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Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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O Mito da Maturidade Assexuada

Sexualidade_Maturidade          Sexualidade é o produto final de um longo e natural processo de desenvolvimento que começa no nascimento e envolve quem somos, o que somos e como lidamos com isso, numa relação afetiva interpessoal.

          A pessoa envelhece com desejo afetivo sexual, mas seu comportamento muitas vezes não demonstra esse desejo, porque incorpora os mitos e preconceitos acerca da velhice.

          A família interfere muito na possibilidade da vivência da sexualidade na maturidade. Geralmente mantém o mito da maturidade assexuada, colocando os pais sob seus cuidados, havendo uma inversão de papéis, onde os filhos passam a controlar a afetividade dos pais. A dificuldade deles em expressar sua sexualidade aumenta quando eles passam a morar com os filhos, pois perdem a privacidade. E a própria família, com filhos e netos, fomenta o preconceito contra o casal sexualmente ativo, fazendo comentários e piadas constrangedoras. Em decorrência disso, o casal assume o papel de avós, cujo sentido da vida é cuidar dos netos.

          A sociedade também reforça o mito da maturidade assexuada, fazendo com que se envergonhem dos seus desejos sexuais, à medida que enfatiza, na mídia, a beleza física do jovem, desvalorizando o corpo envelhecido. O efeito dessa visão social é o grande investimento das mulheres em plásticas e cosméticos para manter a jovialidade por mais tempo. E no homem, o efeito psicológico de se sentir diminuído, inseguro por tantas pressões sociais impostas.

          A religião, quase sempre muito conservadora, também inibe a demonstração afetiva e sensual na maturidade.

          A maioria das pessoas pensa que quando se aposenta do trabalho, tanto o homem como a mulher estão se aposentando também da vida: da alegria, dos prazeres, dos carinhos, da intimidade homem/mulher.

          Há também o silêncio dos médicos, que não se sentem confortáveis em abordar a sexualidade dos seus pacientes envelhescentes, retirando-lhes uma grande oportunidade de receberem informações corretas e que lhes ajude a desfrutar dos prazeres do sexo na maturidade.

          Por outro lado, vê-se ultimamente, os mais velhos serem provedores financeiros de filhos adultos, e fazendo viagens, participando de cursos universitários e atuantes na comunidade. A maturidade começou a mudar, com o envelhescente sendo sujeito de seus atos, sem dependências financeiras dos familiares e fazendo suas escolhas. Esse novo modelo está trazendo novas formas de relacionamentos afetivos e sexuais. Cabe a essa nova população quebrar preconceitos e achar novos caminhos para ser feliz e viver plenamente sua sexualidade.

          Falar em sexualidade na maturidade é construir um novo paradigma de envelhecimento, com novas possibilidades de viver feliz e prazeirosamente, com carinho e amor.

          Jack Messy, psicanalista e estudioso do envelhecimento, no seu livro “A pessoa idosa não existe”, diz que envelhecemos conforme vivemos. Ressalta a importância das pessoas se conscientizarem da necessidade de cuidar sempre da sua saúde física, emocional, psicológica desde cedo, para conseguirem, ao longo de suas vidas, a construção uma velhice saudável, com muitos ganhos: de alegria, inclusão, prazer e possibilidade de usufruirem sadiamente sua sexualidade.

 


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Visão da Antroposofia para o significado espiritual do Perdão

“Aquele que realmente conhece Deus não achará necessário perdoar a seu irmão, só precisará perdoar a si mesmo, por não haver perdoado bem antes.”

                                                                      Leon Tostoi

 

Perdao_Maturidade          A Antroposofia, moderna Ciência Espiritual, aborda o ato de perdoar como um caminho para os seres humanos despertarem sua atividade individual interior.

          Perdoar é tornar possível permanecer espiritualmente com as pessoas e continuar perdoando-as de novo e de novo, esperando pacientemente até que elas tenham adquirido consciência da absoluta necessidade da iniciativa espiritual individual para a evolução da humanidade.

          É ficar atento ao chamado interior que ressoa no mundo para todo ouvido espiritualmente aberto, no sentido de perdoar sempre de novo, mesmo nas menores coisas, o ser humano que está ao nosso lado.

          O perdão é parte essencial do caminho moderno rumo ao Cristo e ao mesmo tempo, uma transformação completa do nosso próprio ser.

          Uma primeira fase do perdão é desenvolver a tolerância, treinando para perceber em cada ser e em cada processo do mundo exterior, em primeiro lugar, seu lado positivo e suas qualidades. É enxergar nas pessoas aquilo que elas têm de bom. Todos temos uma essência amorosa, que muitas vezes foi encoberta pelas vicissitudes da vida, mas é uma luz que não se apaga jamais. Dado a força do egoísmo que habita constantemente no homem de resistir ao perdão de todas as maneiras possíveis, seu eu inferior está sempre inclinado ao rancor e a culpar o outro.

          É necessário ampliar nosso olhar e isso só é possível mediante o desenvolvimento de um intenso pensar moral, ou seja, resgatar valores éticos adormecidos , assumir responsabilidade pelo que pensamos, sentimos e agimos no mundo, tendo uma férrea vontade para autossuperação que conduz à vitória do superior sobre o inferior e portanto, perdoar.

          A segunda etapa desse caminho é a natureza essencial do perdão, que nada mais é senão um ato de tolerância mais elevado, mais potencializado.

          Nessa fase o perdão tem o caráter sacrifical, pois quando perdoamos verdadeiramente, não apenas decidimos , esquecer o que o outro nos fez, mas o grande sacrifício é assumir para si, voluntariamente, a obrigação de restituir ao mundo tanto bem e tanto amor, compaixão, bondade quanto foi retirado objetivamente dele pela ação má ou imoral. Esse é o verdadeiro perdão.

          Então, as duas condições fundamentais para o perdão – esquecer o mal a que foi submetido e lembrar constantemente a necessidade de trazer amor e bondade ao mundo como o único meio de superar as consequências do mal no mundo – equivalem, na vida, ao Caminho dos Apóstolos, para nosso despertar espiritual.

          Assim, cada pessoa tem em sua vida, mediante sua capacidade para o perdão, um modo de verificar a medida da presença e do amadurecimento do Eu Superior dentro de si.

 

 Sugestão de leitura: O significado oculto do perdão

Sergei O. Prokofieff

 


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A síndrome do ninho vazio

          A síndrome do ninho vazio pode acontecer em um momento da nossa vida, quando os filhos saem de casa para estudar em outro país, ter sua própria moradia…enfim, quando corta-se o cordão umbilical com os pais.

          Esse momento é muito dificultoso, sofrido para os pais? Ou pode ser um oportunidade para eles se redescobrirem, traçarem novas metas?

          Segue um vídeo para ajudar-nos a refletir mais sobre este tema.

 


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Sobre o nosso Medo

“Nosso medo mais profundo

Não é o de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo

É que somos poderosos além de qualquer medida.

É a nossa luz, não as nossas trevas,

O que mais nos apavora.

Nós nos perguntamos:

Quem sou eu para ser Brilhante,

Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?

Na realidade, quem é você para não ser?

Você é filho do Universo.

Você se fazer de pequeno não ajuda o mundo.

Não há iluminação em se encolher,

Para que os outros não se sintam inseguros

Quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar

A glória do Universo que está dentro de nós.

Não está apenas em um de nós: está em todos nós.

E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,

Inconscientemente damos às outras pessoas

Permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos do nosso medo,

Nossa presença, automaticamente, libera os outros.”

 

Nelson Mandela

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A Escada dos Medos e do Desejos

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Relativity – M. C. Escher

          Nós evoluímos através do desejo e do medo. Não há medo sem desejo escondido e não há desejo que não traga consigo um medo. O medo e o desejo estão sempre ligados.

          Temos medo do que desejamos e desejamos o que nos faz medo.

          Vamos imaginar nossa vida como uma escada. Estamos sempre subindo novos degraus, como uma representação de uma nova etapa, que nos traz um novo nível de consciência. Nossa visão se amplia conforme vamos subindo nessa escada.

          Algumas vezes paramos em algum degrau, voltamos para outros, sem cessar, e descobrimos que existem vários níveis de consciência. E em cada nível nós sentiremos medo e desejo. Medo de não conseguir, de fracassar, de não atingir o objetivo que tanto desejamos para nós. E sentimos que nos paralisamos em um degrau e nem tentamos outros.

          Para que consigamos caminhar na estrada da nossa vida é preciso soltar as amarras que nos prende: nossos medos, que , muitas vezes inconscientes, atuam nas nossas posturas, nas nossas emoções.

          Não é preciso ter medo de ter medo. O medo é normal e o fato de aceitá-lo já o torna menos poderoso. São muitos os medos que se manifestam em nós. Na maturidade, podemos citar alguns, como:

  • medo das doenças degenerativas: Alzheimer, Parkinson.
  • medo da demência.
  • medo de perdas de entes queridos.
  • medo de perder a autonomia física, financeira.
  • medo de não ser amado, de não ser acolhido e protegido.
  • medo de ser abandonado, da solidão.
  • medo de perder a virilidade.
  • medo de depressão.
  • medo de não saber lidar com as encruzilhadas da vida: aposentadoria (perda de status, às vezes de identidade e de rebaixamento financeiro), doenças como câncer, artrose, diabetes, cardiovasculares.
  • medo da morte.
  • medo de se arriscar.

          Esses medos que afloram na maturidade são advindos de todas as experiências vividas ao longa da vida, muitos remanescentes da infância, sufocados, mal resolvidos, inconscientes, como também devido a relacionamentos familiares conflitivos, ou perdas muito significativas.

          Há também os medos dos estigmas da velhice, reforçados pela nossa sociedade: a passagem da maturidade para a velhice como um caminho para a morte, doenças e solidão. E os novos medos, que estão surgindo de uma longevidade alcançada: como viver até os 100 anos com qualidade de vida? Como conviver com diferentes gerações e diferentes paradigmas culturais e sociais?

          Como podemos fazer para que nossos desejos sejam mais fortes do que nossos medos? Como alimentarmos e fortalecermos esses desejos para que nos impulsionem e não nos deixem desistir de nossos sonhos?

          Para isso, trabalhar com os medos na maturidade é ter oportunidade de evoluir mental, emocional e espiritualmente, elevando cada vez mais o nosso nível de consciência.

          Participar da Gerontologia Educacional é uma possibilidade para as pessoas na maturidade encontrarem soluções mais saudáveis e adequadas para conseguirem a vitória dos desejos sobre os medos, para viverem com bem menos medo das sombras que envolvem a maturidade.