Hoje, dia 15 de agosto, aconteceu a nossa segunda reunião do Projeto Acolhimento, em uma tarde fria, com garoa, mas um encontro aquecido pela solidariedade e paixão de viver. E pelo chazinho de maçã super quente!!
Recebemos três novos participantes que trouxeram mais ânimo ainda para continuarmos nessa proposta.
Nossas reflexões caminharam para quando a pessoa inicia e/ou intensifica a violência, principalmente com o cuidador (esposa ou marido). Como agir? Recorrer a quem no momento que que estão sozinhos? Quando medicar? Internar?
Sabendo do efeito dos medicamentos, surge a dificuldade de administrá-los, na esperança de ter mais um pouco de tempo de lucidez com o ente querido.
É fácil dar soluções quando não se está envolvido na situação, com tudo que isso implica.
Como sempre, o amor fala mais alto. Novas e melhores soluções foram propostas e acolhidas. Não existe uma receita. Cada caso é um ser humano sendo cuidado e respeitado por tudo que ele é e por tudo que , no momento está sendo, devido a doença.
Palavra final da protagonista de hoje: confortada, compreendida.
E o Projeto continua…toda quinta…das 14h às 15h no mesmo local. E permanece aberto a quem quiser compartilhá-lo. Até breve!
Um dos nossos maiores tesouros na maturidade são os nossos amigos.
Pessoas que entraram na nossa vida em algum momento e se tornaram imprescindíveis, partilhando conosco o dia a dia, as horas alegres, as horas tristes, nos confortando nas intempéries da vida, levantando nosso ânimo, socorrendo-nos em pequenas e grandes necessidades.
Temos amigos para passear, para orar juntos, para grandes comemorações, para estudar, amigos da academia, da hidroginástica, da dança, amigos do trabalho, do tricô, do futebol, e assim vai.
Você consegue imaginar seu mundo sem essas pessoas que lhe fazem tão bem?
Nem sempre temos condições de conversar com todos, dar-lhes a devida atenção, em retribuição ao que fazem por nós. Porém, quando estamos sós, por algum motivo, invade-nos uma grande saudade deles. Ah, se fulano estivesse aqui …. o que será que nós estaríamos conversando, fazendo?
Tudo que existe e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver, desde uma plantinha, um animal, uma criança, um idoso.
Construímos o mundo a partir de laços afetivos. Esses laços tornam as pessoas e as situações preciosas, portadoras de valor. Preocupamo-nos com elas. Tomamos tempo para dedicar-nos a elas. Sentimos responsabilidade pelo laço que cresceu entre nós e os outros.
Se recordarmos a frase do livro do Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Exupéry, que diz: “É com o coração (sentimento) que se vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos”, veremos que é o sentimento que torna as pessoas, coisas e situações importantes para nós. Somente aquilo que provocou cuidado em nós deixa marcas indeléveis e permanece definitivamente.
Esse modo-de-ser-cuidado é que devemos ativar com nossos amigos. Ficarmos atentos na maturidade para não nos isolarmos, não deixarmos muito tênue, enfraquecida essa rede que envolve os nossos amigos.
Outra frase do Saint Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, também nos faz refletir sobre nossa responsabilidade em alimentar continuamente nossas amizades, principalmente dos amigos mais queridos, insubstituíveis.
Vivenciar nossa maturidade com amigos é um modo de ser mediante o qual saimos de nós e nos centramos no outro, com desvelo e solicitude, participando de seu destino, de suas buscas, de seus sofrimentos e de seus sucessos, enfim , de sua vida.
Onde estão os seus amigos? Será que não está na hora de telefonar para eles? Enviar uma mensagem por e-mail ou no facebook para dizer-lhes o quanto está com saudades , o quanto os ama? E que tal marcar um cafezinho, um chopp ou um almoço na companhia deles?
Nossas emoções hoje se voltam para nossos pais. Acredito que por estarmos vivenciando a maturidade, muitos dos nossos pais já terão falecido ou estão velhinhos.
Que lembranças afloram?
Saudades de quando eles nos envolviam em seus abraços? Do seu olhar mais severo e ao mesmo tempo cuidador? Dos seus zelos ou descuidos por nós? Da sua presença ou ausência no nosso cotidiano?
Vamos recordar que há muitos anos, nosso pai foi criado em um sistema patriarcal, onde imperava a autoridade um tanto austera; que homem não costumava abraçar, beijar filhos, não podia chorar, porque “homem não chora”. Sua função era prover a casa e os filhos. O lado afetivo ficava em segundo plano.
Esse contexto histórico talvez ajude a compreender nossos pais, suas “falhas” que, às vezes, cobramos pela nossa memória.
Em especial, hoje, que se comemora o Dia dos Pais, vamos nos reverenciar a eles, como pessoas queridas e amadas e trazer nossa compreensão e quiçá nos perdoarmos por não tê-los entendido.
A coisa mais importante que eles fizeram para cada um de nós foi nos terem trazido ao mundo. Eles fizeram o que podiam, de acordo com seu nível de consciência, seus valores morais e éticos, sua educação.
Evoluímos através dos estudos, de novos paradigmas sobre paternidade, somos mães ou pais e nesse papel pudemos sentir e talvez mudar esses papéis sociais e culturais.
Acredito que estamos bem mais perto de nossos filhos, partilhando com eles alegrias, tristezas, preocupações, sonhos….
Ninguém passa pela nossa vida por acaso, e assim esse foi nosso pai escolhido para evoluirmos, seja na dor, na bem-aventurança, na pobreza, na alegria, na honestidade, nas injustiças.
Compreender, agradecer e perdoar são as palavras chaves das nossas orações hoje para nossos pais.
O Projeto Acolhimento iniciou hoje, dia 8/08/2013, com 10 pessoas participando. Ouvimos relatos emocionantes de como as pessoas enfrentaram sua dores, sua ansiedade, sua angústia frente a situações irreversíveis de danos na saúde.
Como tratam seus entes queridos para que a ameaça de interná-los fique o mais longe possível.
Terminamos com muita vontade de viver bem, sendo amados e amando, e com um delicioso bolo cuca de banana, oferecido por um dos participantes.
E o Projeto continua…toda quinta…das 14h às 15h no mesmo local. E permanece aberto a quem quiser compartilhá-lo. Até breve!
“Se você aproveitar o tempo a fim de melhorar-se, o tempo aproveitará você para realizar maravilhas.”
André Luis
O trabalho voluntário é uma doação pessoal de seus talentos, habilidades, ou outros tipos de serviços que se fazem em prol de pessoas que naquele momento necessitam de ajuda, ou para Ongs, instituições filantrópicas.
É seguir um chamado interno para servir e fazer-se útil para o universo. É uma colaboração onde predominam o amor, a solidariedade, a compaixão.
Ao servir, com simplicidade e humildade, acabamos percebendo que o voluntariado é uma troca de aprendizagens muito significativas, porque ao doar nosso tempo, nosso trabalho, recebemos muito mais do que estamos doando.
Na maturidade, muitos de nós já se aposentaram, diminuiram o ritmo de suas atividades, e aí surge um tempinho que poderá ser bem empregado em um trabalho voluntário. Basta abrirmos bem os olhos e veremos, por vezes, pertinho de nós, pessoas que gostariam de ser “cuidadas” nesse momento da vida.
“Cuidar é mais do que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”. ( Leonardo Boff)
Caracteriza o voluntariado o comprometimento com o outro para que ele também tenha oportunidades de vencer, de ser feliz, de reorganizar-se, de aprender, de nos ensinar. É o nosso lado bom, humano, espiritual, atuando a favor do outro e vice-versa.
Nesses dias, tomando um pouco de sol na pracinha do prédio onde moro, encontrei-me com amigos antigos. Alguns são cuidadores de seus parceiros. Refleti um pouco sobre tudo o que me foi dado nessa vida, minha escolha em peregrinar, e concluí que está na hora de caminhar novamente, de vivenciar troca de saberes, troca de afetos e ser solidária com a dor do outro. Com o coração aberto e tendo inúmeras idéias, organizei o Projeto Acolhimento, porque será assim que pretendo desenvolvê-lo, com muito acolhimento, para com as pessoas que dele participarão.
Apresento-lhes, então, este projeto, para que ele desde já ganhe forças e vida.
PROJETO ACOLHIMENTO
Esse projeto visa auxiliar os cuidadores (esposas, filhos, etc..) de pessoas com Mal de Alzheimer ou de pessoas que exijam cuidados especiais, dando-lhes apoio emocional, psicológico, além de levar conhecimentos sobre estimulações para retardar a perda da memória e garantir uma comunicação amorosa com o ente querido.
É um trabalho voluntário, voltado para os moradores do Condomínio Residencial da Vila Yara, em Osasco e qualquer outra pessoa interessada. A 1ª reunião será realizada no dia 08/08/2013 , quinta-feira, das 14h às 15h, no Salão de Festas do condomínio.
Para maiores esclarecimentos ou agendar sua participação gratuita, é só entrar em contato:
Mariúza Pelloso Lima
Gerontóloga, Terapeuta Antroposófica e Transpessoal
tel: (011)99603-7651
email: portaldamaturidade@gmail.com
Sejam bem-vindos! Vamos exercitar nosso amor e solidariedade!!!