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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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As reviravoltas da vida e a aceitação

Aceitação_Maturidade          A vida, algumas vezes, assemelha-se a um rio correndo mansamente, com suas águas claras; outras vezes, com águas revoltas, escuras, com redemoinhos e obstáculos para serem transpostos, e, por mais que queiramos impedi-lo, ele flui. Dependendo de nossas atitudes, a vida-rio pode ficar estagnada por um tempo, mas começam a surgir infiltrações e a vida-água acha uma maneira de seguir seu curso.

          A vida caminha através das nossas escolhas frente a tudo que nos acontece, de bom ou ruim. Não é o fato em si que nos afoga, mas o que pensamos sobre ele, o que sentimos, como reagimos e nos postamos. Quando estamos felizes e em harmonia, será que nos lembramos de agradecer por essa paz?

          Quando estamos aflitos, no meio de um turbilhão, será que paramos para refletir o que temos de aprender com isso e mudamos rapidamente para não termos de viver com sofrimento?

          Na maturidade, temos mais facilidade para sermos nossos próprios observadores e aí, sermos capazes de aceitar aquilo que o curso da vida nos quer mostrar nesse momento, sem autopunição ou autopiedade

          Aceitar… porque nada é permanente. Tudo passa.

          E acolher a Nossa Vida! Vamos respeitá-la, sem grandes lamentos e enxergando que tudo o que acontece, acontece para melhor, se tivermos “bons olhos” para enxergar.

O livro de duas páginas

          Era uma vez um rei muito sábio e generoso. No seu reino, tudo era harmonia. Mas, um dia surgia uma doença nas plantações e ninguém conseguia resolver.

          O rei entrou em desespero. Convocou inúmeros sábios para ajudá-lo e ninguém conseguia eliminar as pragas da lavoura. Apareceu um eremita e entregou ao rei um livro e pediu que ele o lesse somente em dois momentos, pois o livro só tinha duas páginas.

          No 1º momento, quando tivesse muito aflito, triste. E no segundo momento, quando tivesse transbordando de alegria. O rei, no auge do seu desespero abriu o livro e leu a 1ª página. Estava escrito: “Isto passará”!

          E, de fato, depois de muitas tentativas, as doenças foram embora da plantação e voltou a reinar a paz por muitos anos. Um dia, seu filho querido se casou com uma princesa. A felicidade e a alegria estavam por toda a parte. O rei estava vivendo um período maravilhoso.

          Então, se lembrou do livro e das recomendações. Foi ler a 2ª página. Estava escrito: “Isto também passará”!


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Psicossomática – Sabe o que é?

Maturidade_Catrin_Stein          “Em todo adulto espreita uma criança – uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa.”

(C. G. Jung)

          O termo psicossomática vem do grego psiche=alma e soma=corpo.

          Hipócrates, pai da medicina, já afirmava que o estado de saúde era evidência de que o indivíduo tinha atingido um estado de harmonia, entre suas instâncias internas, bem como desses com o meio ambiente.

          A abordagem psicossomática deveria estar presente em todas as especialidades da saúde, pois ela é uma integração de saberes. É uma postura que possibilita compreender o ser humano através de uma visão mais ampla , ou seja, na sua totalidade.

          Propiciar um acolhimento e saber ouvir o universo psíquico de uma pessoa, é percebê-la além do seu corpo, pois o sintoma físico, seja ele qual for, é um “grito” de socorro, e a forma inconsciente que a pessoa lança mão para exteriorizar seu sofrimento é através da linguagem dos órgãos.

          A dificuldade da pessoa em expressar suas emoções com palavras obrigará que a mesma fale com o próprio corpo, pois a doença em si funciona como “Válvula de Escape” dos conflitos internos.

          O tipo de doença tem muito a ver com a situação do momento que a pessoa está atravessando, como fatores emocionais ligados a perdas de entes queridos, desemprego, separações, insatisfação profissional, problemas econômicos e financeiros, seqüestros, acidentes, problemas familiares, envelhecimento, etc.

          Pode-se observar que há grandes possibilidades de doenças se manifestarem frente a situações consideradas estressantes na vida da pessoa, e dentre elas, temos: depressão, ansiedade, hipertensão, cefaléias, doenças cardiovasculares, doenças endócrinas, doenças respiratórias, problemas sexuais, problemas estomacais, distúrbios do sono, câncer, etc.

          Cabe aqui ressaltar, que as pessoas adoecem diferentemente umas das outras. Há pessoas que já nascem com determinada doença; outras apresentam predisposição, que são nossos pontos fracos, ou seja, órgãos mais vulneráveis a adoecer. Deve-se também levar em conta o valor simbólico do órgão afetado e sua relação os conflitos internos da pessoa em questão, podendo dessa maneira a doença acontecer ou não no decorrer da vida, pois o adoecer tem muito a ver com a falta de amor por si mesmo, ausência de auto-estima, a necessidade de reconhecimento do mundo exterior, insatisfações na vida , e principalmente, levar em conta a inabilidade da pessoa em exteriorizar suas emoções, como interpreta esse momento e sua maneira de lidar com os eventos estressantes da vida.

          É imprescindível aprender a lidar com situações pesarosas para o amadurecimento emocional e psíquico. E sem dúvida, a experiência do sofrimento compartilhado diminui as tensões geradas pela angústia e ansiedade, podendo assim beneficiar à saúde.

          Um ponto importante a ser mencionado , são as razões que levam uma pessoa a adoecer, porque o adoecer tem suas vantagens, uma vez que ele obedece uma necessidade inconsciente, pois a pessoa tem “fome” de carinho, atenção, cuidados, amor e nesse processo doentio, ela regride, como se voltasse a ser criança, recebendo toda atenção que necessita da família, amigos e cuidados dos profissionais da saúde, preenchendo assim suas carências.

          Outra vantagem do adoecer, é o fato da pessoa ficar isenta de pressões externas, de responsabilidades em geral, cobranças, críticas, porque ninguém cobrará atitudes de um enfermo, não é ?

          E o adoecer, pode também, ser uma possibilidade da transformação na sua vida, se a pessoa conseguir ampliar seu autoconhecimento, perceber que é responsável pelas suas escolhas e buscar sua felicidade, sem chantagear aqueles que a rodeiam e a amam.

Mércia Angélica Barroso

Psicóloga Yunguiana

Conselheira Fiscal Titular da Assoc. Bras. Medicina Psicossomática

 

 


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Será utopia uma cultura de não-violência?

Chave_Maturidade          Estamos vivenciando, nesses tempos, uma cultura extremamente violenta, separatista e segregacionista, onde as pessoas são meros instrumentos para uma minoria enriquecer, manter e ampliar seus poderes sobre a humanidade.

          Como modificar esse paradigma de guerra e de exploração?

          Dependendo das nossas reações, geramos mais violências, independente de que o objetivo final seja louvável! Estaremos reforçando atitudes mantenedoras desse sistema sócio-político-econômico.

          Podemos pensar diferente, desejar a Paz, mas escolhemos alternativas idênticas ou piores do as que estão vigentes no momento e na maioria das vezes não percebemos isso.

          Guerras, vandalismos, exploração de crianças e de empregados, extermínio dos recursos naturais que a natureza nos oferece, tudo isso faz parte desse grande paradigma econômico, onde as pessoas só têm valor quando são bem sucedidas financeiramente, independente dos meios utilizados para tal.

          Acredito, como muitas outras pessoas, que é possível criar uma cultura de Paz, formar uma Consciência dos Princípios de Não-Violência e praticá-los como uma poderosa forma de curar e transformar nossas vidas, e conseqüentemente, a humanidade.

          A grande mudança começa em cada um de nós, através de nossas escolhas diárias e ações centradas na não-violência. Através de novas formas de Educação e ações direcionadas para a Paz.

          A Paz no nosso interior gerará Paz ao nosso redor, Paz nos relacionamentos, Paz na família, Paz no trânsito, e assim vai se estendendo, formando uma teia de Paz.

          Vejamos a possibilidade de mudar o mundo com as mudanças nos comportamentos de cada um de nós e das nossas crenças, através da história do Centésimo macaco, que é uma fábula alegórica e baseia-se na “Teoria do Campo Mórfico”, do biólogo Rupert Sheldrake.

          A fábula diz que uma mudança no comportamento de uma espécie ocorre quando uma massa crítica – um número exato necessário – é alcançado. Quando isso acontece, o comportamento ou hábitos de toda a espécie alteram-se. Transcrevo abaixo a história:

O centésimo macaco

Há mais de 30 anos, cientistas estudavam colônias de macacos em ilhas isoladas nas costas do Japão. De maneira a observá-los e anotar registros, os cientistas atraiam os macacos para a praia oferecendo-lhes batata doce. Os macacos desciam das árvores para aproveitar a refeição gratuita e se colocavam numa posição de onde podiam ser facilmente observados. Um dia , uma macaca de 18 meses chamada de Imo, começou a lavar a sua batata no mar antes de comê-la. Imagino que isso melhorou o sabor por tirar os grãos de areia e pesticidas, ou então ficava mais saborosa por causa do sal. Imo mostrou a seus companheiros de brincadeiras e à sua mãe como lavar as batatas; seus amigos mostraram às suas mães e, gradualmente, mais e mais macacos começaram a lavar suas batatas ao invés de comerem como eram oferecidas. Inicialmente, apenas as fêmeas adultas que imitavam seus filhotes aprenderam, mas, gradualmente, outros aprenderam também.

Um dia, os cientistas observaram que todos os macacos daquela ilha estavam lavando suas batatas antes de comê-las. Embora isso seja significativo, o que foi mais fascinante é que essa mudança não ocorreu apenas naquela ilha. Subitamente, os macacos de todas as outras ilhas estavam lavando suas batatas – apesar das colônias de macacos das diferentes ilhas não terem nenhuma comunicação entre si.

          O “centésimo macaco” foi aquele anônimo a que se refere a hipótese, o fator decisivo para a espécie: aquele cuja mudança de comportamento significou que, a partir daquele momento, todos os macacos iriam lavar suas batatas antes de comê-las. Como uma alegoria, O Centésimo Macaco contém a promessa de que, quando um número crítico de pessoas mudar seu comportamento ou atitude, a cultura como um todo mudará.

          O que era inimaginável é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e aquilo torna-se o padrão de como agimos e do que somos como seres humanos.

          Você que está lendo esse artigo, pode ser o 37″°” , o 64° e assim por diante, até que surja o 100° macaco – e ninguém sabe o quão longe ou perto estamos dele até que subitamente estamos lá.

          Pois bem, para a cultura humana mudar do paradigma de guerra para o paradigma de PAZ – para haver um centésimo macaco – deve haver equivalentes humanos de Imo e seus amigos.

Dormiste por milhares e milhares de anos.

Não queres acordar esta manhã?

(Kabir)


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Semear e colher

Semear_Maturidade

“Tudo que você semeia, cedo ou tarde terá que colher… a vida é plantio. Escolha as sementes com sabedoria”.

Renata Fagundes

          Adoro ver os campos das lavouras arados, adubados, prontos para receberem as sementes. Algumas semanas depois, aparecem as mudas pequenas, verdinhas, e , em pouco tempo, elas se transformam, já produzindo belas espigas, frutas, flores…

          Para isso, houve necessidade de revolver a terra, adubá-la, molhá-la, sempre para que a colheita seja farta e boa. E assim, acontece o milagre em que a natureza tudo modifica para nos servir.

          Trazendo essa metáfora para nossa vida, vemos que nós também trilhamos um caminho semeando inúmeras sementes, e colhendo-as, e nem sempre as melhores – amor ou desamor, alegria ou tristeza, raiva ou tolerância, compreensão ou desarmonia. E a cada pensamento e ato, estamos projetando para a humanidade, principalmente para os que nos cercam, conforto ou desconforto, amor ou ódio, vontade de acolher e ajudar ou vontade de vingança e de abandono.

          Vemos isso acontecer aos montes, mas não precisa ser sempre uma única regra. Já viram uma linda flor nascer no meio de pedras? E os cactos, que apesar dos espinhos, e da aridez da terra, fornecem água aos andarilhos?

          A natureza é sábia! Ela é compassiva! Assim também alguns animais, que nos doam amor incondicional, doam também sua própria vida para nos alimentar.

          E nós, considerados seres racionais, com grande potencial para analisar, discernir, como agimos e reagimos?

          Reflitamos com calma, e percebamos, quais são nossas reações quando alguém nos faz alguma coisa que nos desagrada? Ou quando somos magoados por alguém ou o magoamos ? Esses sentimentos perduram por muito tempo, por toda sua vida? Ou esperamos passar um tempo, e com a cabeça mais fria, somos capazes de analisar a situação e termos uma solução mais saudável?

          Normalmente, temos um padrão de resposta. E dependendo desse padrão, não somos capazes de perdoar, de tentar compreender as pessoas, e acabamos nos ferindo, ficando com um “espinho encravado” no coração. Criamos um invólucro invisível a nossa volta, para nos proteger, inclusive do amor, que não nos permite doar, tampouco recebê-lo. Sabe, às vezes, nem temos consciência disso. Mas essa capa protetora age muito nas nossas decisões, esbarrando nas escolhas das sementes que poderíamos jogar nas estradas da nossa vida.

          Quando jovens, somos mais impetuosos, queremos ter razão, na maioria das vezes. Na maturidade, porém, mesmo continuando a semear, estamos colhendo os frutos da nossa jornada. Isso se reflete nos cuidados dos nossos filhos para conosco, na sua atenção em nos ensinar, porque o mundo mudou aceleradamente; portanto, temos de saber conviver com as mudanças. A maneira de como fizemos nossa trajetória reflete também no tratamento que recebemos dos amigos, e principalmente, na nossa capacidade de ampliar nosso olhar, compreendendo mais as pessoas, sendo mais tolerantes e desenvolvendo muito a compaixão.

          Isso também não é regra. Se chegarmos à maturidade cheios de ódio, de culpas, esses sentimentos só nos farão mal, trazendo doenças e solidão, provavelmente. É hora de vivenciarmos o auto-perdão e perdoar os outros; aprender a nos amar, amar as pessoas e ser amada. A vida é curta .

          Não só na maturidade, mas quanto antes aprendermos o significado do perdão, a nos despojar de sementes infrutíferas e emboloradas, nossa vida mudará de cor, de sabor e se encherá de amor. Não somos deuses para julgar ninguém.

          Vamos tentar escolher boas sementes para semearmos em nossas vidas?

          A única pessoa responsável pela nossa colheita somos nós mesmos! Não joguemos a culpa em ninguém!

          A terra já está arada….

 


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Mandalas – Caminhos de Sabedoria

Mandala_Transpessoal_Maturidade          O principal objetivo do trabalho mandálico é de que seus praticantes entrem em sintonia com as energias de paz interior e o sucesso desta prática em muito dependerá do ambiente externo e interno de cada um, criado pela própria pessoa, em interação com o todo. Tanto na Didática como na Terapia Transpessoal, construímos as mandalas de diversas maneiras e com diferentes objetivos, como expressão espiritual, como fonte de cura, e também para o autoconhecimento.

          A Mandala, como expressão espiritual, é, por um lado, uma imagem do homem em sua limitação dentro do tempo e espaço, e, por outro, mais além do âmbito humano, faz a vinculação desse plano, com o plano cósmico e espiritual. É pois, ao mesmo tempo, pessoal e transpessoal. Interpenetram-se, assim, espírito e matéria, finito e infinito.

“Deus é um círculo cujo centro se acha em todas as partes e sua circunferência em nenhum lugar”.

          Como fonte de cura, cada ser humano é uma mandala em si mesmo. Cada homem deve concentrar-se e alcançar o seu centro para conhecer e trabalhar as energias nele contidas. É uma técnica de autoterapia que ajuda na organização e no fortalecimento da psique, conduzindo as pessoas a uma maior consciência de si mesmas e do mundo que as cerca, e conseqüentemente, a atingir a plenitude e a paz interior.

          E, ao mesmo tempo, o processo é autoterapêutico, ajudando quem o utiliza a resolver uma série de situações psicológicas que o perturbam. É a autoterapia conseguida independentemente de interpretações ou “leituras” das mandalas. Isso porque a própria pessoa que as faz, sabe no seu interior o que elas significam, mesmo que não passem a informação para o seu “consciente”. O efeito terapêutico se processa independente dessa interpretação.

          As cores na mandala expressam os nossos mais íntimos pensamentos, sentimentos, intuições e sensações físicas. Analisar o significado das cores ajuda a entendermos as mensagens que são enviadas pelo inconsciente. As cores podem apresentar vários significados; cada um deles aponta algo diferente. Podem também mudar de significado cada vez que são usadas. Para cada emoção existe um tom, um matiz, expressando os diversos estados emocionais existentes. A escolha das cores é em grande parte guiada pelo inconsciente e representam uma expressão direta de estados interiores que estão além da percepção consciente.

          Não há mandalas boas ou ruins. Numa série de mandalas, deve-se buscar o fluxo natural das cores e formas que refletem o seu processo vital único. Praticar os exercícios com mandalas é estimular os hemisférios cerebrais; colorir mandalas é estimular energias adormecidas do inconsciente. A mandala é um dos Caminhos de Sabedoria da nossa vida presente.

          Em breve, estarei fazendo um curso ensinando como fazer nossa própria Mandala. É um exercício muito importante e de grande valor, para que possamos conseguir tudo aquilo que propomos para nós mesmos este novo ano. Aguardem!