Julianne Moore, interpreta uma mulher de 50 anos, que se vê acometida pela doença de Alzheimer precocemente. Neurolinguista, com uma carreira brilhante, percebe que algo estranho está lhe acontecendo, pois começa a ter lapsos de memória nas aulas que ministra na universidade; e também, quando ela não consegue se lembrar aonde está correndo, se exercitando no campus da universidade. Procura um neurologista e após alguns exames recebe o diagnóstica de Alzheimer genético, muito raro.
Usa seu celular como uma ferramenta para estimular seu cérebro, para evitar o declínio cognitivo rápido e ao mesmo tempo para se observar, verificar o desenrolar de sua doença, até que se esquece onde o colocou.
Astutamente, planeja sua morte pelo notebook, dando a si mesma, orientações para serem executadas quando não mais tiver lucidez suficiente para compreendê-las.
O que faz uma pessoa tão inteligente, programar sua morte, como nesse caso?
Medo, pavor do que virá-a-ser? Receio de ficar totalmente dependente de outrem? Receio de atrapalhar a vida da família?
Na trama do filme, podemos ver a Alice como vítima e como espectadora de si mesma, ambas impotentes frente a doença. Aos poucos, vemos a dissolução de quem era Alice e seu desaparecimento como pessoa atuante. Resta sua história.
Muito merecido o Oscar pela interpretação de Julianne Moore.
Lindo filme, pois nos mostra que a Vida é para ser vivida plenamente, pois não temos como controlar algo que já foi determinado geneticamente. Ainda não!
“Se você aproveitar o tempo a fim de melhorar-se, o tempo aproveitará você para realizar maravilhas.”
André Luis
O trabalho voluntário é uma doação pessoal de seus talentos, habilidades, ou outros tipos de serviços que se fazem em prol de pessoas que naquele momento necessitam de ajuda, ou para Ongs, instituições filantrópicas.
É seguir um chamado interno para servir e fazer-se útil para o universo. É uma colaboração onde predominam o amor, a solidariedade, a compaixão.
Ao servir, com simplicidade e humildade, acabamos percebendo que o voluntariado é uma troca de aprendizagens muito significativas, porque ao doar nosso tempo, nosso trabalho, recebemos muito mais do que estamos doando.
Na maturidade, muitos de nós já se aposentaram, diminuiram o ritmo de suas atividades, e aí surge um tempinho que poderá ser bem empregado em um trabalho voluntário. Basta abrirmos bem os olhos e veremos, por vezes, pertinho de nós, pessoas que gostariam de ser “cuidadas” nesse momento da vida.
“Cuidar é mais do que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”. ( Leonardo Boff)
Caracteriza o voluntariado o comprometimento com o outro para que ele também tenha oportunidades de vencer, de ser feliz, de reorganizar-se, de aprender, de nos ensinar. É o nosso lado bom, humano, espiritual, atuando a favor do outro e vice-versa.
Nesses dias, tomando um pouco de sol na pracinha do prédio onde moro, encontrei-me com amigos antigos. Alguns são cuidadores de seus parceiros. Refleti um pouco sobre tudo o que me foi dado nessa vida, minha escolha em peregrinar, e concluí que está na hora de caminhar novamente, de vivenciar troca de saberes, troca de afetos e ser solidária com a dor do outro. Com o coração aberto e tendo inúmeras idéias, organizei o Projeto Acolhimento, porque será assim que pretendo desenvolvê-lo, com muito acolhimento, para com as pessoas que dele participarão.
Apresento-lhes, então, este projeto, para que ele desde já ganhe forças e vida.
PROJETO ACOLHIMENTO
Esse projeto visa auxiliar os cuidadores (esposas, filhos, etc..) de pessoas com Mal de Alzheimer ou de pessoas que exijam cuidados especiais, dando-lhes apoio emocional, psicológico, além de levar conhecimentos sobre estimulações para retardar a perda da memória e garantir uma comunicação amorosa com o ente querido.
É um trabalho voluntário, voltado para os moradores do Condomínio Residencial da Vila Yara, em Osasco e qualquer outra pessoa interessada. A 1ª reunião será realizada no dia 08/08/2013 , quinta-feira, das 14h às 15h, no Salão de Festas do condomínio.
Para maiores esclarecimentos ou agendar sua participação gratuita, é só entrar em contato:
Mariúza Pelloso Lima
Gerontóloga, Terapeuta Antroposófica e Transpessoal
tel: (011)99603-7651
email: portaldamaturidade@gmail.com
Sejam bem-vindos! Vamos exercitar nosso amor e solidariedade!!!
Um pai cuidadoso comigo, que fazia questão de ir me buscar no ponto do ônibus a um quilômetro de distância, quando eu voltava da faculdade, já próximo da meia-noite. Muitas vezes não havia assistido a nenhuma aula, só participado da agitação política, em 68, na rua Maria Antônia, São Paulo.
Alguns anos depois era ele que fazia questão de abrir o portão da garagem, para eu sair com o carro, por mais que eu insistisse para não fazer aquilo.
Homem de pouco estudo, lia o jornal de ponta a ponta diariamente. Adorava meus amigos e, podendo, fazia sempre parte da roda.
Em julho de 1995 quatro anos depois de sofrer um AVC, minha mãe faleceu; e um mês depois, no dia 7 de setembro, ele acordou me dizendo que estava pescando com um amigo. Onde papai? Ali… no riozinho atrás da casa. Mas papai, rio no asfalto? É…pesquei muitos peixes. Eu e meu amigo…
Um frio percorreu meu corpo. Naquele instante percebi que aquele novo amigo que com ele conviveria durante quatro anos não era uma boa companhia. Mas que fazer?
Quando crianças e começamos a andar em má companhia, os pais têm poder para nos afastar deles, mas quando já adultos, e os vemos mal acompanhados, nada podemos fazer. Só nos resta a resignação. E eu sabia: era um amigo que há tempos rondava nossa casa, e com ele tentava fazer amizade. E meu pai se envolveu tão fortemente com aquele amigo, que se esqueceu de nós, de nossa casa, de mim.
Muito conhecido na cidade, um dia voltou para casa trazido por um camburão da polícia. Seu pai não queria voltar, o policial me disse. Disse que morava em Natal. Mas um dos nossos o conhece… Ele havia feito vários exames, e no dia seguinte levei-o ao médico para mostrá-los.
O médico atendia outros clientes que também eram amigos daquele estranho senhor. E foi ali que vim a saber seu nome: Sr. Alzheimer. Ele, dizia o médico, é do mal. E era o responsável por meu pai ter se afastado de todos nós. E eu, àquela altura já sabia: nada poderia fazer para romper aquela amizade.
Penso que ele se aproximou daquele amigo por não suportar a saudade de minha mãe. Aquela nova amizade era tão forte, que ele esqueceu minha mãe para sempre. Nunca mais falou nela.
Em vez de lutar contra aquele senhor que não saía de perto de meu pai, resolvi aliar-me a ele. Morávamos em uma casa imensa, muito antiga, com portas e janelas enormes.
E foi ali que ele e Alzheimer encontraram uma porta que lhes possibilitava viajar através do tempo. Achei aquilo tão fascinante, que resolvi viajar com eles. Freqüentemente íamos à Revolução Constitucionalista de 32. Frequentemente meu pai me convidava a ir com eles. Dizia: “feche, feche as janelas, menina, feche e se atire no chão, que o inimigo está chegando”. Na mesma hora eu fechava as grandes janelas da sala e me atirava ao solo. “Fique quieta, não fale, que eles podem perceber nossa presença”. E eu ficava ali: cinco, dez, quinze minutos, no escuro, esperando o inimigo ir embora.
Em 1932, um dos seus irmãos, Chico, viera de Natal para lutar ao lado de Getúlio, enquanto meu pai lutava por São Paulo. Por isso sua preocupação era não ferir o irmão em algum combate. Quando íamos os três para a Revolução, ele repetia sempre: “cuidado, cuidado que Chico pode estar nesse pelotão, veja bem antes de atirar…”
Às vezes algum amigo ligava e perguntava: “por que liguei tanto e você não atendeu? Ou: “por que você demorou tanto a atender?” e eu precisava explicar: “eu estava lutando na Revolução de 32…” O que sempre provocava risos do outro lado da linha.
Outras vezes era para o Cabo de Santo Agostinho, litoral de Pernambuco, em 1945 que viajávamos. E ele me ordenava: “apague as luzes, os alemães podem nos ver aqui…” E ficávamos os três: ele Alzeheimer e eu no escuro, em silêncio, até que ele se convencesse de que o inimigo fora embora e me desse ordem de voltar a 1998.
Uma ocasião chegou um grupo de amigos meus, e meu pai, muito preocupado, me chamou e cochichou em meu ouvido: “esse pessoal não disse a senha…” Tentei tranqüilizá-lo: “papai, são meus amigos, não se preocupe…” E ele muito apreensivo: “então peça e anote o RG de cada um. Não diga a eles que meu nome é João. Não se pode confiar em ninguém, aqui…”
De repente me chamou e disse: “peça a eles que falem mais baixo…” E perguntei: Por que, papai? E ele, com aqueles olhos verdes que tinham perdido completamente o brilho, desde a morte de minha mãe, me olhou tristemente e respondeu: “eu estou aqui camuflado…”
Um filho pode aprender muito com um pai, mas sem dúvida alguma, aquelas últimas lições que dele recebi sobre a fragilidade da vida, da lucidez, sobre a importância de agarrar cada segundo que temos como se fosse o último, de valorizar cada gesto delicado que nos vem de uma pessoa querida, talvez tenham sido as mais valiosas de toda minha vida, pois não aprendi em nenhum livro, aprendi com aquele homem simples, que tendo sido militar, era tão terno quanto pode ser um jardineiro, ou um Poeta. Tão terno, tão doce quanto deve ser um pai. Um verdadeiro Pai.
Risomar Fasanaro – professora de lingua e literatura brasileira e portuguesa
O filme nos mostra quando se inicia a perda da memória de uma pessoa portadora do Mal de Alzheimer, no caso, Fiona (Julie Christie), que era casada há 45 anos com Grant (Gordon Pinsent). E como essa demência vai progredindo, causando embaraço para Fiona, ela opta por morar em uma clínica e receber pronto atendimento.
É fato que temos retido em algum lugar da nossa mente fatos, sensações e emoções que, embora não conscientes, afloram repentinamente, por alguns minutos, para desaparecerem outra vez. Essas fagulhas de consciência valem ouro para quem ama Fiona e deseja , de qualquer maneira, partilhar desses reencontros esporádicos mais uma vez.
É impressionante a capacidade humana de amar, perdoar, mesmo na demência. Então, uma pergunta se faz: será que é preciso “perder” seu ente querido para descobrir o quanto o ama?
O Mal de Alzheimer ou Doença de Alzheimer é assim denominado em função de ter sido pela primeira vez descrito em pesquisas do psiquiatra alemão Alois Alzheimer, que citou este tipo de doença em 1906. Ainda há aspectos para desvendar sobre este mal que afeta cerca de 25 milhões de idosos no mundo inteiro.
O Alzheimer é uma doença tratável, apesar de ser degenerativa e incurável. É também a principal causa de demência em idosos, distúrbio caracterizado pela perda progressiva das capacidades cognitivas. Estima-se que, no Brasil, há por volta de um milhão de portadores de Alzheimer, que buscam por tratamento por meio de medicação e acompanhamento diferenciado.
Viver num mundo sem memória para acontecimentos recentes pode causar alterações de comportamento como: depressão, agitação, confusão e desorientação,ações repetitivas, perda da capacidade de executar tarefas rotineiras, delírios, alucinações, caminhar sem rumo, agressividade.
Nem toda demência é Alzheimer. Há muitas formas de demências. Não há um diagnóstico preciso, mas existem alguns “sintomas-chave”que ajudam a elucidar essa demência.
Posteriormente comentarei sobre as causas e sintomas do Mal de Alzheimer.
O que pretendo realçar, no momento, é o impacto sobre a família quando recebe essa notícia. Para quem sofre a doença é difícil, mas para a família é muito mais. Há revolta, negação, até compreender que o ente querido afetado precisa de muita ajuda, o quanto antes, para ser tratado clínica e emocionalmente. Geralmente, a pessoa com perda anormal de memória não percebeu sua condição atual. Se a família fizer de conta que não vê, não irá reverter o problema, apenas agravá-lo.
Por isso, é importante conhecer tudo o que puder sobre a doença, para lidar melhor com os sintomas e cuidar bem do ente querido acometido por ela.
Desenvolver empatia é fundamental para entender a pessoa. Colocar-se no seu lugar, entrar na sua fantasia, e, em determinados períodos, vivenciar essa fantasia como uma ponte de comunicação amorosa com a pessoa que já está ausente da realidade.
Fase dificílima para a família que percebe que seu ente querido não se reconhece mais como mãe, ou pai, e que essa perda de identidade significa uma perda irreparável. Quem é essa pessoa agora?
É um período de luto da família sem que o ente querido tenha falecido. Morreu o personagem! Mas a pessoa está ali, viva, diferente, confusa… O que fazer?
Acolhê-la de todas as maneiras é o caminho saudável para todos. Fazê-la sentir que há amor à sua volta, há aliados para sua atual comunicação, que, na maioria das vezes, regride ao passado. Compreendê-la como criança, ou outro personagem de que esse ente querido se apropria.
Conversar, cantar com ela, ler histórias, distraí-la, brincar, acalmar, suscitar emoções positivas e, mais do que tudo, compreender seus sentimentos, pois quando essa pessoa agredir, lembre-se de que não é ela que o está fazendo, mas a doença.
Não há soluções mágicas. Aprende-se com choros, tristezas, como também com alegria ao ver nosso ente querido sorrir, dormir calmamente, brincar com você, pelo tempo que puder haver participação.
O caminho é o amor! Doe, doe, doe e seu ente querido, apesar de não poder expressar, terá uma gratidão eterna por você.