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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Projeto Cinevita – Para sempre Alice

Para_sempre_Alice_Maturidade          Julianne Moore, interpreta uma mulher de 50 anos, que se vê acometida pela doença de Alzheimer precocemente. Neurolinguista, com uma carreira brilhante, percebe que algo estranho está lhe acontecendo, pois começa a ter lapsos de memória nas aulas que ministra na universidade; e também, quando ela não consegue se lembrar aonde está correndo, se exercitando no campus da universidade. Procura um neurologista e após alguns exames recebe o diagnóstica de Alzheimer genético, muito raro.

          Usa seu celular como uma ferramenta para estimular seu cérebro, para evitar o declínio cognitivo rápido e ao mesmo tempo para se observar, verificar o desenrolar de sua doença, até que se esquece onde o colocou.

          Astutamente, planeja sua morte pelo notebook, dando a si mesma, orientações para serem executadas quando não mais tiver lucidez suficiente para compreendê-las.

          O que faz uma pessoa tão inteligente, programar sua morte, como nesse caso?

          Medo, pavor do que virá-a-ser? Receio de ficar totalmente dependente de outrem? Receio de atrapalhar a vida da família?

          Na trama do filme, podemos ver a Alice como vítima e como espectadora de si mesma, ambas impotentes frente a doença. Aos poucos, vemos a dissolução de quem era Alice e seu desaparecimento como pessoa atuante. Resta sua história.

          Muito merecido o Oscar pela interpretação de Julianne Moore.

          Lindo filme, pois nos mostra que a Vida é para ser vivida plenamente, pois não temos como controlar algo que já foi determinado geneticamente. Ainda não!

 


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Projeto Leituras – Livro AUSÊNCIA

Ausência_Maturidade

 

 

Apreciação do livro AUSÊNCIA

Autora: Flávia Cristina Simonelli

 

 

 

“O que é um homem sem memória?

Um homem que não se reconhece mais em nenhum tempo, nenhum lugar, nenhum rosto?”

          O romance entrelaça a vida do médico neuropsiquiatra Daniel com a da  família do paciente prof. Ervin de Apolinário, a esposa Margarida e a filha, Natasha.

          Mostra a relutância do Dr. Daniel em tratar do paciente pelo fato de reavivar em sua memória antigas dores – perda da avó que amava muito, com a mesma doença degenerativa e a dificuldade dele em compreender as atitudes dela provocadas pela doença, quando ainda ele era pequeno. E a paixão que nasce entre ele e Natasha, desestruturando seu casamento com Milena, como também o faz indagar Quem sou eu, afinal?

“São as crises que nos põem em movimento.

… Eu acho que a gente no fundo tem medo de ser feliz.

Foge-se da felicidade inventando mil desculpas.”

 

          E as situações difíceis que vão surgindo para a família com o avanço da doença do prof. Ervin, nos esclarecem e nos orientam como prováveis cuidadores de alguém próximo.

“A gente precisa fazer escolhas na vida.

Nem sempre uma escolha é a melhor, mas a necessária.

Sua mãe não pode mais ficar responsável pelos cuidados de Ervin. A clinica recomendada vai devolver a tranqüilidade para vocês.”

“A senhora não o largou. Não pode mais assumir essa situação sozinha.

Aqui ele está muito bem amparado e a senhora vem com freqüência,

está ao lado dele.”

“Pelo fato do Alzheimer ser uma doença sem volta, dá essa sensação de impotência. Mas a única coisa que podemos fazer, além da medicação e do acompanhamento médico, é trazer conforto para a pessoa.

E para isso, quem cuida precisa estar bem,

precisa ter momentos de descanso.

O cansaço e a irritação só fazem mal ao paciente e ao cuidador.

Perder a consciência é perder todas as referências que se teve na vida.

É olhar para o mundo e não se reconhecer.

O que eu sinto, é que meu pai não nos ama mais, porque não nos reconhece.

Como se pode perder o amor?”

 

          Esse romance é uma oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre a doença de Alzheimer e refletirmos sobre nosso estilo de vida, de como enfrentamos as adversidade: nos rendemos ao medo ou enfrentamos os desafios? Temos flexibilidade para novas e necessárias adaptações?

          Fiquei com muita vontade de conhecer a autora, pela competência e sensibilidade com que abordou o tema. Vamos nos encontrar. Você gostaria de participar desse encontro?