Portal da Maturidade

Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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O Quarteto – A velhice também faz parte da vida!

O Quarteto Maturidade

 

 

 

Apreciação do Filme O Quarteto
Dirigido por Dustin Hoffman

 

          Esse filme é uma comédia em que atores veteranos do palco britânico, maiores estrelas da música, vivem juntos, após a aposentadoria, em uma Instituição reservada para grandes artistas.

          Nessa moradia, Cissy, Wilfred e Reggie, continuam explorando seus talentos musicais, e com muita harmonia. Todos os anos, os residentes fazem um concerto para angariar fundos para a Instituição.

          Tudo começa a mudar quando Jean, uma artista, outrora muito aclamada, mas de um ego exacerbado, se muda para o local e reencontra seu ex-marido Reggie. Os quatro artistas formavam em tempos passados, um quarteto excepcional na música.

          Jean se recusa a cantar novamente com os amigos no concerto, por insegurança, pelo receio de não conseguir alcançar os tons exigidos nas melodias.

          No contato com os amigos, começa a repensar sua decisão e redescobre outro sentido para sua vida.

          Reflexões: Na maturidade é o momento de viver o aqui e agora, sem grandes exigências, sem receio das críticas. Por que não aceitar o que somos e diminuir o ego inflado pelo orgulho?

          Não há como retroceder no tempo. A velhice também faz parte da vida. Saber saboreá-la, com amor e alegria é uma bênção! E nunca é tarde para retomar o amor.


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O Mito da Maturidade Assexuada

Sexualidade_Maturidade          Sexualidade é o produto final de um longo e natural processo de desenvolvimento que começa no nascimento e envolve quem somos, o que somos e como lidamos com isso, numa relação afetiva interpessoal.

          A pessoa envelhece com desejo afetivo sexual, mas seu comportamento muitas vezes não demonstra esse desejo, porque incorpora os mitos e preconceitos acerca da velhice.

          A família interfere muito na possibilidade da vivência da sexualidade na maturidade. Geralmente mantém o mito da maturidade assexuada, colocando os pais sob seus cuidados, havendo uma inversão de papéis, onde os filhos passam a controlar a afetividade dos pais. A dificuldade deles em expressar sua sexualidade aumenta quando eles passam a morar com os filhos, pois perdem a privacidade. E a própria família, com filhos e netos, fomenta o preconceito contra o casal sexualmente ativo, fazendo comentários e piadas constrangedoras. Em decorrência disso, o casal assume o papel de avós, cujo sentido da vida é cuidar dos netos.

          A sociedade também reforça o mito da maturidade assexuada, fazendo com que se envergonhem dos seus desejos sexuais, à medida que enfatiza, na mídia, a beleza física do jovem, desvalorizando o corpo envelhecido. O efeito dessa visão social é o grande investimento das mulheres em plásticas e cosméticos para manter a jovialidade por mais tempo. E no homem, o efeito psicológico de se sentir diminuído, inseguro por tantas pressões sociais impostas.

          A religião, quase sempre muito conservadora, também inibe a demonstração afetiva e sensual na maturidade.

          A maioria das pessoas pensa que quando se aposenta do trabalho, tanto o homem como a mulher estão se aposentando também da vida: da alegria, dos prazeres, dos carinhos, da intimidade homem/mulher.

          Há também o silêncio dos médicos, que não se sentem confortáveis em abordar a sexualidade dos seus pacientes envelhescentes, retirando-lhes uma grande oportunidade de receberem informações corretas e que lhes ajude a desfrutar dos prazeres do sexo na maturidade.

          Por outro lado, vê-se ultimamente, os mais velhos serem provedores financeiros de filhos adultos, e fazendo viagens, participando de cursos universitários e atuantes na comunidade. A maturidade começou a mudar, com o envelhescente sendo sujeito de seus atos, sem dependências financeiras dos familiares e fazendo suas escolhas. Esse novo modelo está trazendo novas formas de relacionamentos afetivos e sexuais. Cabe a essa nova população quebrar preconceitos e achar novos caminhos para ser feliz e viver plenamente sua sexualidade.

          Falar em sexualidade na maturidade é construir um novo paradigma de envelhecimento, com novas possibilidades de viver feliz e prazeirosamente, com carinho e amor.

          Jack Messy, psicanalista e estudioso do envelhecimento, no seu livro “A pessoa idosa não existe”, diz que envelhecemos conforme vivemos. Ressalta a importância das pessoas se conscientizarem da necessidade de cuidar sempre da sua saúde física, emocional, psicológica desde cedo, para conseguirem, ao longo de suas vidas, a construção uma velhice saudável, com muitos ganhos: de alegria, inclusão, prazer e possibilidade de usufruirem sadiamente sua sexualidade.

 


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Novos Arranjos

E_Se_Vivêssemos_Todos_Juntos_Maturidade

Uma apreciação do filme “E se vivêssemos todos juntos?”

Produtor – Stéfane Robelin

 

 

 

 

          “Novos arranjos” é uma denominação para mostrar diferentes soluções mediante novos desafios com que as pessoas se deparam na velhice.

          Refletir sobre a velhice é algo amedrontador, angustiante para a maioria das pessoas, pois o estigma e o medo fazem com que a enxerguemos com muitas perdas e sofrimentos.

          Há muitas maneiras de envelhecer, de acordo com o jeito de ser de cada um, seu temperamento, seus interesses, etc. Existem milhões de velhices, tanto quanto o número de velhos.

          O filme selecionado “E se fôssemos viver todos juntos” apresenta a possibilidade de dois casais e um senhor, todos com mais de 70 anos, amigos há mais de quarenta anos, morarem juntos, cada um com sua problemática da idade.

          Formam uma “família de amigos”! Escolheram-se para partilhar momentos de alegria, de descontração, de reflexão, de tristeza, de doenças, de morte, e, principalmente, de muito acolhimento e compreensão.

          Há muitos tópicos no filme para serem observados, que aos poucos, vão ser comentados no portal da maturidade.

          Sugiro um roteiro abaixo para assistirem ao filme, com o intuito de canalizarem sua atenção para os novos arranjos propostos:

1. Possibilidades de diferentes modelos de moradia na velhice, de preferência escolhidas pelo idoso: clínicas, casas de repouso, morar sozinho, famílias de amigos, comunidades de idosos.

2. Qualificação e atuação de cuidadores de idosos. A importância deles na casa do idoso.

3. Sexualidade – quebra do paradigma da velhice assexuada. O descaso dos médicos e a banalização do assunto pelos familiares.

4. Memória – intensa estimulação dos sentidos, aliada também a fatores emocionais, afetivos.

          Ao optarem pela “família de amigos” escolheram também garantir sua autonomia, por maior tempo possível, partilharem solidariedade, principalmente na hora da morte e frente à doença de Alzheimer.

          O filme termina com uma cena de compaixão e acolhimento que nos emociona muito.

          O que quero realçar nesse filme são os arranjos propostos, mas não significa que a “família de amigos” seja a única ou a melhor solução. É fundamental analisar cada caso exaustivamente, para vivermos mais felizes.