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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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REVIVENDA – A inteligência em construção

Cosntruindo_Cerebro_Maturidade

“Sempre me senti maravilhado diante da perspectiva de um novo dia, de uma nova chance, de um recomeço, com talvez um pouco de magia à minha espera em algum lugar, escondida atrás da manhã”.

J.B. Priestley

         

          A inteligência é um produto de uma operação mental e permite a pessoa resolver problemas, e até mesmo, criar produtos que tenham valor específico dentro de uma cultura que nos envolve.

          A inteligência não é um elemento neurológico isolado, independente do ambiente. Fora da coletividade, desprovida do ambiente , a pessoa não pensaria. Portanto, sem sua língua, sua herança cultural, sua ideologia, sua crença, sua escrita, seus métodos intelectuais e outros meios do ambiente, a pessoa não seria inteligente.

          Com o extraordinário avanço da neurociência, o estudo da inteligência humana está passível de muitas transformações. Mesmo assim, é possível afirmar com segurança, que a inteligência de um indivíduo é produto de uma carga genética e que alguns detalhes da inteligência podem ser alterados com estímulos significativos em momentos cruciais do desenvolvimento humano.

          Na verdade, não existe uma “inteligência geral”, que aumenta ou estaciona, mas um elenco múltiplo de aspectos da inteligência, e alguns muito mais sensíveis à modificação por meio de estímulos adequados do que outros.

          Pesquisas recentes em neurobiologia sugerem a presença de áreas no cérebro humano que correspondem a uma forma específica de competência e de processamento de informações. Embora seja uma tarefa difícil dizer claramente quais são essas áreas, cada uma delas expressa uma forma diferente de inteligência.

          Howard Gardner , em 1983 publicou nas suas pesquisas as oito áreas do cérebro humano onde se abrigariam as inteligências múltiplas: lingüística-verbal, a lógico-matemática, a espacial, a musical, a cinestésica corporal, a naturalista, a interpessoal e a intrapessoal.

          As inteligências múltiplas se desenvolvem de maneira desigual em cada hemisfério cerebral. “As janelas de oportunidades” , como chamam os neurobiológicos, são os melhores períodos para o desenvolvimento de cada inteligência, mas o fechamento dessas janelas não representa que não possamos aprender mais após esse período. Não há impedimento da aprendizagem, desde que as inteligências sejam estimuladas. O que pode ocorrer é que determinadas aprendizagens tornam-se um pouco mais difíceis.

          Quanto ao envelhecimento da inteligência, é uma questão difícil de se responder. O envelhecimento não ocorre com todas as inteligências ao mesmo tempo, e também não ocorre com a mesma intensidade nos dois hemisférios cerebrais. Ocorre muito mais por falta de estímulos – por falta de ginástica – do que por razões biológicas.

          A motivação para aprender e se cercar de desafios mais estimulantes é o que facilita ou dificulta a aprendizagem até o final da vida.


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Novos Arranjos

E_Se_Vivêssemos_Todos_Juntos_Maturidade

Uma apreciação do filme “E se vivêssemos todos juntos?”

Produtor – Stéfane Robelin

 

 

 

 

          “Novos arranjos” é uma denominação para mostrar diferentes soluções mediante novos desafios com que as pessoas se deparam na velhice.

          Refletir sobre a velhice é algo amedrontador, angustiante para a maioria das pessoas, pois o estigma e o medo fazem com que a enxerguemos com muitas perdas e sofrimentos.

          Há muitas maneiras de envelhecer, de acordo com o jeito de ser de cada um, seu temperamento, seus interesses, etc. Existem milhões de velhices, tanto quanto o número de velhos.

          O filme selecionado “E se fôssemos viver todos juntos” apresenta a possibilidade de dois casais e um senhor, todos com mais de 70 anos, amigos há mais de quarenta anos, morarem juntos, cada um com sua problemática da idade.

          Formam uma “família de amigos”! Escolheram-se para partilhar momentos de alegria, de descontração, de reflexão, de tristeza, de doenças, de morte, e, principalmente, de muito acolhimento e compreensão.

          Há muitos tópicos no filme para serem observados, que aos poucos, vão ser comentados no portal da maturidade.

          Sugiro um roteiro abaixo para assistirem ao filme, com o intuito de canalizarem sua atenção para os novos arranjos propostos:

1. Possibilidades de diferentes modelos de moradia na velhice, de preferência escolhidas pelo idoso: clínicas, casas de repouso, morar sozinho, famílias de amigos, comunidades de idosos.

2. Qualificação e atuação de cuidadores de idosos. A importância deles na casa do idoso.

3. Sexualidade – quebra do paradigma da velhice assexuada. O descaso dos médicos e a banalização do assunto pelos familiares.

4. Memória – intensa estimulação dos sentidos, aliada também a fatores emocionais, afetivos.

          Ao optarem pela “família de amigos” escolheram também garantir sua autonomia, por maior tempo possível, partilharem solidariedade, principalmente na hora da morte e frente à doença de Alzheimer.

          O filme termina com uma cena de compaixão e acolhimento que nos emociona muito.

          O que quero realçar nesse filme são os arranjos propostos, mas não significa que a “família de amigos” seja a única ou a melhor solução. É fundamental analisar cada caso exaustivamente, para vivermos mais felizes.