Portal da Maturidade

Tudo sobre Maturidade, por Mariúza Pelloso Lima


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“Longe Dela” – Apreciação do filme

Longe_Dela_Maturidade          O filme nos mostra quando se inicia a perda da memória de uma pessoa portadora do Mal de Alzheimer, no caso, Fiona (Julie Christie), que era casada há 45 anos com Grant (Gordon Pinsent). E como essa demência vai progredindo, causando embaraço para Fiona, ela opta por morar em uma clínica e receber pronto atendimento.

          É fato que temos retido em algum lugar da nossa mente fatos, sensações e emoções que, embora não conscientes, afloram repentinamente, por alguns minutos, para desaparecerem outra vez. Essas fagulhas de consciência valem ouro para quem ama Fiona e deseja , de qualquer maneira, partilhar desses reencontros esporádicos mais uma vez.

          É impressionante a capacidade humana de amar, perdoar, mesmo na demência. Então, uma pergunta se faz: será que é preciso “perder” seu ente querido para descobrir o quanto o ama?

 


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No mundo, sem memória recente… Alzheimer

Alzheimer_Maturidade          O Mal de Alzheimer ou Doença de Alzheimer é assim denominado em função de ter sido pela primeira vez descrito em pesquisas do psiquiatra alemão Alois Alzheimer, que citou este tipo de doença em 1906. Ainda há aspectos para desvendar sobre este mal que afeta cerca de 25 milhões de idosos no mundo inteiro.

          O Alzheimer é uma doença tratável, apesar de ser degenerativa e incurável. É também a principal causa de demência em idosos, distúrbio caracterizado pela perda progressiva das capacidades cognitivas. Estima-se que, no Brasil, há por volta de um milhão de portadores de Alzheimer, que buscam por tratamento por meio de medicação e acompanhamento diferenciado.

          Viver num mundo sem memória para acontecimentos recentes pode causar alterações de comportamento como: depressão, agitação, confusão e desorientação,ações repetitivas, perda da capacidade de executar tarefas rotineiras, delírios, alucinações, caminhar sem rumo, agressividade.

          Nem toda demência é Alzheimer. Há muitas formas de demências. Não há um diagnóstico preciso, mas existem alguns “sintomas-chave”que ajudam a elucidar essa demência.

          Posteriormente comentarei sobre as causas e sintomas do Mal de Alzheimer.

          O que pretendo realçar, no momento, é o impacto sobre a família quando recebe essa notícia. Para quem sofre a doença é difícil, mas para a família é muito mais. Há revolta, negação, até compreender que o ente querido afetado precisa de muita ajuda, o quanto antes, para ser tratado clínica e emocionalmente. Geralmente, a pessoa com perda anormal de memória não percebeu sua condição atual. Se a família fizer de conta que não vê, não irá reverter o problema, apenas agravá-lo.

          Por isso, é importante conhecer tudo o que puder sobre a doença, para lidar melhor com os sintomas e cuidar bem do ente querido acometido por ela.

          Desenvolver empatia é fundamental para entender a pessoa. Colocar-se no seu lugar, entrar na sua fantasia, e, em determinados períodos, vivenciar essa fantasia como uma ponte de comunicação amorosa com a pessoa que já está ausente da realidade.

          Fase dificílima para a família que percebe que seu ente querido não se reconhece mais como mãe, ou pai, e que essa perda de identidade significa uma perda irreparável. Quem é essa pessoa agora?

          É um período de luto da família sem que o ente querido tenha falecido. Morreu o personagem! Mas a pessoa está ali, viva, diferente, confusa… O que fazer?

          Acolhê-la de todas as maneiras é o caminho saudável para todos. Fazê-la sentir que há amor à sua volta, há aliados para sua atual comunicação, que, na maioria das vezes, regride ao passado. Compreendê-la como criança, ou outro personagem de que esse ente querido se apropria.

          Conversar, cantar com ela, ler histórias, distraí-la, brincar, acalmar, suscitar emoções positivas e, mais do que tudo, compreender seus sentimentos, pois quando essa pessoa agredir, lembre-se de que não é ela que o está fazendo, mas a doença.

          Não há soluções mágicas. Aprende-se com choros, tristezas, como também com alegria ao ver nosso ente querido sorrir, dormir calmamente, brincar com você, pelo tempo que puder haver participação.

          O caminho é o amor! Doe, doe, doe e seu ente querido, apesar de não poder expressar, terá uma gratidão eterna por você.

 

 


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Novos Arranjos

E_Se_Vivêssemos_Todos_Juntos_Maturidade

Uma apreciação do filme “E se vivêssemos todos juntos?”

Produtor – Stéfane Robelin

 

 

 

 

          “Novos arranjos” é uma denominação para mostrar diferentes soluções mediante novos desafios com que as pessoas se deparam na velhice.

          Refletir sobre a velhice é algo amedrontador, angustiante para a maioria das pessoas, pois o estigma e o medo fazem com que a enxerguemos com muitas perdas e sofrimentos.

          Há muitas maneiras de envelhecer, de acordo com o jeito de ser de cada um, seu temperamento, seus interesses, etc. Existem milhões de velhices, tanto quanto o número de velhos.

          O filme selecionado “E se fôssemos viver todos juntos” apresenta a possibilidade de dois casais e um senhor, todos com mais de 70 anos, amigos há mais de quarenta anos, morarem juntos, cada um com sua problemática da idade.

          Formam uma “família de amigos”! Escolheram-se para partilhar momentos de alegria, de descontração, de reflexão, de tristeza, de doenças, de morte, e, principalmente, de muito acolhimento e compreensão.

          Há muitos tópicos no filme para serem observados, que aos poucos, vão ser comentados no portal da maturidade.

          Sugiro um roteiro abaixo para assistirem ao filme, com o intuito de canalizarem sua atenção para os novos arranjos propostos:

1. Possibilidades de diferentes modelos de moradia na velhice, de preferência escolhidas pelo idoso: clínicas, casas de repouso, morar sozinho, famílias de amigos, comunidades de idosos.

2. Qualificação e atuação de cuidadores de idosos. A importância deles na casa do idoso.

3. Sexualidade – quebra do paradigma da velhice assexuada. O descaso dos médicos e a banalização do assunto pelos familiares.

4. Memória – intensa estimulação dos sentidos, aliada também a fatores emocionais, afetivos.

          Ao optarem pela “família de amigos” escolheram também garantir sua autonomia, por maior tempo possível, partilharem solidariedade, principalmente na hora da morte e frente à doença de Alzheimer.

          O filme termina com uma cena de compaixão e acolhimento que nos emociona muito.

          O que quero realçar nesse filme são os arranjos propostos, mas não significa que a “família de amigos” seja a única ou a melhor solução. É fundamental analisar cada caso exaustivamente, para vivermos mais felizes.