Portal da Maturidade

Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


1 comentário

Idosos – Quando é aconselhável colocar em clínica ou pensionato?

Idoso_Maturidade          Já comentei em artigos anteriores, a importância da família acolher seu idoso. Acredito que ainda é a melhor solução. Mas, com os problemas da saúde se agravando, começa a ficar difícil o bom atendimento. Atender a pessoa idosa nas 24h é desgastante por demais, principalmente quando somente um ou dois familiares participam desse processo.

          Dificilmente há revezamento entre os membros da família para auxiliar. Cada um apresenta um impecilho, e com isso, há uma sobrecarga para os cuidadores – familiares.

          Uma medida saudável é colocar um cuidador especializado na casa. Ou dois, um para acompanhar durante o dia e outro à noite. Há pessoas que não gostam de ter estranhos em casa, porque muda-se a rotina do lar, perde-se a intimidade.

          Assim, os cuidadores-familiares assumem as tarefas com seu ente idoso querido, e esquecem muitas vezes de si mesmos, negligenciam seus compromissos pessoais e também profissionais.

          A maioria das pessoas trabalham fora, ou têm que dar conta das atividades domésticas, dos filhos, etc. Acolher um idoso que ainda tem autonomia para andar, tomar banho, não modifica muito o dia-a-dia da casa. Mas, quando o idoso requer atenção especial contínua, como horas certas para os medicamentos, dar banho, trocar as fraldas, alimentá-lo, levar para exames, médicos, o cansaço físico, emocional e o desgaste psicológico dos cuidadores-familiares começam a se manifestar e a paciência e tolerância diminuem sensivelmente.

           E os cuidadores-familiares se sentem culpados por não conseguirem dar conta das tarefas. E ao mesmo tempo, querem sua vida de volta, participar das atividades da família.

          Hoje, devido a longevidade humana, são pessoas de 60-70 anos cuidando de pais de 80-90 anos em diante.

          Nesse momento, aconselho procurar um local onde podemos instalar confortavelmente esse idoso querido.

          Procurar uma clínica ou pensionato, conforme as necessidades do idoso e os valores familiares. Há inúmeras clínicas, com atendimentos diferenciados. Escolha aquela que mais você acha que “seu idoso” irá ser bem atendido, e ficará bem.

          É fundamental preparar-se para essa tomada de decisão. Levar o idoso para uma clínica é uma coisa; deixá-lo lá, sem visitá-lo,  sem lhe dar um suporte afetivo, é outra coisa.

          À medida que o ente querido vai se adaptando na nova moradia, com as visitas freqüentes da família, tudo se acalma. E, vê-lo bem atendido, faz com que os familiares tenham mais tempo para usufruir da companhia desse idoso com mais prazer, mais afetividade.

          Temos de assimilar esses novos modelos de convivência, nos preparando para o dia de amanhã, sem medo, e com consciência de que hoje são eles , mas daqui uns anos, seremos nós a sermos cuidados.

          Sugestão de leitura: O lugar escuro – Uma história de senilidade e loucura – Heloísa Seixas – Objetiva, 2007.


1 comentário

Psicossomática – Sabe o que é?

Maturidade_Catrin_Stein          “Em todo adulto espreita uma criança – uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa.”

(C. G. Jung)

          O termo psicossomática vem do grego psiche=alma e soma=corpo.

          Hipócrates, pai da medicina, já afirmava que o estado de saúde era evidência de que o indivíduo tinha atingido um estado de harmonia, entre suas instâncias internas, bem como desses com o meio ambiente.

          A abordagem psicossomática deveria estar presente em todas as especialidades da saúde, pois ela é uma integração de saberes. É uma postura que possibilita compreender o ser humano através de uma visão mais ampla , ou seja, na sua totalidade.

          Propiciar um acolhimento e saber ouvir o universo psíquico de uma pessoa, é percebê-la além do seu corpo, pois o sintoma físico, seja ele qual for, é um “grito” de socorro, e a forma inconsciente que a pessoa lança mão para exteriorizar seu sofrimento é através da linguagem dos órgãos.

          A dificuldade da pessoa em expressar suas emoções com palavras obrigará que a mesma fale com o próprio corpo, pois a doença em si funciona como “Válvula de Escape” dos conflitos internos.

          O tipo de doença tem muito a ver com a situação do momento que a pessoa está atravessando, como fatores emocionais ligados a perdas de entes queridos, desemprego, separações, insatisfação profissional, problemas econômicos e financeiros, seqüestros, acidentes, problemas familiares, envelhecimento, etc.

          Pode-se observar que há grandes possibilidades de doenças se manifestarem frente a situações consideradas estressantes na vida da pessoa, e dentre elas, temos: depressão, ansiedade, hipertensão, cefaléias, doenças cardiovasculares, doenças endócrinas, doenças respiratórias, problemas sexuais, problemas estomacais, distúrbios do sono, câncer, etc.

          Cabe aqui ressaltar, que as pessoas adoecem diferentemente umas das outras. Há pessoas que já nascem com determinada doença; outras apresentam predisposição, que são nossos pontos fracos, ou seja, órgãos mais vulneráveis a adoecer. Deve-se também levar em conta o valor simbólico do órgão afetado e sua relação os conflitos internos da pessoa em questão, podendo dessa maneira a doença acontecer ou não no decorrer da vida, pois o adoecer tem muito a ver com a falta de amor por si mesmo, ausência de auto-estima, a necessidade de reconhecimento do mundo exterior, insatisfações na vida , e principalmente, levar em conta a inabilidade da pessoa em exteriorizar suas emoções, como interpreta esse momento e sua maneira de lidar com os eventos estressantes da vida.

          É imprescindível aprender a lidar com situações pesarosas para o amadurecimento emocional e psíquico. E sem dúvida, a experiência do sofrimento compartilhado diminui as tensões geradas pela angústia e ansiedade, podendo assim beneficiar à saúde.

          Um ponto importante a ser mencionado , são as razões que levam uma pessoa a adoecer, porque o adoecer tem suas vantagens, uma vez que ele obedece uma necessidade inconsciente, pois a pessoa tem “fome” de carinho, atenção, cuidados, amor e nesse processo doentio, ela regride, como se voltasse a ser criança, recebendo toda atenção que necessita da família, amigos e cuidados dos profissionais da saúde, preenchendo assim suas carências.

          Outra vantagem do adoecer, é o fato da pessoa ficar isenta de pressões externas, de responsabilidades em geral, cobranças, críticas, porque ninguém cobrará atitudes de um enfermo, não é ?

          E o adoecer, pode também, ser uma possibilidade da transformação na sua vida, se a pessoa conseguir ampliar seu autoconhecimento, perceber que é responsável pelas suas escolhas e buscar sua felicidade, sem chantagear aqueles que a rodeiam e a amam.

Mércia Angélica Barroso

Psicóloga Yunguiana

Conselheira Fiscal Titular da Assoc. Bras. Medicina Psicossomática

 

 


Deixe um comentário

Será utopia uma cultura de não-violência?

Chave_Maturidade          Estamos vivenciando, nesses tempos, uma cultura extremamente violenta, separatista e segregacionista, onde as pessoas são meros instrumentos para uma minoria enriquecer, manter e ampliar seus poderes sobre a humanidade.

          Como modificar esse paradigma de guerra e de exploração?

          Dependendo das nossas reações, geramos mais violências, independente de que o objetivo final seja louvável! Estaremos reforçando atitudes mantenedoras desse sistema sócio-político-econômico.

          Podemos pensar diferente, desejar a Paz, mas escolhemos alternativas idênticas ou piores do as que estão vigentes no momento e na maioria das vezes não percebemos isso.

          Guerras, vandalismos, exploração de crianças e de empregados, extermínio dos recursos naturais que a natureza nos oferece, tudo isso faz parte desse grande paradigma econômico, onde as pessoas só têm valor quando são bem sucedidas financeiramente, independente dos meios utilizados para tal.

          Acredito, como muitas outras pessoas, que é possível criar uma cultura de Paz, formar uma Consciência dos Princípios de Não-Violência e praticá-los como uma poderosa forma de curar e transformar nossas vidas, e conseqüentemente, a humanidade.

          A grande mudança começa em cada um de nós, através de nossas escolhas diárias e ações centradas na não-violência. Através de novas formas de Educação e ações direcionadas para a Paz.

          A Paz no nosso interior gerará Paz ao nosso redor, Paz nos relacionamentos, Paz na família, Paz no trânsito, e assim vai se estendendo, formando uma teia de Paz.

          Vejamos a possibilidade de mudar o mundo com as mudanças nos comportamentos de cada um de nós e das nossas crenças, através da história do Centésimo macaco, que é uma fábula alegórica e baseia-se na “Teoria do Campo Mórfico”, do biólogo Rupert Sheldrake.

          A fábula diz que uma mudança no comportamento de uma espécie ocorre quando uma massa crítica – um número exato necessário – é alcançado. Quando isso acontece, o comportamento ou hábitos de toda a espécie alteram-se. Transcrevo abaixo a história:

O centésimo macaco

Há mais de 30 anos, cientistas estudavam colônias de macacos em ilhas isoladas nas costas do Japão. De maneira a observá-los e anotar registros, os cientistas atraiam os macacos para a praia oferecendo-lhes batata doce. Os macacos desciam das árvores para aproveitar a refeição gratuita e se colocavam numa posição de onde podiam ser facilmente observados. Um dia , uma macaca de 18 meses chamada de Imo, começou a lavar a sua batata no mar antes de comê-la. Imagino que isso melhorou o sabor por tirar os grãos de areia e pesticidas, ou então ficava mais saborosa por causa do sal. Imo mostrou a seus companheiros de brincadeiras e à sua mãe como lavar as batatas; seus amigos mostraram às suas mães e, gradualmente, mais e mais macacos começaram a lavar suas batatas ao invés de comerem como eram oferecidas. Inicialmente, apenas as fêmeas adultas que imitavam seus filhotes aprenderam, mas, gradualmente, outros aprenderam também.

Um dia, os cientistas observaram que todos os macacos daquela ilha estavam lavando suas batatas antes de comê-las. Embora isso seja significativo, o que foi mais fascinante é que essa mudança não ocorreu apenas naquela ilha. Subitamente, os macacos de todas as outras ilhas estavam lavando suas batatas – apesar das colônias de macacos das diferentes ilhas não terem nenhuma comunicação entre si.

          O “centésimo macaco” foi aquele anônimo a que se refere a hipótese, o fator decisivo para a espécie: aquele cuja mudança de comportamento significou que, a partir daquele momento, todos os macacos iriam lavar suas batatas antes de comê-las. Como uma alegoria, O Centésimo Macaco contém a promessa de que, quando um número crítico de pessoas mudar seu comportamento ou atitude, a cultura como um todo mudará.

          O que era inimaginável é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e aquilo torna-se o padrão de como agimos e do que somos como seres humanos.

          Você que está lendo esse artigo, pode ser o 37″°” , o 64° e assim por diante, até que surja o 100° macaco – e ninguém sabe o quão longe ou perto estamos dele até que subitamente estamos lá.

          Pois bem, para a cultura humana mudar do paradigma de guerra para o paradigma de PAZ – para haver um centésimo macaco – deve haver equivalentes humanos de Imo e seus amigos.

Dormiste por milhares e milhares de anos.

Não queres acordar esta manhã?

(Kabir)


Deixe um comentário

Semear e colher

Semear_Maturidade

“Tudo que você semeia, cedo ou tarde terá que colher… a vida é plantio. Escolha as sementes com sabedoria”.

Renata Fagundes

          Adoro ver os campos das lavouras arados, adubados, prontos para receberem as sementes. Algumas semanas depois, aparecem as mudas pequenas, verdinhas, e , em pouco tempo, elas se transformam, já produzindo belas espigas, frutas, flores…

          Para isso, houve necessidade de revolver a terra, adubá-la, molhá-la, sempre para que a colheita seja farta e boa. E assim, acontece o milagre em que a natureza tudo modifica para nos servir.

          Trazendo essa metáfora para nossa vida, vemos que nós também trilhamos um caminho semeando inúmeras sementes, e colhendo-as, e nem sempre as melhores – amor ou desamor, alegria ou tristeza, raiva ou tolerância, compreensão ou desarmonia. E a cada pensamento e ato, estamos projetando para a humanidade, principalmente para os que nos cercam, conforto ou desconforto, amor ou ódio, vontade de acolher e ajudar ou vontade de vingança e de abandono.

          Vemos isso acontecer aos montes, mas não precisa ser sempre uma única regra. Já viram uma linda flor nascer no meio de pedras? E os cactos, que apesar dos espinhos, e da aridez da terra, fornecem água aos andarilhos?

          A natureza é sábia! Ela é compassiva! Assim também alguns animais, que nos doam amor incondicional, doam também sua própria vida para nos alimentar.

          E nós, considerados seres racionais, com grande potencial para analisar, discernir, como agimos e reagimos?

          Reflitamos com calma, e percebamos, quais são nossas reações quando alguém nos faz alguma coisa que nos desagrada? Ou quando somos magoados por alguém ou o magoamos ? Esses sentimentos perduram por muito tempo, por toda sua vida? Ou esperamos passar um tempo, e com a cabeça mais fria, somos capazes de analisar a situação e termos uma solução mais saudável?

          Normalmente, temos um padrão de resposta. E dependendo desse padrão, não somos capazes de perdoar, de tentar compreender as pessoas, e acabamos nos ferindo, ficando com um “espinho encravado” no coração. Criamos um invólucro invisível a nossa volta, para nos proteger, inclusive do amor, que não nos permite doar, tampouco recebê-lo. Sabe, às vezes, nem temos consciência disso. Mas essa capa protetora age muito nas nossas decisões, esbarrando nas escolhas das sementes que poderíamos jogar nas estradas da nossa vida.

          Quando jovens, somos mais impetuosos, queremos ter razão, na maioria das vezes. Na maturidade, porém, mesmo continuando a semear, estamos colhendo os frutos da nossa jornada. Isso se reflete nos cuidados dos nossos filhos para conosco, na sua atenção em nos ensinar, porque o mundo mudou aceleradamente; portanto, temos de saber conviver com as mudanças. A maneira de como fizemos nossa trajetória reflete também no tratamento que recebemos dos amigos, e principalmente, na nossa capacidade de ampliar nosso olhar, compreendendo mais as pessoas, sendo mais tolerantes e desenvolvendo muito a compaixão.

          Isso também não é regra. Se chegarmos à maturidade cheios de ódio, de culpas, esses sentimentos só nos farão mal, trazendo doenças e solidão, provavelmente. É hora de vivenciarmos o auto-perdão e perdoar os outros; aprender a nos amar, amar as pessoas e ser amada. A vida é curta .

          Não só na maturidade, mas quanto antes aprendermos o significado do perdão, a nos despojar de sementes infrutíferas e emboloradas, nossa vida mudará de cor, de sabor e se encherá de amor. Não somos deuses para julgar ninguém.

          Vamos tentar escolher boas sementes para semearmos em nossas vidas?

          A única pessoa responsável pela nossa colheita somos nós mesmos! Não joguemos a culpa em ninguém!

          A terra já está arada….