Em plena maturidade é muito bom e importante ajudar a construir a História da nossa Pátria através do voto.
Constatar que seus valores morais e éticos estão interligados com uma grande maioria de pessoas, clamando por mais transparência, verdade, justiça e honestidade no comando de nossa nação.
Sonhar com ideais altruístas e ter a chance de batalhar, com o nosso voto, fazem nosso coração disparar quando estamos frente a urna. É um exercício de cidadania único, intransferível, que não podemos nos abster.
Não há um só candidato pronto, perfeito. Mas há candidatos com boa índole, com vontade de mudar a direção, com melhores propostas para a educação, saúde e segurança no nosso país.
É necessário que nós tenhamos muita consciência nesse momento decisivo das nossas escolhas, pois elas deverão refletir nossa maturidade, nossos anseios por um país e mundo melhor.
Será nossa verdadeira herança para nossos descendentes. Vamos contracenar, votando!!
O segundo turno está próximo. Pense bem, reflita o que deseja como cidadão que já colaborou muito e que ainda deseja deixar sua marca nesse país e vote conscientemente, não pensando apenas em garantir a manutenção do seu emprego, ou em encher seus bolsos indignamente.
Vamos ser atores políticos. Vamos ajudar na grande mudança, votando. Essa grande mudança começa com cada um de nós.
Ou você prefere ficar sentado, alienado, enquanto outros indivíduos decidem por você?
“A vida começa com uma chegada. Termina com uma despedida…
A chegada e a partida fazem parte da vida. Como o dia, que se inicia com a madrugada alegre, com luzes, e termina com o sol que se põe, triste, final de luzes e cores que se vão. Preparamos com carinho e alegria, a chegada de quem amamos. É preciso preparar também, com carinho e tristeza, a despedida de quem amamos”.
(Rubens Alves)
Mas, dificilmente nos preparamos para as partidas.
Vamos vivendo o dia-a-dia, com as pessoas ao nosso redor, acostumando-nos com a rotina, sem enxergar a beleza e a cumplicidade que se estabelece entre os seres queridos.
Na maioria das vezes, somente a separação ou a perda nos sinalizam o quanto essas pessoas nos eram importantes, o quanto elas nos inspiravam segurança, carinho, amor. Ou, pelo contrário, o quanto nos permitimos ser dependentes e submissos a elas, por comodidade, ou por outros motivos.
Essas perdas, principalmente na maturidade, podem nos trazer muitas desacomodações, depressão e mudanças no estilo de vida que não queremos para nós, como morar com algum parente, ficar sozinha, ou estabelecer uma transferência de dependência para com os filhos.
Tudo dependerá de como você costuma reagir frente às vicissitudes da vida: enfrenta-as ou se acovarda, deixando que os outros continuem a resolver por você?
Para viver sem sofrimento é preciso se preparar para as partidas: aprender a desapegar-se.
Acumulamos muitos apegos no percurso de nossas vidas, tanto material como emocionalmente, e na maneira de pensarmos e agirmos. Somos condicionados pela família, pela cultura em que estamos inseridos, pela religião que praticamos, pela educação que recebemos. Esses valores vão se enraizando em nós e nem temos consciência de muitos deles.
É nos observando que vamos tendo consciência de como somos realmente. E vamos aprendendo a soltar algumas amarras. Isso é um treino que nos trará grandes benefícios para enfrentarmos momentos dificílimos, tal como a perda de entes queridos.
Não há como segurar a vida. Ela flue, ela tem seu ritmo, hora devagar, hora acelerado, criando sempre inúmeras possibilidades para aprendermos nos desapegar, principalmente da forma em que fomos condicionados a pensar.
No luto, quando a dor se acalmar, essas perdas de entes queridos podem ser um grande impulso para nosso autoconhecimento e, inclusive, despertar a coragem de sermos nós mesmos, descobrirmos nossa capacidade de resiliência.
Tudo dependerá da nossa reação frente a isso e de nossos olhos.
Não bastará abrirmos as janelas para ver as ruas, as casas, as árvores, os jardins ….Não é bastante não sermos cegos para ver tudo isso.
Quando nossos olhos deixarem de se fixar somente no passado, no saudosismo, em uma visão que já passou e não existe mais, e conseguirmos olhar o minuto presente, único, efêmero, constataremos que as ruas, as casas, os jardins continuam os mesmos e nada foi acrescentado, e no entanto, tudo está diferente, pois mudou o nosso olhar. Chegaremos a sentir a brisa, ou o calor intenso do dia, ficaremos fascinados com o anoitecer, com as primeiras estrelas surgindo no céu. Portanto, tudo mudou.
“A saudade nos faz relembrar vivamente fatos marcantes, inesquecíveis, gratificantes e também as pessoas queridas que perdemos”. (A. Monteverde). Tudo isso é nossa vida, e faz parte da nossa existência. Mas o saudosismo é ficar presa somente ao passado, a uma única possibilidade que já foi, e nos aprisiona a velhos paradigmas.
Vamos aprender o desapego antes das perdas, para que compreendamos as partidas, como algo inerente à vida: nascer, crescer, desenvolver e morrer. E agradecermos por temos compartilhado uma existência.
Sempre teremos em nossos corações as pessoas queridas que já não convivem conosco. E vamos redirecionar o leme das nossas vida, pois viver feliz é a melhor opção.
“Vai, portanto, come a tua comida e alegra-te com ela,
bebe o teu vinho com um coração feliz.
Veste-te sempre de branco
e que não falte óleo perfumado nos teus cabelos.
Goza a vida com quem amas todos os dias da tua vida…
Do início do século XX para cá, a expectativa de vida quase dobrou. As pessoas envelhecem mais tarde, o que aproxima as gerações. Os mais novos têm mais contato com os mais velhos.
A revolução feminina, que inseriu a mulher no mercado de trabalho, entre outras coisas, também é responsável pela transformação do modelo de avó.
Hoje a vovó além de trabalhar, estuda, tem vida ativa, é vaidosa, se cuida mais.
Está mais sintonizada com os acontecimentos da vida dos netos, inclusive, está inserida no mesmo universo deles. Isso tráz uma intimidade maior entre eles.
A avó de ontem tinha como atividades principais cozinhar para a família, ver tv por longos períodos, tricotar e mimar os netos. Atualmente, as avós têm como atividades principais trabalhar, passear com as amigas, praticar exercícios físicos, experimentar coisas novas e mimar os netos.
Antes, faziam as coisas pelos netos. Hoje, fazem coisas com os netos.
Anteriormente, mesmo bonita, já não cultivava mais a vaidade, prezando pelo conforto e praticidade. Agora é vaidosa, cuida do corpo e está sempre arrumada, dificilmente deixa os cabelos brancos.
Não tinha tanto interesse pelas novidades e modernidades; o convívio com os netos era ao vivo, geralmente. Atualmente é conectada, adora a internet e a usa a seu favor para ficar mais próxima de quem ama, trocando e-mails e mensagens com os netos, e vendo-os no skype.
As avós de antigamente eram caseiras, dependentes. Aos 60 anos já estavam aposentadas. Atualmente são bem mais independentes, trabalhadoras, estudam.
E, mais do que nunca, as avós atuais são inovadoras, porque estão recriando seu papel junto aos netos e à família.
Não é tão fácil assim sair de um paradigma de avó para outro. Mudar as crenças e sair da comodidade exige esforço, novas aprendizagens. Mas, tratando-se de melhorar nosso relacionamento e diálogo com os netos, tudo passa a ser um desafio desejável.
Minha primeira netinha nasceu dia 4 de junho, à noite, em Barcelona. É uma espanholinha e seu nome é Maia Pelloso Alvarez.
Adoraria estar pertinho dela e dos seus pais no momento do nascimento. Não foi possível, mas estamos participamos ativamente de tudo até então, através das tecnologias da informática: WhatsApp e Skype. Com fotos, conversas e vídeos, estamos curtindo cada momento da vinda da Maia.
É como se estivéssemos lá, rindo, chorando juntos de alegria e felicidades. Só não podemos ainda abraçar a todos.
Incrível como a internet nos dá essa possibilidade de união, onde quer que se esteja, dividindo tanta felicidade.
Os avós de hoje têm que compreender toda a complexidade da vida dos filhos, da realização dos sonhos e metas deles, e apoiá-los incondicionalmente. E aprender a ser uma avó amiga, dar amor de vó com muito açúcar mesmo longe ou pertinho dos netos.
A yoga é uma especialidade que une ensinamentos espirituais com respiração, meditação, por meio de posturas físicas, para nos ajudar a encontrar nossa força e nossa paz interior.
Fui exercitá-la há poucos anos por insistência de um filho. Eu estava em um período de mudanças, praticamente deixando de lecionar, ansiosa, cansada, e, como sempre, num ritmo muito acelerado.
Quão bem me fez conhecê-la!
Nas primeiras aulas, foi um desafio: desacelerar!!! Até que aos poucos, fui gostando de me sentir mais calma, mais confiante na vida e com uma respiração mais profunda.
No início e no final da aula, ao som de músicas suaves, temos uns minutos para relaxar nosso corpo físico, nos preparando para os exercícios respiratórios e posturais que vêm a seguir.
Aprendi que o importante é o nosso autoconhecimento. Cada um no seu limite, sem se preocupar quantas vezes repetimos a seqüência, mas fazendo-a com calma, deixando a mente se esvaziar, vivendo o aqui-agora, para receber o fluxo das energias.
Fazemos alongamentos imitando os animais, e cada qual, tem uma serventia diferente; posturas de equilíbrio, como a do Guerrreiro. E uma das mais importantes é a seqüência da Saudação do Sol, onde sentimos uma enorme vitalidade se espalhando pelos nosso corpos.
Sempre há uma leitura pela professora enquanto repousamos, para nos estimular a viver bem, em paz conosco.
Em algumas aulas há momentos de meditação induzida, e depois partilhamos as experiências vivenciadas.
Geralmente saio das aulas com tranquilidade, confiante na vida e com pensamentos positivos para solucionar todos os desafios do cotidiano.
A yoga na maturidade me trouxe um equilíbrio interno intenso. Está me auxiliando a trilhar o caminho natural da existência sem pressa, valorizando cada momento vivido, as pequenas coisas do dia-a-dia, onde repousa a felicidade.
É com alegria que externo minha gratidão aos amigos que partilham comigo do Portal da Maturidade.
Como Terapeuta e Gerontóloga, manifesto-me nesse Portal, como um Cuidador. O Cuidado é a verdadeira essência do ser humano. Se estamos juntos, por meio do Portal da Maturidade, é porque estamos sendo cuidados, de alguma forma.
Um dos objetivos desse Portal é ser um local de acolhimento para cuidar e cuidar-se, respeitando todas as dimensões do ser humano: físico, psíquico, emocional e também considerar que somos seres espirituais.
Vou expressar a fábula do Cuidado, por meio das palavras de Leonardo Boff, no seu livro Saber cuidar, que recontou de Julius Hyginus, acerca de dois milênios:
Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma idéia inspirada. Tomou um pouco do barro e começou a dar-lhe forma.
Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter.
Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele. O que Júpiter fez de bom grado.
Quando , porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome.
Enquanto Júpiter e o Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.
De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Ele tomou a seguinte decisão que pareceu justa:
“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito, por ocasião da morte dessa criatura”.
Você, Terra, deu-lhe o corpo; recebera, portanto, também de volta o seu corpo, quando essa criatura morrer.
Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver.
E uma vez que entre vocês há acalorada discussão acerca do nome, decido eu: esta criatura será chamada HOMEM, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil”.
Nessa comemoração, faço do Portal da Maturidade um Jardim acolhedor que nos reencanta para a Vida, principalmente na maturidade, e, para que todas as sementes jogadas de conhecimentos e amor em cada um de vocês possam germinar e florescer num novo olhar, numa nova escuta e em novas possibilidades de viver.