Portal da Maturidade

Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Projeto Cinevita – Diário de uma paixão

Diario_de_uma_paixao_Maturidade

 

 

“Para Noah,

A história de nossas vidas.

Leia para mim e eu voltarei para você.

Allie”

 

          É uma história comovente de um amor que resistiu às inúmeras intempéries da vida de Noah e Allie.

          O filme nos mostra um vendedor aposentado (James Garner) que visita continuamente uma senhora (Gena Rowlands) em um asilo, pelo fato dela ter ficado sem memória. Nesses encontros, ele lê uma história que foi escrita em um caderno, e a senhora sempre se emociona muito.

          Como Allie se sente, aprisionada em sua mente, quando Noah se adoenta?

          É possível reviver o amor em alguns segundos, antes que a mente o apague novamente?

          Como diz Allie para Noah:  “Acha que nosso amor pode fazer milagres?”

          Acha que nosso amor poderia nos levar embora juntos?

          E Noah responde: “Eu acho que ele pode fazer o que quisermos. Amo você.”

          E Allie afirma: “Também te amo.”


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Projeto Leituras – Livro AUSÊNCIA

Ausência_Maturidade

 

 

Apreciação do livro AUSÊNCIA

Autora: Flávia Cristina Simonelli

 

 

 

“O que é um homem sem memória?

Um homem que não se reconhece mais em nenhum tempo, nenhum lugar, nenhum rosto?”

          O romance entrelaça a vida do médico neuropsiquiatra Daniel com a da  família do paciente prof. Ervin de Apolinário, a esposa Margarida e a filha, Natasha.

          Mostra a relutância do Dr. Daniel em tratar do paciente pelo fato de reavivar em sua memória antigas dores – perda da avó que amava muito, com a mesma doença degenerativa e a dificuldade dele em compreender as atitudes dela provocadas pela doença, quando ainda ele era pequeno. E a paixão que nasce entre ele e Natasha, desestruturando seu casamento com Milena, como também o faz indagar Quem sou eu, afinal?

“São as crises que nos põem em movimento.

… Eu acho que a gente no fundo tem medo de ser feliz.

Foge-se da felicidade inventando mil desculpas.”

 

          E as situações difíceis que vão surgindo para a família com o avanço da doença do prof. Ervin, nos esclarecem e nos orientam como prováveis cuidadores de alguém próximo.

“A gente precisa fazer escolhas na vida.

Nem sempre uma escolha é a melhor, mas a necessária.

Sua mãe não pode mais ficar responsável pelos cuidados de Ervin. A clinica recomendada vai devolver a tranqüilidade para vocês.”

“A senhora não o largou. Não pode mais assumir essa situação sozinha.

Aqui ele está muito bem amparado e a senhora vem com freqüência,

está ao lado dele.”

“Pelo fato do Alzheimer ser uma doença sem volta, dá essa sensação de impotência. Mas a única coisa que podemos fazer, além da medicação e do acompanhamento médico, é trazer conforto para a pessoa.

E para isso, quem cuida precisa estar bem,

precisa ter momentos de descanso.

O cansaço e a irritação só fazem mal ao paciente e ao cuidador.

Perder a consciência é perder todas as referências que se teve na vida.

É olhar para o mundo e não se reconhecer.

O que eu sinto, é que meu pai não nos ama mais, porque não nos reconhece.

Como se pode perder o amor?”

 

          Esse romance é uma oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre a doença de Alzheimer e refletirmos sobre nosso estilo de vida, de como enfrentamos as adversidade: nos rendemos ao medo ou enfrentamos os desafios? Temos flexibilidade para novas e necessárias adaptações?

          Fiquei com muita vontade de conhecer a autora, pela competência e sensibilidade com que abordou o tema. Vamos nos encontrar. Você gostaria de participar desse encontro?


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Aos nossos pais, nossa gratidão!

Dia_dos_pais_Maturidade1 Nossas emoções hoje se voltam para nossos pais. Acredito que por estarmos vivenciando a maturidade, muitos dos nossos pais já terão falecido ou estão velhinhos.

Que lembranças afloram?

Saudades de quando eles nos envolviam em seus abraços? Do seu olhar mais severo e ao mesmo tempo cuidador? Dos seus zelos ou descuidos por nós? Da sua presença ou ausência no nosso cotidiano?

Vamos recordar que há muitos anos, nosso pai foi criado em um sistema patriarcal, onde imperava a autoridade um tanto austera; que homem não costumava abraçar, beijar filhos, não podia chorar, porque “homem não chora”. Sua função era prover a casa e os filhos. O lado afetivo ficava em segundo plano.

Esse contexto histórico talvez ajude a compreender nossos pais, suas “falhas” que, às vezes, cobramos pela nossa memória.

Em especial, hoje, que se comemora o Dia dos Pais, vamos nos reverenciar a eles, como pessoas queridas e amadas e trazer nossa compreensão e quiçá nos perdoarmos por não tê-los entendido.

A coisa mais importante que eles fizeram para cada um de nós foi nos terem trazido ao mundo. Eles fizeram o que podiam, de acordo com seu nível de consciência, seus valores morais e éticos, sua educação.

Evoluímos através dos estudos, de novos paradigmas sobre paternidade, somos mães ou pais e nesse papel pudemos sentir e talvez mudar esses papéis sociais e culturais.

Acredito que estamos bem mais perto de nossos filhos, partilhando com eles alegrias, tristezas, preocupações, sonhos….

Ninguém passa pela nossa vida por acaso, e assim esse foi nosso pai escolhido para evoluirmos, seja na dor, na bem-aventurança, na pobreza, na alegria, na honestidade, nas injustiças.

Compreender, agradecer e perdoar são as palavras chaves das nossas orações hoje para nossos pais.

“Pai, eu te perdoo e agradeço,

Tu me perdoas e

Eu me perdoo”

 


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João, meu Pai – por Risomar Fasanaro

Alzheimer_Maturidade_Externo          Um pai cuidadoso comigo, que fazia questão de ir me buscar no ponto do ônibus a um quilômetro de distância, quando eu voltava da faculdade, já próximo da meia-noite. Muitas vezes não havia assistido a nenhuma aula, só participado da agitação política, em 68, na rua Maria Antônia, São Paulo.

          Alguns anos depois era ele que fazia questão de abrir o portão da garagem, para eu sair com o carro, por mais que eu insistisse para não fazer aquilo.

          Homem de pouco estudo, lia o jornal de ponta a ponta diariamente. Adorava meus amigos e, podendo, fazia sempre parte da roda.

          Em julho de 1995 quatro anos depois de sofrer um AVC, minha mãe faleceu; e um mês depois, no dia 7 de setembro, ele acordou me dizendo que estava pescando com um amigo. Onde papai? Ali… no riozinho atrás da casa. Mas papai, rio no asfalto? É…pesquei muitos peixes. Eu e meu amigo…

          Um frio percorreu meu corpo. Naquele instante percebi que aquele novo amigo que com ele conviveria durante quatro anos não era uma boa companhia. Mas que fazer?

          Quando crianças e começamos a andar em má companhia, os pais têm poder para nos afastar deles, mas quando já adultos, e os vemos mal acompanhados, nada podemos fazer. Só nos resta a resignação. E eu sabia: era um amigo que há tempos rondava nossa casa, e com ele tentava fazer amizade. E meu pai se envolveu tão fortemente com aquele amigo, que se esqueceu de nós, de nossa casa, de mim.

          Muito conhecido na cidade, um dia voltou para casa trazido por um camburão da polícia. Seu pai não queria voltar, o policial me disse. Disse que morava em Natal. Mas um dos nossos o conhece… Ele havia feito vários exames, e no dia seguinte levei-o ao médico para mostrá-los.

          O médico atendia outros clientes que também eram amigos daquele estranho senhor. E foi ali que vim a saber seu nome: Sr. Alzheimer. Ele, dizia o médico, é do mal. E era o responsável por meu pai ter se afastado de todos nós. E eu, àquela altura já sabia: nada poderia fazer para romper aquela amizade.

          Penso que ele se aproximou daquele amigo por não suportar a saudade de minha mãe. Aquela nova amizade era tão forte, que ele esqueceu minha mãe para sempre. Nunca mais falou nela.

          Em vez de lutar contra aquele senhor que não saía de perto de meu pai, resolvi aliar-me a ele. Morávamos em uma casa imensa, muito antiga, com portas e janelas enormes.

          E foi ali que ele e Alzheimer encontraram uma porta que lhes possibilitava viajar através do tempo. Achei aquilo tão fascinante, que resolvi viajar com eles. Freqüentemente íamos à Revolução Constitucionalista de 32. Frequentemente meu pai me convidava a ir com eles. Dizia: “feche, feche as janelas, menina, feche e se atire no chão, que o inimigo está chegando”. Na mesma hora eu fechava as grandes janelas da sala e me atirava ao solo. “Fique quieta, não fale, que eles podem perceber nossa presença”. E eu ficava ali: cinco, dez, quinze minutos, no escuro, esperando o inimigo ir embora.

          Em 1932, um dos seus irmãos, Chico, viera de Natal para lutar ao lado de Getúlio, enquanto meu pai lutava por São Paulo. Por isso sua preocupação era não ferir o irmão em algum combate. Quando íamos os três para a Revolução, ele repetia sempre: “cuidado, cuidado que Chico pode estar nesse pelotão, veja bem antes de atirar…”

          Às vezes algum amigo ligava e perguntava: “por que liguei tanto e você não atendeu? Ou: “por que você demorou tanto a atender?” e eu precisava explicar: “eu estava lutando na Revolução de 32…” O que sempre provocava risos do outro lado da linha.

         Outras vezes era para o Cabo de Santo Agostinho, litoral de Pernambuco, em 1945 que viajávamos. E ele me ordenava: “apague as luzes, os alemães podem nos ver aqui…” E ficávamos os três: ele Alzeheimer e eu no escuro, em silêncio, até que ele se convencesse de que o inimigo fora embora e me desse ordem de voltar a 1998.

          Uma ocasião chegou um grupo de amigos meus, e meu pai, muito preocupado, me chamou e cochichou em meu ouvido: “esse pessoal não disse a senha…” Tentei tranqüilizá-lo: “papai, são meus amigos, não se preocupe…” E ele muito apreensivo: “então peça e anote o RG de cada um. Não diga a eles que meu nome é João. Não se pode confiar em ninguém, aqui…”

          De repente me chamou e disse: “peça a eles que falem mais baixo…” E perguntei: Por que, papai? E ele, com aqueles olhos verdes que tinham perdido completamente o brilho, desde a morte de minha mãe, me olhou tristemente e respondeu: “eu estou aqui camuflado…”

          Um filho pode aprender muito com um pai, mas sem dúvida alguma, aquelas últimas lições que dele recebi sobre a fragilidade da vida, da lucidez, sobre a importância de agarrar cada segundo que temos como se fosse o último, de valorizar cada gesto delicado que nos vem de uma pessoa querida, talvez tenham sido as mais valiosas de toda minha vida, pois não aprendi em nenhum livro, aprendi com aquele homem simples, que tendo sido militar, era tão terno quanto pode ser um jardineiro, ou um Poeta. Tão terno, tão doce quanto deve ser um pai. Um verdadeiro Pai.

Risomar Fasanaro – professora de lingua e literatura brasileira e portuguesa