“E chegou o dia em que o risco de continuar apertado num botão ficou mais doloroso do que o risco de desabrochar.”
Anaïs Nin
Esperamos ansiosamente a chegada da primavera!
Acordamos e vemos tudo mais colorido. Parece ser um passe de mágica, apesar de não ser bem assim. As árvores se vestem majestosamente de amarelo, vermelho, múltiplas cores; os jardins se ornamentam para receber nossos olhares admirados e as flores, além de suas belezas, muitas vezes exóticas, exalam seus perfumes inigualáveis! Mas houve um trabalho silencioso anteriormente, para que todas essas belezas surgissem.
Tudo para nos alegrar,para nos deixar felizes!
Uma cornucópia cheia de flores, simbolizando amor e abundância é voltada sobre a Terra na entrada da primavera. É o presente de Grande Mãe Natureza para seus filhos. A chuva desce e rega a terra para que as sementes cresçam, se abram e floresçam nessa época.
E como respondemos a todo esse Amor?
Que semente(s) vamos plantar em nós mesmos, para florescer ainda nessa primavera?
Nossa vida e nossa felicidade são muito importantes.
Para que não percamos de vista essa semente que escolhemos, vou dar uma dica: plantemos uma muda pequenina de alguma erva medicinal ou flor, e vamos cuidando dela todos os dias, regando-a, conversando com ela, como se fosse a qualidade que queiramos que floresça em nós. Vamos fazer de tudo que estiver ao nosso alcance para que essa mudinha cresça e se transforme numa bela planta.
Muitas foram as primaveras que já passamos encerradas em um botão, mas vamos fazer dessa primavera de 2013, uma primavera especial, sem medo de desabrochar.
O ambiente foi preparado de maneira bem acolhedora, com uma mandala de alecrim no centro do grupo, para trazer otimismo, vigor e alegria. E à sua volta, várias mandalas de papel .
A turma foi chegando de mansinho e nos presenteando com docinhos super saborosos, melissa natural e galhos de orquídeas. E um chá perfumado de rosa silvestre com hibisco. Logo no início já reinava muita harmonia. Sinto que o GRUPO se formou.
Acomodadas no círculo, iniciei o trabalho com uma meditação de mandala da natureza. Escolhi a “A Árvore após o vento e o repouso em meio à mudança”, para ampliarmos a consciência e encontrarmos a paz de espírito nas belezas naturais:
Pense em uma árvore açoitada pelo vento de outono, suas folhas marrons ou castanho-avermelhadas agitando-se para lá e para cá, muitas vezes se tocando ou se desprendendo dos galhos. Essa é a imagem das frívolas preocupações que você tem. Agora imagine o vento diminuindo e os galhos da árvore aos poucos se agitando, até parar de se movimentar. Umas poucas folhas ainda flutuam em direção ao solo, mas essas são as últimas a cair. O ar agora está parado e tudo está calmo.
A árvore continua majestosa, sendo gloriosamente ela mesma, apesar de ter perdido muitas de suas folhas. Ela agora está tão quieta que você consegue ouvir até mesmo os cantos dos pássaros – e reconhece o canto de um bem-te-vi. As suas preocupações caem por terra, assim como as folhas caíram da árvore. Você está em paz.
Em seguida, uma pessoa de cada vez, escolheu uma mandala que estava na roda do centro, para pintá-la, colocando toda sua emoção do momento.
Quando estavam pintando, podia-se notar uma grande concentração e silêncio. Muitas participantes comentaram que não pintavam desde seus tempos de escola, há mais de 50 anos, que tampouco com os netos faziam isso e gostaram de resgatar essa possibilidade. Brinquei com elas, dizendo que o Dia das Crianças estava chegando, e era hora de presentear a Criança Interior delas, dando-lhes uma caixa de lápis de cor para elas se divertirem.
Deram um nome para suas mandalas: Amor – Perseverança – Alegria – Sentimentos contraditórios – Gratidão – Girassol – Desabrochar – Esperança – Infância – Olho de Bem-Te-Vi e partilharam que se sentiam em paz, tranquilas e confiantes.
Algumas das participantes contaram mudanças importantes e benéficas que estão ocorrendo com elas e nas famílias, e assim, fechamos a reunião com uma prece de agradecimento e muitos abraços.
Como uma árvore, sermos sacolejados por uma tempestade e após o vento, ganhos e perdas, prazer e tristeza, que vêm e vão como o vento, repousar em meio à mudança.
E o projeto acolhimento continua ….até a próxima quinta-feira
Muitos são os caminhos que podemos usar para nossa cura e para ajudarmos as pessoas. Um deles é por meio de contar histórias, contos, parábolas e anedotas. Reviver a antiga tradição humana de se utilizar expressões gestuais e verbais e de contar histórias para transmitir sabedoria e provocar modificações nos ouvintes.
As histórias, contos , quando utilizadas adequadamente, funcionam inconscientemente como metáforas terapêuticas cujo poder auto-organizador provoca espontaneamente mudanças substanciais nas pessoas.
Na maioria das sessões terapêuticas que atuo, termino a atividade contando uma história para o paciente, escolhida por ele em um dos livrinhos que lhe apresento. É incrível a sincronicidade que acontece entre o que comentamos na sessão e a mensagem da história lida.
Cada história possui um valor terapêutico próprio. E a sua utilização para melhorar a nossa saúde ou de outra pessoa não possui nenhuma complexidade. Esse é o seu encanto!
Não é necessário nenhum curso, estudo em literatura para utilizá-las em nosso benefício ou de outrem. Basta simplesmente ler a história para que seu conteúdo terapêutico penetre, produzindo, espontaneamente, mudanças benéficas.
Na Antroposofia, não costumamos “comentar” sobre a história lida. Ela , por si, tem seu encanto transformador.
Essa tradição de contar histórias está muito esquecida na atual sociedade, devido o uso de tecnologias mais rápidas, como celulares, tablets, notebooks, e na grande maioria, instrumentos utilizados individualmente.
O calor humano e a emoção transmitidos pelo fato de estarmos juntos ao contar ou ouvir uma história, em um ambiente acolhedor, duplicam os benefícios da história.
Acredito que na maturidade temos um pouco mais de tempo e interesse em lermos histórias para nosso autoconhecimento, como também para contarmos para os netos, principalmente na hora de dormir. A noite será cheia de aprendizagens, cura e o sono será muito mais tranquilo.
Segue uma história para desfrutarmos dos seus encantos. Antes de ler, vamos escolha uma música relaxante para nos acompanhar durante a leitura.
“Conta-se que havia dois mosteiros vizinhos, cujos mestres tinham meninos de recados. Os dois meninos costumavam ir ao mercado buscar legumes ou outras coisas para os mestres. Esses mosteiros eram antagônicos entre si, mas meninos são meninos. Esqueciam-se de suas doutrinas e encontravam-se no caminho para conversar e se divertirem juntos. Estavam proibidos de conversar, pois os mosteiros eram inimigos.
Um dia, o menino do primeiro mosteiro disse ao seu mestre: “Estou confuso. Estava indo ao mercado quando vi o menino do outro mosteiro e lhe perguntei aonde estava indo. Ele respondeu: “Para onde o vento soprar”.
“Fiquei sem saber o que dizer; ele me confundiu”. O mestre disse”Isso não é bom. Ninguém do nosso mosteiro foi alguma vez derrotado por alguém do outro, nem mesmo um empregado. Portanto, você tem de acertar as contas com esse menino. Amanhã, pergunte novamente aonde ele está indo. Quando ele disser: “Para onde o vento me soprar”, você dirá: “E se não tiver vento?”
O menino não conseguiu dormir a noite toda pensando no que aconteceria no dia seguinte. Ficou ensaiando muitas vezes como falaria com o outro garoto. No dia seguinte, esperou na beira da estrada. Quando o outro menino chegou, o primeiro perguntou: “Aonde você está indo?” O garoto respondeu: “Aonde meus pés me levarem”. O primeiro menino ficou novamente sem saber o que dizer. Sua resposta estava preparada. Mas a realidade é imprevisível. Ele voltou muito triste e disse ao mestre: “Aquele menino não é digno de confiança. Ele mudou, e eu fiquei sem saber o que fazer”.
Então, o mestre disse: “Da próxima vez, quando ele responder: “Aonde meus pés me levarem”, você dirá: “E se você ficar aleijado ou suas pernas forem cortadas?” Novamente o menino não pode dormir. De manhã cedo, foi esperar o outro na estrada. Quando ele chegou, o primeiro menino perguntou: “Aonde você está indo?” E o menino respondeu: “Buscar legumes no mercado”. O primeiro menino ficou atrapalhado e foi dizer ao mestre: “Esse menino é impossível! Está sempre mudando!“
A vida é aquele menino.
(Conto da tradição zen-budista)
Se quiser, poderá partilhar no portal o que sentiu ou sua alma aprendeu com essa história. Somos seres em evolução.
e não há ofensa para si ou para outros em abandoná-lo se é
isto que o seu coração diz a você… Olhe para cada caminho, bem de perto, estudando-o
cuidadosamente. Experimente-o quantas vezes você
achar necessário. Então pergunte a você mesmo, e
somente a você mesmo uma questão …Esse
Caminho tem um coração?
Se ele tem, é um bom caminho; se não tem, é inútil.
(D. Juan, “brujo” Yaqui, orientador de Carlos Castaneda)
Iniciamos hoje, dia 12 de setembro, relembrando nossa trajetória até então, devido termos recebido três companheiras novas. Após as colocações delas e o acolhimento do grupo, apresentei um novo caminho para darmos continuidade às nossas curas e despertar espiritual, por meio de contos.
A Antroposofia nos diz que quando pequenos, queremos ouvir a mesma história durante muito tempo. E que devemos repeti-la até um dia dizermos chega! Isso se deve ao fato de que nessa história que escolhemos contém o elemento que falta à nossa alma. Com a repetição da história, nossa alma vai se completando.
Também nos afirma que a cada 7 anos nossa alma evolui, mudando de ciclo. E as histórias também mudam para nos fortalecer e curar.
Então, pedi para alguém abrir um livrinho de histórias para lermos a HISTÓRIA DO GRUPO, ao som de uma música curativa denominada Consertando Corações. A história escolhida, pela nova participante, foi “O que é o amor?”
Numa sala de aula, uma das crianças perguntou à professora:
_ Professora, o que é o amor?
Ciente da importância da resposta que deveria dar, a professora aproveitou o intervalo para o recreio e pediu que cada aluno trouxesse, no retorno, algo que expressasse nele o sentimento de amor.
Ao voltarem, a professora pediu que cada um mostrasse o que trouxera:
_ Eu trouxe esta flor, não é linda? – disse a primeira criança.
_ Eu trouxe esta borboleta. Vou colocá-la em minha coleção. – disse a segunda.
_ Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é bonitinho?! – disse a terceira criança.
E assim, as crianças iam mostrando o que tinham trazido, cada uma mais contente que a outra. Aí, a professora notou, no fundo da sala, uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo, vermelha de vergonha, pois nada havia trazido. A professora, então, se dirigiu a ela e perguntou;
_ Meu bem, por que você não trouxe nada?
E a criança ameaçando choro respondeu:
_ Desculpe professora. Vi a flor, senti seu perfume e pensei em arrancá-la, mas fiquei com pena de matá-la e deixei-a para trás. Depois, vi também a borboleta, linda, colorida. Parecia tão feliz voando que não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho caído, mas olhei para o ninho e vi sua mãe olhando tão triste que resolvi devolvê-lo ao ninho. Portanto, trouxe o que não posso lhe dar: o perfume da flor, a liberdade da borboleta e a gratidão que senti no olhar da mãe do passarinho. Foi por isso que não trouxe nada.
A professora agradeceu e deu àquela criança a nota máxima.
O amor verdadeiro é aquele que trazemos no coração.
Depois fechamos o trabalho com muita gratidão e com aquele chá cheiroso e pãezinhos de mel. Bom demais!
E o projeto continua …. até a próxima quinta-feira!
Iniciamos com a leitura de uma frase que reflete o que vamos fazer no dia:
“Ofereço a minha cura, o amor e a luz a qualquer pessoa ou coisa que esteja aberto para recebê-los.
Sou um canal de amor. Estou aberto para dar e receber amor em todos os seu gloriosos aspectos.
E assim é”.
Tocar nossas próprias mãos, conhecer sua sensibilidade e sua força, a cura que elas podem oferecer é acreditar que somos capazes de grande ajuda para o próximo.
Trabalhamos em duplas num círculo, para aprendermos como estimular o corpo da pessoa cuidada, para ela se sentir acolhida, amada e garantir o maior tempo possível a memória do seu corpo, pelo toque do outro; para garantir também sua autonomia para realização de pequenas tarefas que consegue executar.
Propiciamos estimulações físicas, com bolinhas de borrachas, pequenos aparelhos de madeira para diluir tensões e provocar relaxamentos, tudo acompanhado de uma música suave, flores e aromas variados, desde o chá de melissa e laranja até o aromatizador do ambiente de bambu. Aguçamos todos os sentidos: olfato, visão, audição, tato e paladar. Uma aprendizagem e um treino para nossas mãos saberem como e onde tocar nossos corpos, sem muita pressão, mas com movimentos firmes e posteriormente, relaxantes. Criamos um ambiente ao mesmo tempo estimulante e relaxante.
Todo esse preparo sensorial do ambiente favorece a estimulação cerebral e na medida do possível, deve ser providenciado em casa, quando o cuidador fará as estimulações na pessoa cuidada.
Foi uma tarde tranquila, e acabamos com uma prece de gratidão por estarmos nos sentindo tão bem.
Recebemos a visita de uma amiga e Terapeuta-Ocupacional, cuja mãe participa do nosso projeto. Muitas vezes é difícil para os filhos exercerem suas habilidades profissionais com seus pais. O fator emocional interfere muito. Não há porque se culpar. Somos seres em construção, com aprendizagens mais fáceis, outras mais difíceis. O importante é estarmos em movimento, sempre em espiral, evoluindo, se conscientizando de novas possibilidades.
Ah, no final, vieram dois amiguinhos nos trazer muita alegria e risos: Tufão e Marieta! Dois cachorrinhos lindos que se gostaram muito! Amigos!
E o projeto continua… todos serão bem-vindos! Até a próxma quinta-feira.