Portal da Maturidade

Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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Projeto Leituras – Cruzando o Caminho do Sol

Cruzando o caminho do sol_Maturidade

 

“Cruzando o Caminho do Sol”

Corban Addison

 

          “Ahalya fixou o olhar em um ponto do assoalho, tremendo. Ela não conseguia olhar para o homem que a havia comprado. Ele se aproximou e ergueu seu queixo até que ela olhasse em seus olhos. _ Essa é sua noite de núpcias _ ele disse, jogando-a de costas sobre a cama.”

          Ahalya despertou no dia de Ano-Novo como um pássaro de asa quebrada… A alegria havia desaparecido de sua voz… Somente Sita permanecia concentrada. Ahalya se surpreendeu com a estabilidade emocional de sua irmã. Era como ela houvesse amadurecido anos numa questão de dias…. Sita cantou canções e declamou versos das poesias favoritas de Ahalya:”

“Aqui, ó meu coração, queimaremos os sonhos que estão mortos,
Aqui nesta floresta ergueremos uma pira funerária,
De pétalas brancas e folhas caídas já maduras e vermelhas,
Aqui os queimaremos com todas as tochas de fogo do sol do meio-dia.”

          A história desse livro é sobre duas irmãs – Ahalya e Sita – adolescentes de classe média alta que viviam tranquilamente junto com seus familiares, na Índia, até que um tsunami destrói a costa leste de seu país, ceifando a vida de seus pais e avó.

          Sozinhas, elas tentam encontrar um modo de recomeçar a vida, mas são vítimas do tráfico internacional de jovens.

          Mantidas em cativeiro pelo tráfico sexual, suas vidas se cruzam com o advogado Thomas Clark, do outro lado do mundo, em Washington, que está enfrentando uma crise em sua vida pessoal e profissional, e decide mudar radicalmente, indo para a Índia trabalhar em uma ONG que denuncia o tráfico de pessoas e para tentar reatar com sua esposa, que o abandonou.

          Cruzando o Caminho do Sol denuncia o submundo da escravidão moderna, uma terrível rede internacional de criminosos. E nos reforça que é possível, com uma luta incansável e um trabalho heróico de homens e mulheres do mundo inteiro, salvar muitas pessoas desses cativeiros e destruí-los.

          É uma literatura emocionante, onde os labirintos no submundo do tráfico humano se chocam com os laços de família e a persistência do amor.

“Nós ultrapassamos os limites mais longínquos da escuridão;
A aurora espalha sua luz radiante como uma teia.”
Rig Veda


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Projeto Cinevita – O mordomo da Casa Branca

Mordomo_Maturidade

 

 

 

Apreciação do Filme O mordomo da Casa Branca

Direção Lee Daniels

         

 

          O filme conta a história do mordomo Cecil Gaines (Forest Witaker) que por sete mandatos presidenciais serviu fielmente à Casa Branca, entre 1957 a 1986.

          Negro, desde pequeno aprendeu a ser obediente aos patrões brancos, sofrendo muitas injustiças e abusos morais.

          Ele se tornou uma testemunha ocular da história dos Estados  Unidos e das negociações de bastidor do Salão Oval, em momentos que o movimento de direitos civis desabrocha na sociedade americana.

          Sua dedicação ao trabalho, sempre subserviente, o afastou  de sua esposa e criou muitos conflitos com seu filho mais velho, opositor ao sistema, e também não aceitava a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros.

          Até que na velhice, o mordomo rompeu seu silêncio e manifestou publicamente com o filho, sua posição e crenças frente ao problema racial. E resgatou seu direito de ser cidadão americano e o respeito pelo filho.

          Reflexões: O mordomo acompanhou silenciosamente a evolução das leis que diziam respeito ao problema racial, participando passivamente dessa construção histórica, até que rompeu com tudo que o aprisionava para que ele se sentisse respeitado como cidadão. Deu um basta! Acreditou que era possível mudar, e lutou para isso.

          Assim como o velho mordomo, será que não estamos aceitando tudo passivamente, deixando passar oportunidades para mudarmos a realidade brasileira, nos quesitos morais, sociais, econômicos e éticos? Será que não é hora de  batalharmos por melhores condições para nossas vidas na maturidade e velhice?

          Pelas nossas escolhas e ações construímos nossa história. Enquanto categoria MATURIDADE, se não lutarmos por nós, quem o fará?


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Câncer e o sentido da vida!

Cancer Maturidade          Quando o paciente recebe o diagnóstico que está com câncer , imediatamente  associa com a morte eminente. É a doença que nos infunde maior temor.

          Muitas pessoas têm até medo de pronunciar a palavra câncer, como se isso pudesse contaminá-las com a doença.

          Quando se observam as histórias de vida que estão ocultas por trás dessa doença, constata-se que esse acontecimento não se deu de forma assim tão repentina e sem prévios sinais de alarme. Justamente a falta de qualquer reação e qualquer sintoma é um sinal de “normopatia”.

          RüdigerDahlke, médico psicossomático, descreve um perfil do afetado pelo câncer, como uma pessoa que dá ênfase nas grandes responsabilidades, e que cumpre com seus deveres sem se queixar. “Responsabilidade, ao contrário, significa a capacidade de dar uma resposta às necessidades da vida. Mas os pacientes potenciais de câncer não possuem essa capacidade. Como eles não podem impor limites e mal podem dizer não, eles facilmente se deixam sobrecarregar com obrigações. Por outro lado, eles as assumem de bom grado, para dar um sentido externo a suas vidas – na falta de um sentido interno.”

          Por ocasião do acontecimento cancerígeno, não é raro encontrar depressões ocultas atrás do êxito externo.

          Rüdiger descreve como típica personalidade cancerígena a pessoa que é valente e não agressiva, quieta e paciente, que atua de maneira equilibrada e tão simpática porque não é egoísta, além disso é desinteressada e solícita, pontual e metódica e se ajusta perfeitamente à imagem ideal do homem moderno.

          Quando a consciência se fecha para temas irritantes, o corpo precisa se abrir substitutivamente para os irritantes correspondentes, deixando a defesa imunológica cada vez mais fraca. Quem se fecha demais na consciência, sendo portanto demasiado avesso aos conflitos, força a abertura para as sombras, e ela então emerge no corpo sob a forma de suscetibilidade aos agentes patológicos.

          A experiência de vida cotidiana confirma este princípio. Uma pessoa que enfrenta a vida abertamente(= vital) dispõe de uma defesa corporal saudável, sendo portanto menos propensa a infecções. Uma pessoa estreita, medrosa, “pegará” mais agentes patológicos e cultivará os resfriados correspondentes mais freqüente devido  a seu mal equipamento de defesa. Ao contrário, uma pessoa entusiasmada, que se inflama com um tema, praticamente não pode se resfriar.

          É necessário que o bloqueio e o fechamento sejam muito   profundos para que o colapso de defesa seja tão completo a ponto de permitir o surgimento de um tumor.  Isso aflora quando uma pessoa não se abre mais para um aspecto essencial de sua vida.

          A tarefa mais difícil do aprendizado do paciente de câncer é sair da normopatia, sair da sua comodidade, deixar de fazer o que todos fazem, de ter uma harmonia aparente. O normopata acha que a aparência é mais importante que o ser.

          A primeiríssima coisa que ela deve fazer para sua cura é começar a se mover, a crescer, a se transformar e a se desenvolver. Aprender a dizer não, detectar e viver seus desejos egoístas, experimentar rebelar-se contra regras rígidas, escapar de estruturas demasiado estreitas, chegar bem próximo dos outros, pular fronteiras, ignorar limitações, viver todas as coisas.

          Depois que tiver aprendido a se impor, vem o aprendizado de inserir-se na Unidade Maior.  O ser humano cresce fisicamente durante vinte anos; depois disso ele precisa continuar crescendo anímica e espiritualmente, ou então, o crescimento afunda na sombra.

          O câncer também é um amor que mergulhou nas sombras.

          É preciso encontrar a unidade, a imortalidade da alma em si mesmo que só podem ser abertas pelo amor.

          É observado que as pessoas que se curam, modificam seu comportamento e seu estilo de vida. Ficam mais solidários, otimistas e passam a valorizar as pequenas coisas da vida, do cotidiano, as pessoas com quem convive.

          O câncer como caminho é uma grande oportunidade de voltar a abrir-se para o fluxo da vida.

          As pessoas curadas reconhecem que estão no lugar certo e que são um com tudo. Não mais assumirão seu lugar com resignação e por falta de alternativas, mas assumirão conscientemente e reconhecerão sua unidade com todo o corpo.

 ” Conhece a ti mesmo, para que possas conhecer a Deus.”

Sugestão para leitura: A doença como linguagem da alma

Rüdiger Dahlke – Ed. Cultrix


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O Quarteto – A velhice também faz parte da vida!

O Quarteto Maturidade

 

 

 

Apreciação do Filme O Quarteto
Dirigido por Dustin Hoffman

 

          Esse filme é uma comédia em que atores veteranos do palco britânico, maiores estrelas da música, vivem juntos, após a aposentadoria, em uma Instituição reservada para grandes artistas.

          Nessa moradia, Cissy, Wilfred e Reggie, continuam explorando seus talentos musicais, e com muita harmonia. Todos os anos, os residentes fazem um concerto para angariar fundos para a Instituição.

          Tudo começa a mudar quando Jean, uma artista, outrora muito aclamada, mas de um ego exacerbado, se muda para o local e reencontra seu ex-marido Reggie. Os quatro artistas formavam em tempos passados, um quarteto excepcional na música.

          Jean se recusa a cantar novamente com os amigos no concerto, por insegurança, pelo receio de não conseguir alcançar os tons exigidos nas melodias.

          No contato com os amigos, começa a repensar sua decisão e redescobre outro sentido para sua vida.

          Reflexões: Na maturidade é o momento de viver o aqui e agora, sem grandes exigências, sem receio das críticas. Por que não aceitar o que somos e diminuir o ego inflado pelo orgulho?

          Não há como retroceder no tempo. A velhice também faz parte da vida. Saber saboreá-la, com amor e alegria é uma bênção! E nunca é tarde para retomar o amor.


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Jardim de Inverno – Escolhas na vida!

Jardim de inverno Maturidade

Jardim de inverno

Kristin Hannah

 

          “Nós, mulheres, fazemos escolhas pelos outros, não por nós mesmas. E quando somos mães, nós suportamos o que for preciso por nossos filhos”.

          “Eu cometi o erro de viver para outras pessoas…e hoje elas estão tão ocupadas com suas próprias vidas que mal me telefonam…”

          “Eu tenho 81 anos e estou contando a história da minha vida para minhas filhas. Todo ano, eu pensava que era tarde demais para começar, que havia esperado demais. Mas agora, Nina não aceita um não como resposta”.

          “Não espere nunca. Olhe para mim. Eu sou o que o medo faz com uma mulher. Você quer terminar como eu?”

          ” Quando havia parado de falar com ele sobre nossos sonhos? E por quê? “

          O livro retrata a história de duas irmãs, suas escolhas no percurso da vida e a dificuldade de relacionamento com a mãe. O pai, na hora da morte, insiste para que suas filhas conheçam sua mãe, pedindo que ela conte a história da camponesa e do príncipe, mas a história inteira.

          A verdade é que Anya, a mãe, teve um motivo muito forte para ser assim, envolvendo sua vida na gelada Leningrado da Segunda Guerra e o frio do Alasca.

          Ria e chore com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.

          Boa leitura!!!