Sua dedicação ao trabalho, sempre subserviente, o afastou  de sua esposa e criou muitos conflitos com seu filho mais velho, opositor ao sistema, e também não aceitava a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros.

          Até que na velhice, o mordomo rompeu seu silêncio e manifestou publicamente com o filho, sua posição e crenças frente ao problema racial. E resgatou seu direito de ser cidadão americano e o respeito pelo filho.

          Reflexões: O mordomo acompanhou silenciosamente a evolução das leis que diziam respeito ao problema racial, participando passivamente dessa construção histórica, até que rompeu com tudo que o aprisionava para que ele se sentisse respeitado como cidadão. Deu um basta! Acreditou que era possível mudar, e lutou para isso.

          Assim como o velho mordomo, será que não estamos aceitando tudo passivamente, deixando passar oportunidades para mudarmos a realidade brasileira, nos quesitos morais, sociais, econômicos e éticos? Será que não é hora de  batalharmos por melhores condições para nossas vidas na maturidade e velhice?

          Pelas nossas escolhas e ações construímos nossa história. Enquanto categoria MATURIDADE, se não lutarmos por nós, quem o fará?


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Projeto Acolhimento – Bernarda e Lutero: O florescer do amor na velhice

Bernarda e Lutero          Bernarda e Lutero são personagens idosos da novela Amor à vida, da Rede Globo, e estão mostrando, através da mídia, a possibilidade de vivenciar plenamente o amor na velhice.

          Viúvos, amigos, foram construindo mansamente esse amor de homem e mulher, por meio de uma amizade que estavam vivenciando tranquilamente, através de encontros no parque, passeando com o cachorrinho, almoços juntos, visitas da Bernarda para dar um jeitinho feminino na casa de Lutero.

          A feminilidade e os cuidados especiais de Bernarda com Lutero aguçou o seu olhar diferenciado para ela, pois ele tinha uma vida solitária, apesar de estar trabalhando como médico no hospital, decepcionado com amigos e também por ser considerado “velho gagá” pelo administrador do hospital.

          Nas conversas entre o dois, apareciam as decepções com os familiares, com o trabalho, e juntos, havia felicidade, compreensão, até que se apaixonaram e se declararam um para o outro.

          À princípio, Bernarda teve receio e talvez vergonha desse amor por ser idosa, até que Lutero a convida para ir morar com ele. E Bernarda decide passar a noite na casa dele. Essa cena foi realizada com muita delicadeza, beijos ternos, carinhos, respeito.

          O sexo veio, decorrente de um amor que aos poucos foi sendo construído pelos dois. E trouxe vitalidade e alegria para ambos, que assumiram esse “namoro” perante todos, mesmo à revelia da família de Bernarda.

          O que essa análise tem a ver com o Projeto Acolhimento?

          Pois é, a sexualidade é natural e em qualquer fase da vida. Abrimos um debate para sentir como o grupo dos cuidadores via a questão.

          Foi muito interessante as discussões. Houve prós e contras para o sexo na velhice.

          Foi dito que essa cena estava estimulando os idosos a transarem, e que já chega a liberação sexual com os jovens, agora vem com os velhos?!

          Que os velhos já são muito feios, que é impossível ter vontade de beijar alguém assim.

          Que os velhos não tem mais tesão. Que isso não é para avó e avô. Tal como a reação de um neto na novela: “A vovó virou piriguete?!”

          A maioria dos participantes foi a favor de se manter a sexualidade até quando se tiver vontade e possibilidade entre o casal.

          Na discussão, pudemos ver os preconceitos que nós ainda temos na maturidade, não aceitando essa vivência sexual, ou nos envergonhando de sentir desejos sexuais e externá-los.

          Sexualidade não é só fazer sexo. É externar carinho, abraçar, beijar, tocar, ter prazer de ficar juntinhos se curtindo.

          Foi deveras interessante a TV criar uma Bernarda inteligente, capaz de assumir sua sexualidade e se posicionar perante a sua família e um Lutero romântico, aceitando esse desafio sexual, mesmo com a ajuda de um “comprimidinho”, como ele disse.

          A nossa sociedade prioriza o belo, a jovialidade, como se somente com esses atributos as pessoas podem ser felizes e sexualmente desejáveis.

          Bernarda e Lutero estão nos mostrando que a vida pode ser diferente. Quebra o estigma da velhice isolada, sufocada, para uma velhice ativa, participativa, com voz e capacidadae de tomar decisões, principalmente nesse assunto.

          E você, que está na maturidade, o que sentiu e pensou quando assistiu esse capítulo do romance de Bernarda e Lutero chegarem às vias de fato na cama?